Domissanitários (sabões, detergentes e limpeza)

Detergente em Pó – Produto com maior poder de lavagem e menor consumo de água é o desafio do mercado

Gerson Trajano
15 de dezembro de 2011
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    Assim, nos primeiros seis meses, o máximo de STPP na formulação seria de 22,7% e a média ponderada máxima por GFI seria de 15,5%. Ao final dos três anos, essas medidas seriam 19,6% e 12,5% respectivamente. Anualmente, todos os fabricantes/importadores deveriam informar ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) o teor de fósforo nas formulações e o volume de comercializado no período.

    O tripolifosfato é obtido do ácido fosfórico previamente purificado (redução de flúor, ácido sulfúrico livre, sílica,matéria orgânica) e soda cáustica. A neutralização do ácido fosfórico é feita em duas etapas, com a eliminação dos fosfatos metálicos, principalmente de ferro e de alumínio. A solução composta por uma mistura de ortofosfato monosódico e disódico é concentrada e conduzida a uma torre de secagem (spray dryer), na qual se obtêm as misturas de fosfatos com 0,5% de umidade. A seguir, ele é calcinado sob condições controladas de modo que se obtenha o STPP com relação Na/P de 1,66. O fosfato é resfriado, moído e conduzido ao silo de armazenamento.

    GMSM-Flatway, Michael Mathieson, STPP

    Mathieson: STPP foi abandonado na Europa e aqui também será

    O STPP possui dois concorrentes que podem substituí-lo na formulação do detergente em pó. O NTA (ácido nitrilo-triacético) e as zeólitas. Ambos são comercializados no Japão, em algumas regiões dos Estados Unidos e da Europa, que passaram a utilizá-los após as medidas de banimento ou limitação do STPP em todo o mundo. As zeólitas vêm ganhando espaço no mercado brasileiro.

    Zeólitas como builders– Graças à sua seletividade e cinética na remoção do cálcio, as zeólitas são utilizadas com um builder. “Além da sua capacidade de troca iônica, elas atuam como antiumectantes e fluidificantes do pó, melhorando a estabilidade dos detergentes com agentes branqueadores, como o percarbonato e o perborato”, diz Sérgio Roberto Fernandes, gerente técnico e comercial da Diatom Brasil, fabricante de zeólitas 4A.

    Existem dois tipos de zeólitas usadas pelo setor de limpeza doméstica. Uma sintética, 4A, e outra de origem mineral natural, conhecida como clinoptilolita. As duas possuem uma estrutura em redes cristalinas tridimensionais. Em virtude de sua estrutura molecular uniforme, os canais internos são ocupados por cátions intercambiáveis e água, possibilitando uma capacidade de absorção e adsorção.

    A zeólita sintética é utilizada na Europa e nos Estados Unidos há mais de uma década como substituta do STPP. A espécie clinoptilolita foi desenvolvida pela Celta Brasil. O projeto foi apresentado recentemente no Comitê Internacional de Zeólitas Naturais (INZA). Alguns países da América Central estão em etapa de aprovação da substância.

    “A zeólita natural é tão eficaz quanto a sintética e substitui totalmente o STPP, tanto como estruturante do pó, como complexante”, diz Itziar Sevilla, supervisora técnica do laboratório da Celta Brasil.

    A zeólita natural é extraída de rochas sedimentares de origem vulcânica. Ela precisa ter algumas características que permitam a aplicação no detergente em pó. Estas propriedades foram encontradas no mineral proveniente de Cuba. Por este motivo, somente o produto de origem cubana vem sendo aplicado na indústria de detergentes.

    Itziar Sevilla, Celta Brasil, Zeólita natural

    Itziar: zeólita natural é tão eficaz como a sintética

    De acordo com o gerente da Diatom, o Brasil consome por ano 45 mil toneladas de zeólitas 4A na produção de detergente em pó. Já a do tipo clinoptilolita deve atingir 700 toneladas. “É um volume muito baixo para o potencial do mercado. Mas estimamos que ele dobre em 2012, fruto de novo posicionamento do setor de limpeza, que está se convencendo de que a zeólita natural é técnica e economicamente viável na substituição do tripolifosfato”, afirma Itziar.




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    1. Agora que estava ficando bom o assunto o texto acaba. Por gentileza, continuem essa reportagem, para sabermos mais sobre a utilização de enzimas e alvejantes. Afinal a propaganda que passa na TV do “rosa” manda colocar junto com o detergente em pó. E se esse detergente tiver enzima, o que acontece??


      • Quimica e Derivados

        Aparentemente, não há incompatibilidade entre alvejantes por oxidação (o rosa) e detergentes com enzimas. A composição do “rosa” inclui proteases, por exemplo. Veja a composição completa na ficha de segurança dos produtos, que está disponível no site do fabricante do “rosa”: http://www.rb.com/br/SegurancadeProduto-FISPQ. Eles são incompatíveis com alvejantes clorados – há um aviso bem grande quanto a isso nas embalagens.

        Atenciosamente,

        a redação de QD.



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