Distribuição – Ampliação do portfólio de produtos e serviços garante vendas e margens

Além da distribuição, a Química Anastácio também presta serviços logísticos para seus clientes, envolvendo não só produtos químicos, mas artigos diversos correlacionados, como rótulos, tampas e embalagens. “Fazemos o planejamento e a operação de supply chain, identificamos fornecedores internacionais (procurement) e oferecemos financiamento e flexibilidade para eles”, explicou. “Precisamos oferecer mais do que eles já têm, para isso devemos entender o que eles precisam e até nos anteciparmos, reagindo rapidamente às mudanças tributárias e regulatórias.”

A Química Anastácio vem ampliando seus negócios na América Latina, por meio da operação brasileira ou com vendas Indent, em países como Colômbia, Peru, México, Paraguai e Argentina, geralmente em parceria com distribuidores locais. “No médio prazo poderemos ter presença direta nesses países, talvez por meio de associação ou aquisição de players bem estabelecidos, pois respeitamos muito o conhecimento local”, disse. No Brasil, a distribuidora aposta no crescimento orgânico de suas operações.

Química e Derivados, Chamma: exigências dos clientes fazem distribuição avançar mais
Chamma: exigências dos clientes fazem distribuição avançar mais

Investir para crescer – Apesar do quadro macroeconômico desafiador, a BandeiranteBrazmo obteve crescimento de vendas entre 9% e 10% em 2013, em moeda nacional. “Essa deve ter sido a média da distribuição nacional, estimo, os resultados em dólar não devem ser considerados porque o efeito da variação cambial foi muito forte e os distorceu”, comentou João Miguel Chamma.

A situação foi pior nas commoditites, produtos nos quais a distribuidora registrou queda de volume comercializado, justificado pela tibieza da demanda. Nas especialidades, a situação ficou bem melhor. “Conseguimos um bom aumento de vendas com a introdução de novos produtos, como os celulósicos da Samsung e novos aditivos da BYK, ambos para construção civil”, explicou. Nos solventes, tanto hidrocarbonetos quanto sintéticos, a disputa por clientes tornou-se mais acirrada.

O mix da BandeiranteBrazmo manteve a predominância dos itens de produção local (65% das vendas), com 35% de importações. Chamma adverte para o fato de ambas as categorias operarem com preços dolarizados. “No ano passado, a indústria química nacional se reposicionou e ficou mais competitiva, em parte porque recebeu benefícios antidumping e aumento na alíquota do imposto de importação contra concorrentes, mas uma parte desse benefício foi repassada aos clientes”, comentou.

Chamma vê o Brasil em uma etapa de transição, exigindo aumento da competitividade nacional. “Precisamos começar a melhorar a infraestrutura e rever a estrutura tributária que é cara e complexa demais”, advertiu. Como os resultados dessas mudanças, se forem iniciadas, demorarão para aparecer, ele entende que a indústria nacional precisará de alguma forma de proteção até a implementação total delas.

Como a distribuição está inserida nas cadeias produtivas, quando estas vão mal, a atividade padece também. “Adotamos a estratégia defensiva de abrir o guarda-chuva, tanto em segmentos de atuação quanto em amplitude de atendimento geográfico”, comentou. Atualmente, a distribuidora opera em quase 34 segmentos diferentes, mas não é forte em todos. “Temos destaque em cerca de dez ou doze desses segmentos”, informou.

O planejamento de 2014 prevê a continuidade de investimentos em treinamento de pessoal e na área de tecnologia da informação. Além disso, serão promovidos ajustes para aprimorar as operações. “Chamamos de requinte operacional, queremos levar a zero a ocorrência de acidentes”, disse.

A região Nordeste receberá entre R$ 400 mil e R$ 500 mil para ampliar tancagem e armazéns. A distribuidora mantém instalações na Bahia e em João Pessoa-PB, que atende os demais estados da região. “Algumas cargas são desembarcadas diretamente em Recife-PE, onde já temos logística montada para atendimento regional”, disse Chamma. Ele explicou que um frete rodoviário de São Paulo para a Bahia custa US$ 350, considerando um caminhão para carga seca (embalados). “Isso é caríssimo, precisamos ter opções para atender essa região que apresenta o maior crescimento de demanda no país”, informou.

Na sua avaliação, considerando os últimos dez anos, a região Nordeste apresentou o maior índice de crescimento na indústria de transformação, mas ainda é pouco diversificada. A base de João Pessoa está ativa desde 1999, com tancagem e carga seca, mas agora precisa ser ampliada. O Rio de Janeiro perdeu diversidade industrial, mas reforçou a posição no setor naval e nas atividades de óleo e gás. O Estado de São Paulo manteve a diversidade e o volume de negócios, mas a produção industrial cresceu apenas no interior. O Sul tem a segunda maior indústria de transformação do país, sem grandes mudanças.

A questão tributária criou algumas distorções. Enquanto durou a chamada guerra dos portos, muitas distribuidoras se instalaram na região do porto de Itajaí-SC, onde o ICMS era muito mais baixo no desembaraço alfandegário. “Isso acabou e há armazéns vazios por lá; nossa operação está mantida, porque ela centraliza o suprimento para a região”, explicou.

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