Logística, Transporte e Embalagens

Distribuição – Em fase de expansão, setor promove mudanças e recebe novos players

Marcelo Fairbanks
17 de abril de 2012
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    A maior vitória da associação setorial foi a implantação, iniciada há dez anos, do Programa de Distribuição Responsável (Prodir), que foi inspirado no programa similar da Associação da Distribuição Química Norte-Americana (NACD). “O índice de acidentes com operações químicas na distribuição caiu de 3,27% em 2008 para 1,22% sobre os embarques, em 2011”, apontou Medrano. O número total de acidentes com derramamento de produtos das em-presas ligadas ao Prodir caiu de 26 para nove, nos mesmos anos. O indicador para 2010 foi de apenas cinco acidentes, e o aumento em 2011 foi explicado pela má qualidade das estradas nacionais, pois o modal rodoviário é o mais usado pelo setor.

    A boa estrutura do programa e sua aplicação permitiram à Associquim firmar acordo com a NACD e a CACD (do Canadá), mediante o qual as regras dos programas congêneres são reconhecidas idênticas e acreditadas por elas, facilitando o intercâmbio de informações e negócios entre os distribuidores desses países.

    Na área de transportes, aumentaram os problemas com as restrições de horário e de áreas de circulação de veículos, nos moldes das impostas pela cidade de São Paulo. “Estão demonizando os caminhões, mas o problema é da precariedade da infraestrutura nacional”, criticou. “Isso obriga a trafegar mais no período noturno, sobrecarregando os motoristas, situação que pode levar à ocorrência de acidentes, sem mencionar a elevação de custos.”

    Desembarque esperado – Depois de quase uma década de estudos e negociações, a Univar entrou no mercado brasileiro de distribuição química, por meio da compra da Arinos Química, em 31 de agosto de 2011, por valor não declarado. Ao contrário da expectativa inicial de reformulação da alta gerência da distribuidora, a Univar manteve no cargo de presidente o antigo proprietário, Mateos Raduan Dias, com raio de ação ampliado para toda a América do Sul. “Nós já atuávamos com unidades de negócio focadas por segmento atendido, que eles chamam de industry verticals, e isso facilitou a transição, sem perder talentos nem desmotivar a equipe”, explicou Raduan. Aliás, a denominação oficial da distribuidora vai passar de Arinos/Univar para apenas Univar ainda em 2012.

    Ele explicou que a distribuidora mundial precisava entrar na América do Sul para agregar mais valor para seus clientes globais e também para suas distribuídas. Contratos de suprimento global geram redução de custos pela diminuição de estoques e aumento de vantagens logísticas. “A maioria das companhias químicas mantém políticas globais e querem ter menos parceiros, com condições de atendimento idênticas, qualificação de pessoal e estrutura adequada, por exemplo”, afirmou. “Até então, havia apenas um distribuidor global no Brasil, agora há outro.”

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    Raduan vendeu a Arinos, mas comanda a Univar na região

    Segundo ele, a Univar conta com cerca de 400 clientes globais, dos quais 90 já foram identificados no Brasil. A distribuidora mantém uma vice-presidência global na sua sede, em Seattle-WA (EUA), apenas para lidar com esses global key accounts. Além disso, o portfólio da Univar é muito mais amplo do que o da Arinos, que já lidava com 1,5 mil produtos. “Éramos bons em alguns mercados, mas havia lacunas a preencher”, avaliou Raduan. Essas brechas foram identificadas durante os últimos seis meses, embasando um plano de ação para complementar o portfólio, exigindo estabelecer acordos com fornecedores e azeitar a logística.

    A antiga Arinos não perdeu distribuídas com a negociação. O relacionamento mais intenso era mantido com a Dow, também ligada à Univar. Ambas as partes possuíam negócios em cosmé-ticos, alimentos, nutrição animal, linha industrial e tintas. Só a Univar atuava em energia, óleo e gás. Em compensação, a Arinos tinha larga expertise em poliuretano, que está sendo aproveitada para montar negócio semelhante na Univar do México. “Vamos intercambiar co-nhecimentos”, disse.

    “A sinergia é muito grande entre as operações da Univar em cada país, facilitando a captação de oportunidades”, comentou o diretor comercial Vânio Oleiro. A área de ciências da vida promoveu forte troca de conhecimentos com as unidades da Europa e dos Estados Unidos.

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    Oleiro: alta sinergia com as filiais gera oportunidades

    A complementação de portfólio com commodities e especialidades de qualidade, com suprimento regular, está sendo acompanhada da abertura de mercado para fornecedores locais. “Quem era fornecedor da Arinos passou a participar do sistema de suprimento global da Univar, ganhando mais visibilidade, com enorme potencial de desenvolvimento de negócios”, comentou o presidente.

    A expectativa de Raduan é a de modificar a origem do mix de produtos vendidos, tradicionalmente com 70% de origem local, para uma situação na qual os importados tenham maior participação, tanto em commodities quanto em especialidades. “Estamos buscando mais tancagem nos portos para ter uma logística mais adequada para essa mudança”, explicou.

    As metas de crescimento da Univar no Brasil são ambiciosas, chegando a 20% ao ano. Em 2011, todas as unidades de negócios tiveram bom desempenho, permitindo ampliar as vendas em 15% sobre o faturamento de 2010, segundo o presidente da distribuidora. No entanto, 2012 começou devagar. “A atividade industrial no Brasil está sofrendo e isso se refletiu nas vendas de janeiro e fevereiro, mas em março já houve uma recuperação e elas devem melhorar ao longo do ano, aproveitando o pacote de estímulos anunciado pelo governo”, avaliou.



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