Destino limpo para o lixo industrial

A perda financeira aí seria a longo prazo. “Além de se desvalorizar em um processo de compra e venda, a indústria precisa entender que, com um passivo ambiental, a tendência é ela sequer conseguir crédito”, diz. “Nenhum banco vai querer emprestar para alguém com possibilidade de quebrar por causa de uma multa ambiental”. Fernandes se refere sobretudo ao rigor da Lei de Crimes Ambientais que, além de se valer de multas estratosféricas, tem a peculiaridade jurídica de, quando aplicada, não prescrever.

Para se precaver da ação dos “gerenciadores de fachada”, a dica do presidente da Abetre é desconfiar de preço muito baixo. Para isso, basta se basear na média cobrada pelos principais aterros, pelo co-processamento e pelos incineradores. Outro cuidado fundamental é recorrer a gerenciadores conhecidos e licenciados do setor.

Por fim, Fernandes recomenda não se deixar levar pelo simples fato de o ofertante possuir uma licença do órgão ambiental. “Assim como o falsário mente com relação ao destino do resíduo, uma simples falsificação documental é apenas mais um crime em sua ficha policial”, diz. Além disso, mesmo se a licença for original, nada impede a contravenção.

Forno a plasma destrói cinzas e lodos

Química e Derivados: Lixo Industrial: A chama do reator chega a 15.000°C.
A chama do reator chega a 15.000°C.

Projeto há muito tempo engavetado, o forno de reator a plasma térmico desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo finalmente saiu do papel. Voltado para a destruição total de lodos galvânicos e cinzas de incineração, o forno ficou a cargo de um grupo privado paulista, de origem chinesa, e deve entrar em operação ainda neste ano em São Paulo.

Em parceria com o Sindicato das Indústrias de Tratamento de Superfície (Sindisuper), foi constituída uma empresa, a Ecochamas, em galpão no bairro do Ipiranga. Toda a engenharia de equipamentos está concluída e para começar a funcionar basta a breve licença provisória de operação da Cetesb. De acordo com um dos sócios-diretores, Chang Horng Lin, o projeto visa atender a um mercado de 1.000 t/mês de cinzas secas de incineração e de 2.000 t a 3.000 t/mês de lodos de cerca de 600 galvanoplastias. A capacidade total do forno é para 600 t/mês.

A grande vantagem do sistema é a ausência de novos resíduos. Atingindo temperaturas de até 3.000ºC no interior do forno e de 15.000ºC no ponto de contato da chama, o resultado da queima gera apenas matrizes reaproveitáveis e inertes. Isso porque na queima todas as moléculas orgânicas são quebradas e os metais pesados absorvidos na chamada matriz férrea. “Há uma separação de fases: o metal vai para a fase férrea, na parte inferior do forno, e na superior, concentra-se a fase cerâmica”, explica outro sócio, Huang Cheng Hsiu.

Química e Derivados: Lixo Industrial: Huang (esq.) e Chang - queima gera apenas matrizes inertes.
Huang (esq.) e Chang – queima gera apenas matrizes inertes.

A fase férrea, em lingotes sobretudo de ferro mas também de outros metais, pode ser vendida a preço simbólico para metalurgia. A cerâmica (sílica, alumina e óxidos cerâmicos) pode ser reaproveitada como enchimento de pavimentação e piso industrial. Quando o resíduo é galvânico, por ser rico em cálcio, possui maior resistência mecânica. Na cinza de incineração, a fase cerâmica é rica em sílica.

Resultado de um acordo de transferência de tecnologia do IPT, uma vantagem de operação é a não geração de efluentes. Do resultado da combustão dos orgânicos, há apenas CO2, que passa por lavador de gases para remover particulados, e água, que retorna depois de purificada para a torre de resfriamento (ver esquema ao lado).

Segundo o diretor Chang Horng Lin, o retorno do investimento, cujo valor prefere não revelar, se dará em dois anos. Isso cobrando até um terço do preço de queima dos incineradores, cujo quilo do resíduo incinerado varia de R$ 1,50 a R$ 3. O baixo preço é em razão de sua eficiência energética. No forno, 90% da energia gerada pelo reator vai para a carga, enquanto no incinerador apenas 30% da energia gerada pelos queimadores é aproveitada.

Gaúchos reciclam resíduos

Química e Derivados: Lixo Industrial: A Silex processa 20 mil t-mês de rejeito industrial.
A Silex processa 20 mil t-mês de rejeito industrial.

A Sílex Processadora de Resíduos Industriais, com sede em Gravataí, região metropolitana de Porto Alegre-RS, realiza a operação integral do tratamento e reciclagem do lixo industrial há dez anos. Oferecendo a chamada tecnologia limpa, sem emissão de subprodutos na atmosfera, a empresa consegue reciclar 100% das tipologias de resíduos sólidos e 95% dos rejeitos líquidos da cadeia produtiva, junto com a Getecno, sua subsidiária, localizada em

Morro da Fumaça, Santa Catarina. Como opera em sintonia fina com os órgãos ambientais dos dois estados do Sul, indústrias a partir de Manaus, passando pelo pólo petroquímico de Camaçari, até São Paulo, estão optando em adquirir os serviços da recicladora gaúcha para o descarte e reprocessamento, na certeza de que seus resíduos não irão gerar poluição.

Segundo o diretor da Sílex, Luiz Gilberto Lauffer, as pesquisas com reciclagem foram iniciadas em 1990, quando a atividade da companhia restringia-se à produção de pigmentos para a indústria cerâmicarecorda o empresário. Atualmente, com exceção do óleo ascarel, dos produtos agrotóxicos e do lixo nuclear, a Sílex reprocessa resíduos provenientes das mais diversas fontes geradoras. Recicla carvão ativado, protetores ultravioletas, esmaltes, coagulantes, fibras têxteis. Reaproveita materiais como lâmpadas fluorescentes, de mercúrio, lã de vidro, cerâmica, placas de fax, sucata de microcomputadores, aparelhos de TV, máscaras, luvas, juntas, pneus, isoladores térmicos, borrachas, plásticos e resinas catalisadas.

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