Logística, Transporte e Embalagens

Distribuição – Em fase de expansão, setor promove mudanças e recebe novos players

Marcelo Fairbanks
17 de abril de 2012
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    Tancagem da Univar em Osasco-SP está adequada para a atividade

    A política de investimentos segue firme, prevendo a aplicação de mais R$ 1 milhão neste ano para a continuidade das obras de duplicação da capacidade de armazenamento em Itajaí-SC. Além disso, o orçamento inclui a montagem de novos laboratórios para aplicação em alimentos, tintas e cosméticos na matriz, em Osasco-SP, na qual também será ampliada a sala branca para manipular produtos com grau farmacêutico e alimentício. A tancagem de Jaboatão dos Guararapes-PE também está crescendo, acompanhando a evolução dos negócios regionais.

    Além do reforço nos ativos fixos, a Univar adota uma gestão inovadora de recursos humanos, proporcionando a possibilidade de construir carreiras internacionais. “Eles mantêm a Universidade Univar, um programa de capacitação em distribuição com metodologia acadêmica, além de cursos especializados em gestão, comercialização e cadeia de suprimentos”, afirmou Raduan. Recentemente, a empresa introduziu um MBA global, qualificando 350 de seus profissionais em todo o mundo. A meta é oferecer a cada ano um desses cursos, para formar líderes com culturas variadas para o futuro da companhia.

    Raduan enxerga oportunidades para crescimento orgânico dos negócios na região e conta com apoio financeiro da matriz para novos projetos e também para suporte de capital de giro, quando necessário. Controlada por fundos de investimento, a Univar, que obteve US$ 9,7 bilhões em vendas em 2011, também mantém um modelo de aquisições com critérios bem definidos. “Estudamos várias opções, pois essa é uma forma rápida para crescer”, comentou.

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    Foresti: concorrência saudável e de alto nível é bem-vinda

    A Brenntag, rival em escala planetária da Univar, com faturamento próximo a 8,6 bilhões de euros em 2011, vê com bons olhos a chegada ao Brasil da concorrente. “O mercado regional tem espaço para novos concorrentes de peso”, afirmou Luciano Foresti, diretor comercial da Brenntag Química do Brasil. “Não nos assusta concorrer com quem respeita padrões internacionais de qualidade e segurança, e que não entra em um mercado para destruí-lo com preços predatórios.”

    A Brenntag faturou 807 milhões de euros na América Latina em 2011, com crescimento de 11,3% sobre 2010, com resultado operacional bruto de 150 milhões de euros, 9,2% melhor que o do ano anterior. “No Brasil tivemos um excelente ano em 2011 e temos expectativas positivas para 2012”, considerou Foresti. Ele comentou que o crescimento das vendas na Região Nordeste tem sido animador, enquanto a Região Sul vive um momento de adaptação. “Muitas empresas que atendiam o setor coureiro-calçadista, com a retração desse setor, passaram a atender outros clientes, por exemplo, na produção de tintas, com sucesso”, explicou.

    Gestão reforçada – O grupo M.Cassab avançou mais um passo na profissionalização da gestão empresarial, dentro do plano de crescimento que está sendo traçado até 2028, o centenário de sua fundação. Constam do plano três ciclos consecutivos com duração estimada em cinco anos cada um, segundo o diretor superintendente Fernando Abrantes.

    O primeiro ciclo começou com a consolidação dos negócios de distribuição química, agrupados em três divisões: química, life sciences e tecnologia animal. “Essa consolidação trará ganhos em sinergias de processos e de custos, ainda não completamente avaliados”, afirmou Abrantes. Além disso, o relacionamento com fornecedores será fortalecido, permitindo um alinhamento estratégico entre as operações.

    Durante esse ciclo será construído o centro de distribuição em Cajamar-SP, previsto para ser uma plataforma de crescimento e uma referência para os funcionários e para o mercado. Também o portfólio de produtos será organizado conforme as necessidades de cada seg-mento de negócios. “Na área química, temos poucas commodities disponíveis, precisamos buscar mais”, considerou Abrantes.

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    Abrantes: M.Cassab consolidou área química e prepara expansão

    Ele recomenda olhar com cuidado o comportamento das commodities, especialidades e produtos de performance. “São coisas muito diferentes, com necessidades e dinâmicas diferentes”, alertou. No caso das commodities, é preciso incorporar mais algumas ao portfólio para completar uma família de produtos. Caso isso exija contar com mais tanques próprios, o grupo vai erguê-los. Nas especialidades, a M.Cassab conta com ampla tradição, especialmente em alimentação humana e animal. “Há nichos a preencher, especialmente em química e life sciences, podemos buscar produtos no Brasil ou no exterior, contando com estrutura logística adequada”, afirmou. Por sua vez, os produtos de performance exigem montar pacotes de insumos por segmento atendido.

    Segundo o executivo, os resultados de 2011 mostraram que a distribuição química está sendo desafiada a buscar novos caminhos para ser competitiva e rentável. “A distribuição precisa conhecer os produtos e os mercados, ter capacidade de realização de resultados e de se antecipar às demandas”, comentou. Nesse quadro, cada distribuidor precisa avaliar se é melhor para ele ser um especialista em poucos segmentos ou investir pesado na diversificação. “Todas as grandes distribuidoras se diversificaram e todas estão crescendo em life sciences nos últimos dez anos”, avaliou.

    Abrantes considera como excelente desempenho para uma distribuidora alcançar a faixa entre 8% e 10% de margem Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), resultando em margem líquida média de 5%. Ele também considera que a economia nacional tem se apoiado muito no consumo das famílias, de pouca permanência. As indústrias nacionais têm investido pouco, refletindo a dificuldade para competir globalmente. “Nesse ponto, a distribuição é mais dinâmica, pode mudar rapidamente de negócio”, disse.



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