Química

Desodorização: Guerra ao mau cheiro estréia novas armas

Marcio Azevedo
2 de abril de 2004
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    O óleo de mamona produzido no Brasil é craqueado na França. A Atofina produz uma poliamida de sete carbonos a partir do insumo, processo em que grande quantidade de ácido decilênico (usado na indústria de cosméticos como bactericida) também é produzida. Quando um de seus cientistas tentava esterificar o ácido, acidentalmente descobriu a propriedade de eliminação dos odores. A Adhetech importa o 1-decilenato de metila da França, na forma de uma emulsão aquosa.

    Química e Derivados: Desodorização: desodor_grafico_01. ©QDOs principais clientes da empresa são as usinas de compostagem de lixo (sob a perspectiva do transporte dos compostos, não exatamente nos aterros sanitários) e empresas de tratamento de água e esgoto. Fábricas de borracha, frigoríficos e curtumes também têm participação relevante. A maior parte dos clientes é industrial, mas, conforme disse Scavariello, os altos custos dos desenvolvimentos industriais e a difícil comercialização dos produtos impeliram a empresa ao lançamento de duas marcas de varejo que dão sustentação financeira à Adhetech.

    O produto é aplicado com bicos atomizadores da Spray Systems, ou então com misturadores estáticos ligados diretamente nas tubulações – nesse caso, a dosagem é feita por um Venturi. Para dimensionar seus tratamentos, a empresa coleta amostras do ar com odores e as compara com padrões de ar sintético, por meio de cromatogramas. No cromatograma da amostra é importante detectar quais são os picos, sem maiores preocupações em se determinar, nessa fase, quais são os contaminantes. Depois disso, testes com amostras de ar com concentrações crescentes do eliminador de odor são também levadas ao cromatógrafo, e o exame das alterações nos picos determinam se o produto é efetivo (se os picos diminuem) ou não (se não há alteração). Em seguida, é necessário determinar a taxa de adsorção no 1-decilenato de metila e o tempo requerido de ação, o que envolve intrincados cálculos matemáticos e conhecimentos de mecânica quântica, passando até pela equação de Schrödinger. Após todos esses passos, é possível determinar-se a dosagem de produto requerida.

    Volatilidade – A determinação do tamanho do mercado brasileiro de controle de odores é igualmente complicada, pois, de acordo com a maior parte dos produtores, é um segmento volátil, cujos clientes com margem apertadas podem declinar do uso da tecnologia a cada dificuldade econômica. Mas Scavariello estima o mercado com base no panorama francês: no país europeu, com um parque industrial menor que o brasileiro e população idem, o mercado de produtos químicos, filtros e equipamentos de queima para controle de odores é estimado em US$ 1,2 bilhão ao ano. O brasileiro teria potencial para os mesmo valores, mas Scavariello faz a estimativa conservadora ao redor US$ 100 milhões.

    Mesmo que o alvo não seja tão promissor, o espectro de possibilidades para os produtores de desodorizadores é muito grande. A churrascaria El Tranvia, de São Paulo, conseguiu diminuir em 90% os odores produzidos pelas churrasqueiras de forno à lenha, à moda uruguaia, para a produção de grelhados. Situada em uma área residencial, a churrascaria causava incômodo aos vizinhos. As reclamações se sucediam e os lavadores de água e filtros de carbono ativado não solucionavam o problema. Mas, com a tecnologia de encapsulamento da Continuum a situação pôde ser contornada.

    A FBmix, de Rio Claro-SP, produtora de compostos de moldagem à base de resina poliéster insaturada, cargas minerais e fibra de vidro, também é cliente da Continuum, e enfrentava problemas de odor causados pelo monômero de estireno, utilizado na polimerização dos poliésteres. Adotou a solução para controlar os odores tanto na área interna da fábrica quanto em seus arredores.

    Problemas com vizinhos também foram o motivo que levaram a Rei do Mate, fabricante de chás de São Paulo, a procurar os produtos da Glotec e uma solução para as contestações. O lavador de gases, novamente, não eliminava os odores a contento, e em períodos de clima frio as reclamações se intensificavam, mas segundo a empresa, a questão foi solucionada.

    A petroquímica também enfrenta problemas relacionados aos odores. A UNsix, unidade de exploração de xisto do sudeste de Curitiba, enfrentava dificuldades com diversos produtos da pirólise de xisto, entre eles mercaptanas, fenóis e gás sulfídrico. Segundo Beatrix Martignoni, engenheira de processos de petróleo, o principal problema era o desconforto de operadores e motoristas na estação de carregamento de nafta e óleo. A empresa já havia testado um produto adicionado à nafta, mas o custo do processo inviabilizava a aplicação e há cerca de um mês a empresa optou pela tecnologia Nalco.

    De acordo com a engenheira, a solução agradou até os motoristas, cujas roupas ficavam impregnadas com os odores e necessitavam ser trocadas, para não impregnarem também os caminhões. Outra prova da eficiência da solução veio da comunidade vizinha à fábrica: a UNsix oferece um canal de comunicação denominado “telefone verde” reservado a reclamações, mas a campainha não foi ouvida desde a adoção dos produtos da Nalco. Mesmo assim, a empresa pretende realizar testes científicos para avaliar a eficácia do produto e sua concentração adequada de aplicação.



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