Engenheiro Químico – Mercado pede mais profissionais

Mercado pede mais profissionais com habilidades atualizadas

O engenheiro químico é responsável pelo projeto de fábricas e ajustes de cálculos em maquinários da indústria química, que agrega vários setores, do petroquímico ao alimentício e até farmacêutico.

As responsabilidades do profissional de Engenharia Química não mudaram muito ao longo dos anos, mas suas características estão sempre em evolução.

O dia 20 de setembro é dedicado a esses profissionais, essenciais para a produção do setor.

O profissional da engenharia química está se adaptando às necessidades do mercado e das situações que afetam o mundo como um todo, entre elas a pandemia do novo coronavírus, mediante a criação de novos programas e especificidades da profissão, a começar pelo uso de softwares inteligentes que aceleram o trabalho como um todo.

O país sofre uma carência de engenheiros em geral, mas na Engenharia Química essa defasagem é ainda maior pela reduzido número de cursos, em comparação às outras engenharias.

Há 40 anos, muitas indústrias químicas estavam nascendo e se desenvolvendo no país, em diversos segmentos.

Ter um diploma de engenheiro químico era uma um ingresso garantido no mercado de trabalho.

Atualmente, o número de indústrias locais diminuiu, tanto pela migração para outros países, como resultado de intensas fusões e aquisições, com reflexos no mercado de trabalho.

Basicamente, o engenheiro químico deve ter a capacidade e a vontade de resolver problemas.

Ricardo de Gouveia, coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Química do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo (Crea-SP), enfatiza que o engenheiro deve ser corajoso e disposto a resolver problemas que a profissão traz.

Ele diz também que hoje o país possui uma carência de profissionais da engenharia, não apenas do ramo químico.

Assim, o mercado demanda mais profissionais do que o país forma ou tem a capacidade de formar.

Existe também o fato de muitos engenheiros formados não trabalharem no seu campo de habilitação, aumentando ainda mais a carência de profissionais aptos para apoiar o crescimento da indústria química.

O fato de haver menos cursos qualificados de Engenharia Química, em comparação com Civil e Mecânica, por exemplo, torna o setor mais defasado do que nessas duas especialidades. Isso emperra o desenvolvimento acelerado do setor, trazendo assim menos investimentos.

Segundo Ricardo Gouveia, há também uma falta de conexão entre as universidades e o Crea.

“O MEC autoriza a abertura dos cursos, mas o selo de qualidade vem do Crea”.

Essa falta de diálogo, segundo ele pode tornar alguns cursos menos capacitados que outros.

Entretanto, o futuro não é sombrio para a Engenharia Química.

Renata de Oliveira, engenheira química e coordenadora técnica da área de processos da Promon Engenharia, acredita que ainda persiste a falta de profissionais qualificados, mas o cenário está positivo.

Na Promon, a pandemia gerou uma queda no quadro de funcionários, mas a retomada avança a passos largos, quase dobrando o número de empregados neste ano.

Ela acredita que o país demandará mais profissionais especializados no futuro, mas isso dependerá muito do ambiente econômico do Brasil e dos investimentos feitos na área.

A pandemia também alterou muito o trabalho dos engenheiros químicos, segundo Renata, com desenvolvimento de novas tecnologias, como a nuvem de pontos que representa a instalação do cliente de forma computadorizada.

Ou o envio de um funcionário para tirar fotos e filmar o maquinário.

A adaptação ao home office foi difícil, mas a empresa já se acostumou, como informou.

Para ela o profissional de engenharia química hoje deve alguém atento aos detalhes, pois o engenheiro químico é praticamente um engenheiro de processos, sendo responsável por iniciá-los.

Um erro no começo acarreta um efeito dominó que pode ter grandes consequências.

Renata também entende que o engenheiro hoje precisa ter “jogo de cintura”, para ser adaptar a qualquer tipo de projeto.

Renata salientou que a atividade profissional já vem sofrendo mudanças profundas, desde a migração de projetos 2D, em AutoCad, para softwares inteligentes mais complexos, aumentando a demanda por engenheiros especializados e com um perfil mais técnico.

Química e Derivados - Dia do Engenheiro Químico ©QD Foto: iStockPhoto
Renata de Oliveira, engenheira química e coordenadora técnica da área de processos da Promon Engenharia

“Essa processo tende a aumentar”, comentou.

Requisitos essenciais – Michele Oliveira, gerente de qualidade da Basf na América do Sul, acredita que alguns requisitos essenciais de um engenheiro químico não mudaram com o tempo, a exemplo de boa formação acadêmica, da realização de atividade extracurriculares que complementem essa formação, e de alguns soft skills fundamentais, como um bom raciocínio analítico e capacidade de atuar bem em equipe.

Além disso, ela acredita que o profissional qualificado deve estar apto a acompanhar as transformações digitais do mercado, a exemplo do uso de programas para simular processos e até mesmo monitoramento remoto de grandes maquinários.

Química e Derivados - Dia do Engenheiro Químico ©QD Foto: iStockPhoto
Michele Oliveira, gerente de qualidade da Basf na América do Sul

“A digitalização precisa estar no horizonte do profissional que quer ser bem sucedido”, ressaltou Michele.

A passagem do mundo acadêmico para o mundo profissional não é suave e tem seus desafios, como adaptação ao mercado e resolução de problemas não ensinados em sala de aula.

Para os engenheiros químicos, a transição depende muito do apoio da instituição de ensino no sentido de incentivar estágios na área, para tomar contato desde cedo com os problemas e desafios da profissão.

As parcerias entre empresas e universidades são essenciais para atrair os alunos para a atividade e também formar bons profissionais.

Nos dias de hoje, a digitalização avança como um dos principais aspectos necessários para a formação de um bom profissional.

A indústria 4.0 tornou os processos mais complexos e mais rápidos de serem simulados em computadores. Michele acredita que a capacitação em digitalização pode ser o caminho para formação dos engenheiros químicos no futuro.

Entrando no mercado – As empresas do setor conduzem a entrada de recém-formados no mercado de trabalho para mediante programas de adaptação e tutoria.

A Promon e a Basf, por exemplo, mantêm programas de captação de estagiários que são monitorados e formados para serem profissionais qualificados no futuro, com todas as qualidades desejadas pelas empresas. Segundo Michele Oliveira, o foco das faculdades é direcionado para ajudar o aluno a definir que tipo de engenheiro químico ele quer se tornar. As empresas são um meio para isso.

Na Promon, os estagiários passam por vários setores nos quais são monitorados por uma espécie de tutor, um profissional experiente que é designado para acompanhar a evolução dos ingressantes e do processo do estágio.

Segundo Renata, a pandemia prejudicou um pouco esse acompanhamento presencial, mas a adaptação de todos ao sistema de trabalho não prejudicou a formação de novos profissionais.

Pode ser difícil entrar no mundo da Engenharia Química, como em qualquer outro mercado de trabalho.

Mas as indústrias químicas fazem o possível para que novos engenheiros se acostumem e se adaptem à rotina e ao mercado da forma mais suave possível, formando novas gerações de engenheiros químicos com as características tradicionais da profissão, somadas às novas habilidades necessárias para o sucesso profissional.

(Sobre o futuro da atividade, recomendamos a leitura do artigo “Para onde vai a Engenharia Química?”, na edição QD-626, escrito por André Bernardo, professor da UFSCar e diretor da Abeq, em: https://quimica.com.br/revistas/qd626/index.html#p=44)

Texto: Vitor Queiroz

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