Química

Desodorização: Guerra ao mau cheiro estréia novas armas

Marcio Azevedo
2 de abril de 2004
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    Química e Derivados: Desodorização: Para Bortali, motivação ainda vem da imposição das leis. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Para Bortali, motivação ainda vem da imposição das leis.

    A aplicação dos produtos líquidos é a convencional, com uma rede de bicos atomizadores operando entre 800 e 900 libras de pressão. Segundo Dantas, o produto da Nalco pode operar em diluições de até 1:250, uma vantagem que interessa a muitos clientes.

    Toda a linha de produtos líquidos é produzida no Brasil, ao contrário dos produtos sólidos, que ainda são importados. Mas mesmo os produtos manufaturados em Suzano possuem componentes importados, embora a empresa esteja desenvolvendo fornecedores nacionais e já produza uma linha líquida 100% nacionalizada.

    O grande número de aplicações possíveis em controle de odores torna a atividade bastante experimental e empírica. Como alguns produtos também são novos, mesmo os fabricantes ainda precisam experimentar muito para conhecer o real potencial de suas tecnologias. No caso da Nalco, a empresa investe pesadamente no setor, no Brasil, há cerca de um ano. “Fazemos muita experiência, há muito a desenvolver e o produto ainda é muito novo no mercado”, diz Dantas.

    Sem um equipamento de aplicação automatizada de seus produtos, a Nalco demorou para emplacar nas aplicações outdoor. Mas o crescimento de suas vendas se acentuou muito com a parceria com a Primetec, o que permitiu expandir sua atuação para além das aplicações indoor, em que os hotéis são os principais clientes da empresa.

    A empresa ainda tem uma linha muito recente de produtos sólidos composta por enzimas e bactérias, que diminuem a contagem biológica em efluentes. Além do produto sólido, granulado, está em desenvolvimento também uma versão líquida do produto.

    Encapsulamento – A Continuum Chemical, com fábrica em Vargem Grande Paulista, também opera com controle de odores, mas com uma tecnologia diferente das demais concorrentes. Conforme explicou Maurizio Bortali, da área de marketing e vendas, o produto da Continuum se baseia no encapsulamento das moléculas odoríferas, que ocorre por atração física e não química. É como se uma capa se formasse ao redor da molécula, e só algumas bactérias e temperaturas superiores a 170 ºC podem destruí-la.

    Como o material é orgânico, ocorre a decomposição pelo meio ambiente, e nesse processo as moléculas encapsuladas também são consumidas. “O produto tem a vantagem de não ter cheiro nenhum, e permite diluições a partir de 1:100”, lembra Bortali.

    A característica peculiar dos produtos Continuum também influencia o modo como a empresa dimensiona seus tratamentos. Bortali afirma que só pelo conhecimento da fonte de odor (após coleta de amostra e análise em laboratório próprio) a empresa é capaz de estimar, com baixo desvio, a quantidade de produto necessário para a eliminação do odor. Apenas na fase de ajuste fino do processo são necessários testes em campo.

    Química e Derivados: Desodorização: Falta conscientização, na opinião de Scavariello. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Falta conscientização, na opinião de Scavariello.

    Como as concorrentes, a Continuum possui produtos 100% nacionalizados, mas há linhas em que é necessário importar insumos. “Nesses casos não é possível desenvolver fornecedores nacionais, pois os volumes seriam muito pequenos”, afirma Bortali. A empresa possui sete produtos básicos que combina para atender às demandas dos clientes. O foco é o segmento de tratamento de esgoto, em que a Continuum, atesta Bortali, é muito competitiva.

    A aplicação dos produtos também é feita por pulverização, mesmo em esgotos, pois a aplicação direta em meio líquido requer quantidades de produto muito maiores para compensar o contato mais intenso que ocorre no ar. “Além disso, em meio aéreo é possível criar enclausuramentos, reduzir pontos de fuga e concentrar o tratamento nesses pontos. O controle é melhor”, diz Bortali.

    A Continuum também possui um parceiro para o fornecimento dos equipamentos de aplicação, a Stormist, responsável pelo provimento das bombas de alta pressão, as bombas dosadoras, as linhas de tubos e os bicos atomizadores. Mas a Continuum não enfrentou grande dificuldade com os bicos. Bortali entende que, por operar em concentrações baixas, o produto da empresa provoca menos incrustrações, e o problema de entupimento dos dispositivos é reduzido.

    Apesar de algumas iniciativas autóctones, o fator de motivação para o controle de odores, segundo Bortali, ainda é a imposição de leis. Mesmo setores industriais com graves problemas de odores, como os curtumes, ainda são reticentes quanto à adoção de soluções. No caso dos curtumes, a questão é cultural, agravada pelas margens extremamente apertadas impostas a essa indústria. “Esse segmento de controle de odores ainda está em maturação”, crê Bortali.

    A baixa conscientização do empresariado nacional também é uma dificuldade, na opinião de Eduardo Scavariello, diretor técnico da Adhetech Química, instalada em Sumaré-SP. A empresa possui contrato de formulação e distribuição do produto desenvolvido pela Atofina nas Américas. A tecnologia, descoberta por acaso pela então Elf Atochem na Universidade de Israel, baseia-se em um isômero do 1-decilenato de metila, um éster obtido a partir do óleo de mamona (a Atofina é a maior cultivadora de mamona no Brasil, segundo Scavariello).

    O racêmico desse éster possui uma estrutura em formato de espiral que atrai as partículas gasosas provocadoras dos maus os odores. Essas estruturas em espiral formam uma espécie de rede superficial que adsorve as moléculas odoríferas, tratando-se, portanto, de um fenômeno de superfície. O produto é atóxico e biodegradável, e pode ser pulverizado, ou ainda adicionado ao efluente ou ao insumo causador de odor.



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