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Detergente em Pó – Produto com maior poder de lavagem e menor consumo de água é o desafio do mercado

Gerson Trajano
15 de dezembro de 2011
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    Para João Fabrin, da Ypê, o correto é criar o conceito de espuma controlada e não de redutores, mediante o qual a solução formaria espuma no início da lavagem, mas se desmancharia ao final do ciclo, facilitando o enxágue.

    Dias contados – O STPP, tripolifosfato de sódio, é a segunda matéria-prima mais importante nas formulações de detergentes em pó. Atrás apenas do LAS, ele ajuda na emulsão e dispersão da sujeira, torna o tecido mais úmido e controla a alcalinidade das águas.

    Contudo, a substância vem perdendo sua titularidade e pode ir definitivamente para o banco de reservas. O Brasil foi um produtor e exportador do material. Hoje, ele é totalmente importado. Dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e da Abipla confirmam que, em 2009, a importação foi de 75 mil toneladas, em 2010, 35 mil toneladas. De janeiro a outubro deste ano a importação foi de apenas 13 mil toneladas.

    Em 1976, a Copebrás começou a produzir STPP no Brasil. Na época a produção chegava a 40 mil t/ano. A produção cresceu de forma gradual, levando a empresa a contar com uma capacidade de fabricação de 130 mil t/ano.

    Em 2004, o volume comercializado foi de 115 mil toneladas, das quais 85 mil toneladas foram destinadas ao mercado interno. Desse montante, 95% foi consumido pela indústria de detergente. Em 2007, o consumo brasileiro recuou para 81 mil toneladas e no ano seguinte a Coperbrás decidiu encerrar a produção, por obter melhores resultados com a venda de fosfato bicálcico para a alimentação animal e do próprio ácido fosfórico.

    Atualmente, a GMSM-Flatway é a principal importadora de STPP para o Brasil. Michael Mathieson, diretor-geral, diz que mais da metade da matéria-prima que o país recebe é destinada às indústrias de cerâmica e às de papel e celulose, para o tratamento de metais e água.

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    Mathieson prefere não fazer nenhum prognóstico, mas os números levam a crer numa substituição natural do STPP dos detergentes em pó nos próximos anos. “Isso ocorreu na Europa e tudo leva a crer que isso acontecerá aqui também”, conclui o importador.

    “A diminuição do uso de fosfato realmente é uma tendência mundial. Esta diminuição, porém, gera uma perda de performance que deve ser compensada por outros aditivos”, analisa Haruki Kume, da Clariant.

    A Ypê já possui uma linha de detergentes em pó totalmente livre de fosfato. “A substituição do STPP por zeólitas não significa apenas trocar um ingrediente por outro, mas é preciso rebalancear a formulação, até mesmo com a adição de outros ingredientes. A desvantagem disso é o impacto no custo final do produto”, explica Fabrin.

    Mesmo sendo o STPP um eficiente builder, Adriana Maganhotto diz que a combinação de zeólitas, polímeros e enzimas pode substituí-lo plenamente. “O tripolifosfato tem propriedades e funções que não são facilmente substituídas, porém, com algum conhecimento adicional em formulações, pode-se atingir a mesma eficiência”, argumenta.

    Para a Abipla, é cedo para falar na substituição do STPP. “Não basta aplicar formulações usadas no exterior. É preciso respeitar as características das águas brasileiras. Além disso, a mudança do builder mexeria em todo o processo de produção”, avisa Maria Eugênia.

    A lei do tripolifosfato – Em 05 de maio de 2005, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) publicou no Diário Oficial da União uma regulamentação que estabelecia a redução gradual do fosfato nos detergentes em pó para uso domiciliar durante os próximos três anos, justificada pela sua contribuição na eutrofização das águas de rios, córregos, lagos e represas.

    O Brasil seguia o exemplo de países da Europa e da América do Norte, que haviam proibido o uso do fosfato. Mas, como as características das águas brasileiras e o modo como o brasileiro utiliza o detergente influenciavam diretamente a ação do STPP nas águas, optou-se pela redução gradual da substância.

    Dois limites foram estipulados. Um por formulação e outro pela média ponderada por grupo fabricante ou importador (GFI), que seria o somatório da multiplicação da quantidade em massa (tonelagem) de cada detergente em pó para uso no país pelo seu respectivo teor de fósforo, dividido pelo somatório das quantidades em massa (tonelagem) do produto acabado.


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    1. Agora que estava ficando bom o assunto o texto acaba. Por gentileza, continuem essa reportagem, para sabermos mais sobre a utilização de enzimas e alvejantes. Afinal a propaganda que passa na TV do “rosa” manda colocar junto com o detergente em pó. E se esse detergente tiver enzima, o que acontece??


      • Quimica e Derivados

        Aparentemente, não há incompatibilidade entre alvejantes por oxidação (o rosa) e detergentes com enzimas. A composição do “rosa” inclui proteases, por exemplo. Veja a composição completa na ficha de segurança dos produtos, que está disponível no site do fabricante do “rosa”: http://www.rb.com/br/SegurancadeProduto-FISPQ. Eles são incompatíveis com alvejantes clorados – há um aviso bem grande quanto a isso nas embalagens.

        Atenciosamente,

        a redação de QD.



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