Domissanitários (sabões, detergentes e limpeza)

Detergente em Pó – Produto com maior poder de lavagem e menor consumo de água é o desafio do mercado

Gerson Trajano
15 de dezembro de 2011
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    A hora e a vez do biodegradável – Não é de hoje que as questões do meio ambiente orientam as formulações químicas dos detergentes em pó. Lançado na década de 1960 como resposta à necessidade de usar agentes biodegradáveis e compatíveis com o meio ambiente, o LAS (alquilbenzeno linear sulfonado sódico) é o tensoativo mais utilizado pela indústria de limpeza em todo o mundo para a remoção da sujeira das roupas.

    Ele é obtido pela sulfonação do LAB (alquilbenzeno linear), reação que confere a este propriedades tensoativas, porém gera um produto corrosivo. Isso exige a neutralização com soda cáustica, potassa ou monoetanolamina, originando o sal sódico seguro e eficiente conhecido como LAS.

    A produção mundial de LAS é de aproximadamente cinco milhões de toneladas anuais. A Deten Química, com sede no complexo industrial de Camaçari-BA, abastece o mercado brasileiro e chileno, com 95% de participação. A Deten faz parte do grupo espanhol Cepsa Química, fabricante mundial de LAS com capacidade de produzir 560 mil t/ano. A companhia mantém ainda uma fábrica na Espanha (220 mil t/a) e outra no Canadá (120 mil t/a).

    Antes do LAS, o tensoativo que dominava o mercado era o ácido dodecilbenzeno sulfônico, conhecido como DDB. Ele produzia uma espuma muito persistente e não era biodegradável – as bactérias se recusavam a comer as cadeias moleculares ramificadas. A história do LAS no Brasil começa em janeiro de 1977, com a publicação do Decreto Federal nº 79.094, que proibiu a fabricação no país de detergente em pó não biodegradável.

    Segundo José Luis Gonçalves de Almeida, diretor-geral da Deten, são três os principais motivos para que o LAS seja tão usado. As rotas de fabricação são as mais eficazes e as mais econômicas, vantagens técnicas e flexibilidade na formulação e por não causar nenhum impacto ambiental significativo. “Após o seu uso inicial, ele se transforma em um composto assimilável rápida e integralmente pela natureza. O LAS não prejudica o meio ambiente”, afirma o executivo da Deten.

    Química e Derivados - José Luiz Golçalves de Almeida - Deten - LAS

    Gonçalves: LAS não prejudica o ambiente

    Ainda de acordo com Gonçalves de Almeida, o LAS tem biodegradação superior a 99%. “O processo começa nos próprios tanques e nas máquinas de lavar roupa e é concluído em esgotos, fossas sépticas, em estações de tratamento de esgoto e, até mesmo, no ambiente aquático natural. A sua biodegradação é superior à dos alcoóis etoxilados e etoxisulfatados em ambiente de esgoto sanitário”, destaca.

    Mesmo assim, o LAS é apontado como um dos responsáveis pelas espumas nos rios. “Isso não é verdade. As espumas são causadas por outras substâncias capazes de reduzir a tensão superficial da água. A forma definitiva para se evitar a espuma é o tratamento de esgoto”, explica Gonçalves de Almeida.

    Ignácio Lopez Serrano, gerente de pesquisa da Cepsa Química, diz que é por desconhecimento que a opinião pública costuma relacionar os blocos de espuma nos rios aos detergentes. “Mas isso realmente não ocorre em virtude do detergente. Desde a adoção dos tensoativos aniônicos, como o LAS, não há produção de espumas nas águas proveniente do detergente”, afirma o pesquisador.

    Contudo, o setor já estuda substituir parte dos surfactantes por enzimas. “Os surfactantes são produzidos com o petróleo, um recurso limitado. Precisamos desenvolver surfactantes e outras matérias-primas ambientalmente mais corretas”, diz Adriana Maganhotto, da Novozymes.

    Reduzir o enxágue – A necessidade atual de três a quatro enxágues está basicamente ligada à quantidade de espuma formada. O excesso de espuma prejudica o enxágue tornando difícil a sua eliminação durante a lavagem. A espuma é formada por um conjunto de bolhas, umas próximas das outras. Pelo fato de estarem grudadas umas às outras, a sua forma física não é meramente esférica, mas de um poliedro de faces planas. A junção entre as bolhas forma um capilar por onde o líquido pode escorrer até formar um sistema estável ou colapsar.

    Redutores de espuma são muito usados em países nos quais predominam as máquinas de lavar de alimentação frontal, pois esses modelos não admitem a espumação intensa sob o risco de vazar a espuma. As pesquisas de redutores de espuma já estão sendo conduzidas há algum tempo e antiespumantes com base em silicones estão sendo utilizados como redutores na hora da lavagem. No Brasil, o conceito do consumidor está mudando, mas a dona de casa ainda atribui a capacidade de limpeza à quantidade de espuma produzida pelo sabão.


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    1. Agora que estava ficando bom o assunto o texto acaba. Por gentileza, continuem essa reportagem, para sabermos mais sobre a utilização de enzimas e alvejantes. Afinal a propaganda que passa na TV do “rosa” manda colocar junto com o detergente em pó. E se esse detergente tiver enzima, o que acontece??


      • Quimica e Derivados

        Aparentemente, não há incompatibilidade entre alvejantes por oxidação (o rosa) e detergentes com enzimas. A composição do “rosa” inclui proteases, por exemplo. Veja a composição completa na ficha de segurança dos produtos, que está disponível no site do fabricante do “rosa”: http://www.rb.com/br/SegurancadeProduto-FISPQ. Eles são incompatíveis com alvejantes clorados – há um aviso bem grande quanto a isso nas embalagens.

        Atenciosamente,

        a redação de QD.



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