Distribuição – Ampliação do portfólio de produtos e serviços garante vendas e margens

O problema da logística no Brasil tende a se agravar, pois a atividade industrial está em fase de descentralização, saindo do eixo São Paulo-Rio para se espalhar em várias direções e regiões. “A distribuição precisa acompanhar essa mudança geográfica, mas não precisa se deslocar fisicamente, basta contar com uma estrutura logística eficiente”, disse Medrano, salientando que o custo de manter bases com armazenamento de produtos é muito elevado. “O ideal seria ter grandes centros de distribuição ao lado de ferrovias eficientes, que realizassem a primeira etapa do transporte de longa distância.”

A Associquim tem realizado pleitos diversos junto aos órgãos oficias para reduzir as dificuldades das operações setoriais. “O Siscomex introduziu mudança recente para acelerar o desembaraço de mercadorias importadas, colocando todos os órgãos envolvidos – Receita Federal, Ibama e Anvisa, por exemplo – em atuação conjunta, vamos avaliar se funcionará melhor”, disse. Até então, cada um desses órgãos tinha um prazo diferente para fiscalizar e liberar as importações num processo lento e caro, pois implicava manter produtos estacionados no porto.

A associação também apoiou as medidas que acabaram com a chamada guerra dos portos, mediante a extinção de incentivos localizados à importação em alguns estados. “Também conseguimos sensibilizar o governo para evitar que os distribuidores acumulassem créditos de ICMS em operações interestaduais (alíquota de 4%) com produtos importados pelo estado de São Paulo, que cobra alíquota de 18% na entrada das mercadorias”, afirmou. “O problema foi reduzido, mas os interessados devem solicitar o regime especial com recolhimento diferido e há alguns requisitos a cumprir.”

Química e Derivados, Mosseri: volatilidade cambial impõe riscos para importações
Mosseri: volatilidade cambial impõe riscos para importações

Começo instável – A avaliação do desempenho da demanda química nos quatro primeiros meses de 2014 é unânime. A reposição de estoques nos clientes foi efetuada em janeiro e fevereiro, sustentando volumes de vendas muito satisfatórios. Os resultados de março já apresentaram uma retração, na maioria das avaliações, justificada pelo fato de os feriados do carnaval terem reduzido o número de dias úteis desse mês. Abril, porém, foi uma ducha fria nas expectativas setoriais.

“Percebemos que os clientes não estão comprando as quantidades usuais, mas fracionando os volumes em vários pedidos, isso aumenta nossos custos na mesma proporção do aumento de operações de entrega”, comentou Silvio Mosseri, diretor da Agroquímica Maringá.

“Abril teve muitos feriados e essa redução de dias úteis afetou mais as pequenas e médias empresas, que formam o perfil do nosso cliente típico, e isso nos afeta também”, explicou João Miguel Thomé Chamma, diretor-presidente da BandeiranteBrazmo. A grande indústria química, com processos contínuos de produção, não sente o impacto dos feriados. Mesmo assim, a distribuidora registrou aumento de vendas de 8% (em reais) no primeiro trimestre do ano em comparação com período idêntico do ano anterior. “O segundo trimestre está seriamente ameaçado, pois teremos também a Copa do Mundo começando em 13 de junho, com a previsão de vários dias parados em feriados municipais isolados.”

Além da redução de volumes, a retenção de negócios se verifica em todos os segmentos de mercado e portes de clientes. “Atendemos pequenos, médios e grandes clientes, todos eles estão sendo afetados pela redução de demanda”, informou Jayme Marmelsztejn, presidente da Cosmoquímica.

Trata-se, portanto, de um ano difícil para o setor, a menos que o desempenho comercial no segundo semestre apresente uma recuperação surpreendente. Mas isso não parece provável, pela realização das eleições em outubro, gerando instabilidades.

Química e Derivados, Bighetti: readequação das bases seguirá planejamento quinquenal
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Para a quantiQ, o primeiro trimestre apresentou bons resultados, pelo menos em comparação ao período anterior, considerado fraco. “Em abril, percebemos uma freada na demanda de vários segmentos, porém sem uma razão clara para isso”, comentou o diretor-presidente Armando Bighetti. Ele percebe a indústria em geral adotando extrema cautela nas suas negociações.

Avaliação semelhante foi apontada por Fernando Rafael Abrantes, CEO da área de distribuição do grupo M.Cassab. “O mercado industrial químico mudou a forma de comprar, os pedidos estão mais picados, com exigência de entrega imediata, isso em todos os segmentos”, reforçou.

Abrantes entende que parte das dificuldades enfrentadas pelo setor deve ser atribuída ao fato de o Brasil ainda não ter definido claramente sua vocação. “Um país precisa saber o que pretende ser daqui há dez ou vinte anos, pelo menos; sem isso, o governo estimula o consumo, depois breca, estimula a produção, depois para, ficam todos batendo cabeça”, criticou. “Nem uma infraestrutura adequada nós temos.”

Nesse quadro, um distribuidor precisa manter o valor de seu negócio, de forma agressiva. “A diversificação de clientes e de portfólio dá alguma estabilidade, embora também implique trabalho pesado”, comentou.

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