Distribuição: Carbono Química amplia capacidade e portfólio

Com investimento de US$ 2,5 milhões, a Carbono Química, de São Bernardo do Campo-SP, está em fase final de reestruturação.

Apesar de ter mudado de endereço de Diadema-SP para a atual planta, em janeiro de 2001, por conta dos diversos incrementos planejados, as obras só devem estar concluídas no final deste ano.

Em área de 18 mil m², o local irá abrigar 47 tanques e terá capacidade de armazenagem de líquidos de 3.100 m³.

No momento, conta com parque de sólidos de 1 mil m² de área útil e 37 dos tanques previstos já construídos.

Mas os planos de expansão não param por aí. Com ineditismo, porém em tom de mistério, o diretor Victor Luiz Maluf Amarilla anuncia a intenção de somar ao papel de distribuidor de produtos petroquímicos também o de fabricante.

Sem comentar detalhes sobre a abertura de unidade fabril, prevista para 2004, Amarilla antecipa que a carteira de produtos provavelmente se concentrará em linhas ecológicas.

Já para curto prazo a empresa prevê a implantação de quatro filiais, localizadas no Paraná, Rio Grande do Sul, interior de São Paulo e na Região Nordeste do País.

Os incrementos, no entanto, vão além do ganho estrutural. As alterações visam o fortalecimento da atuação em novos mercados, como o cosmético e o farmacêutico, por meio de novas parcerias e ramificações das já existentes.

Todas essas mudanças, na avaliação de Amarilla, vão ao encontro do dinamismo do setor petroquímico.

Para ele, as indústrias têm como característica manter estreita a relação com o cliente e por conseqüência estar em sintonia com as solicitações do mercado.

Química e Derivados: Distribuição: Amarilla produzirá linhas ecológicas em 2004.
Amarilla produzirá linhas ecológicas em 2004.

“Qualidade é obrigação, nossa tarefa é fidelizar o cliente”, receita Amarilla.

Para tanto, a Carbono também adotou como estratégia aumentar a abrangência logística e comercial.

Em se tratando de logística, a Carbono muniu-se de frota de 23 caminhões-tanque, o que lhe oferece, entre outros benefícios, autonomia perante às transportadoras.

Entre as novidades do novo player destaca-se a implantação do laboratório de controle de qualidade e desenvolvimento de aplicações.

O local absorveu investimento de US$ 200 mil, dos quais metade destinou-se ao segmento analítico do projeto. Trata-se, na opinião de Amarilla, de um diferencial da empresa, a partir do qual se sente apta para desenvolver novas aplicações para os clientes.

Em área de 125 m², o laboratório está equipado com câmaras especiais e instrumentos analíticos de última geração, conforme informação do diretor. Há também a expectativa da Carbono de dobrar a área do laboratório até o final de 2004.

Em consonância com o esperado aumento da carteira de produtos, no início deste ano, a empresa passou a representar o aditivo reológico Spectrogel, da nacional Spectrochem Indústria e Comércio.

Esse produto proporciona adequada tixotropia aos sistemas base solvente, oferecendo nivelamento com controle do escorrimento, além de prevenir o surgimento de sedimentações e facilitar a estocagem prolongada. Seu uso é recomendado para esmaltes alquídicos brilhantes, acetinados e foscos, bem como para tintas arquitetônicas, industriais e de impressão.

Na linha de agentes de cura para resina epóxi, entre os lançamentos figura a Jointmide, de linha de poliamidas que se combinadas a resinas epóxi, resultam em formulações para pisos industriais, tintas anticorrosivas e adesivos.

Outro agente de cura da marca trata-se da linha Jeffamines fabricada pela norte-americana Huntsman Corporation.

São poliaminas de cadeia longa cuja principal propriedade dá conta da oferta de flexibilidade ao produto.

Um diferencial refere-se à sua transparência.

Em função dessa característica, o produto não interfere na coloração final.

Atual foco da Carbono Química, a linha ecológica se destaca entre os produtos da marca.

Com o objetivo de atuar com formulações menos agressivas ao ambiente, a empresa realiza investimentos constantes em linhas de resinas base água, epóxi, uretânica e alquídica, além de carbonatos orgânicos, como os da linha Jeffsol Carbonatos, composta por solventes atóxicos da Huntsman.

Entre outras características, o produto apresenta alto ponto de fulgor, desde 160°C até mais de 205°C (varia de acordo com os produtos da linha); baixo odor e alta solvência, além de baixa toxicidez.

Outra aposta da empresa fica por conta dos solventes Carbosolv A, também atóxicos e biodegradáveis.

São derivados de correntes na faixa de destilação próxima a dos querosenes que se destacam por níveis baixos de toxicidez e agressividade ao meio, diminuindo o odor residual e a dermatite, comumente, gerada por esse tipo de produto.

Avanço significativo – Neste ano a Carbono completa 25 anos e com faturamento de cerca de 50 milhões de dólares ao ano, a empresa tem muito a comemorar.

O avanço impressiona: em 1995, a empresa comercializava 2 mil m³ de solventes por mês, entre aromáticos e alifáticos.

Com uma reestruturação realizada nos dois anos seguintes, a marca saltou para 8 mil m³/mês, além dos produtos químicos, no final de 2000.

“Em 1997 trabalhávamos com 12 produtos, hoje temos mais de 250. É um crescimento notável”, orgulha-se Amarilla. As vendas atingem a marca de 9 mil m³ ao mês.

Com 40% de seu mercado voltado para o setor de tintas, Amarilla vislumbra boas perspectivas para os próximos anos.

“Trabalhamos com a expectativa de que esse mercado cresça de dois a três pontos percentuais acima do PIB”, comenta.

Este índice, no entanto, vem sendo comprometido pela informalidade do setor. Por isso, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) lançou o Programa Setorial de Melhorias da Qualidade das Tintas Imobiliárias.

Mesmo assim, a indústria brasileira de tintas apresenta números promissores.

Segundo a Abrafati, o setor tem capacidade produtiva de 1 bilhão de litros de tinta ao ano e fatura cerca de US$ 1,5 bilhão, conferindo ao País o posto de quinto maior fabricante mundial.

“Esse mercado tem potencial para ser pelo menos o segundo ou o terceiro no ranking”, observa Amarilla.

Outra aposta da Carbono, o mercado de adesivos também apresenta números expressivos com faturamento de cerca de US$ 600 milhões ao ano.

Grande filão das indústrias de tintas e de adesivos e um mercado de 25 mil t/ano, as resinas epóxi terão 4% deste valor confiado à distribuição da Carbono em 2003, como um dos frutos de sua parceria com a Nan-Ya, de Taiwan, considerado o terceiro maior fabricante mundial de epóxi.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios