Química

Desodorização: Guerra ao mau cheiro estréia novas armas

Marcio Azevedo
2 de abril de 2004
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    Química e Derivados: Desodorização: Oliveira - sem pressão é difícil solução. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Oliveira – sem pressão é difícil solução.

    O odor de efluentes também pode ser controlado com a linha de inibidores, que modificam rotas metabólicas da redução de sulfatos por SRBs (bactérias redutoras de sulfato) e impedem a reação anaeróbia que produz o gás sulfídrico. Exclusiva para o uso em efluentes, essa gama de produtos é composta por misturas de enzimas e uma fonte de nitrogênio, nutriente preferencial das bactérias dos efluentes em relação ao enxofre dos sulfatos.

    No caso dos neutralizantes, cuja aplicação é sempre por aspersão, a supressão dos odores é decorrência da associação de moléculas dos óleos essenciais que compõem o produto com as moléculas causadoras do odor. O produto dessa associação é um ente químico não detectado pelo nariz humano. Por esse motivo, ressalta Uebel, a GE Betz só sugere o uso dos neutralizantes em locais de baixa ou nula concentração de gás sulfídrico, venenoso acima de certas concentrações. “Só utilizamos o neutralizante em presença de gás sulfídrico quando há monitoramento da concentração do gás no ambiente”, avisa o gerente. A combinação das linhas de produtos, em alguns casos, também é viável: neutralizadores podem complementar a ação dos inibidores.

    O setor alimentício – e seus efluentes com alta DBO (demanda biológica de oxigênio) – também é um dos grandes clientes da empresa, ao lado de curtumes, indústrias têxteis, fábricas de celulose e de cosméticos. O setor de papel e celulose brasileiro, aliás, é uma das fortes apostas da empresa. Nos EUA, o maior mercado da GE Betz é o de esgoto doméstico, mas no Brasil, por todos os problemas que travam a universalização do saneamento básico (escassez de recursos públicos, indefinição de marco regulatório claro e rusgas ideológicas que afastam o capital privado), a situação não se repete.

    Química e Derivados: Desodorização: Uebel - novidade da Betz usa ar quente. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Uebel – novidade da Betz usa ar quente.

    Vaporização – Além da aplicação direta nos efluentes e linhas de processamento e da aspersão, a GE Betz tem uma novidade, de acordo com Uebel, que é a aplicação de neutralizantes com ar quente. O produto, isento de água, é vaporizado antes de chegar ao meio ambiente, e evita a sensação de molhado e problemas de corrosão de equipamentos causados pelo líquido aspergido. “Nós não recomendamos a utilização do produto em solução, pulverizado, em áreas fechadas”, alerta Uebel. Além dessas opções, os neutralizantes podem ser atomizados em alta pressão (a modalidade mais econômica), ou aplicados com sprays e o auxílio de ar comprimido (mais cara, mas que permite melhor dispersão do produto no ar).

    O equipamento para aplicação com ar quente é importado, assim como os produtos de todas as linhas. Esse fato, entretanto, aparentemente não representa empecilho para o desenvolvimento do mercado.

    Para Uebel, a crescente instalação de empresas cada vez mais próximas de bairros comerciais favorece o segmento de controle de odores, pois “depois que o problema de odor é detectado, a venda é muito fácil. O ciclo de venda é muito curto nos clientes interessados em resolver o problema”, pondera.

    Um do segmentos que pode render bons clientes para os militantes do controle de odores é o de hotéis, pelo menos para a Nalco. “Transformamos um quarto de fumante em um de não fumante em apenas vinte minutos”, garante Eduardo Dantas, gerente técnico de serviços de higiene ambiental. A empresa já produz alguns de seus produtos em Suzano-SP, e atua em três diferentes frentes: indoor (ambientes internos), outdoor (exteriores) e odores biológicos (caixas de gordura, estações de tratamento de efluentes e outros) com linhas de neutralizadores líquidos, sólidos, enzimas e bactérias.

    Química e Derivados: Desodorização: Ainda há muito a experimentar, diz Dantas. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Ainda há muito a experimentar, diz Dantas.

    Todas as linhas, entretanto, empregam o mesmo princípio ativo, mantido em segredo pelo fabricante. Dantas limita-se a informar que o produto da Nalco agrega à molécula causadora de odor uma enzima que muda sua configuração molecular e impede a detecção pelo sistema olfativo humano. “E isso é neutralizar, não mascarar”, destaca Dantas, dizendo que no mercado brasileiro há muitos produtos mascarantes de odores. Uma das características do produto da Nalco é a possibilidade de aplicação adicionando diretamente o neutralizador ao material odorífero. Testes foram feitos aditivando massa de borracha diretamente no misturador bâmburi – os resultados, segundo Dantas, são excelentes.

    Para as aplicações indoor, a Nalco oferece pastilhas, discos de celulose impregnados com o princípio ativo e envoltos por um plástico poroso, responsável pela liberação lenta do produto. A empresa está desenvolvendo, no País, um equipamento, algo como um ventilador, equipado com uma dessas pastilhas. Uma aplicação possível seria o uso em sanitários: conectado à rede elétrica, o aparelho seria acionado em paralelo com a fonte de luz.

    Para a aplicação em ambientes exteriores, a Nalco não foge do convencional. São utilizados sistemas de distribuição dotados de bicos atomizadores. E os bicos, como no caso da Glotec, são um episódio à parte: a empresa precisou de cerca de três anos para desenvolver um parceiro apto ao fornecimento do equipamento de aplicação do produto líquido capaz de produzir gotas com diâmetro menor que 20 µ.

    O tamanho microscópico é essencial para que o neutralizador permaneça em contato com as moléculas odoríferas por tempo suficiente, evitando a precipitação rápida. A parceira, a Primetec, desenvolveu bicos que operam na faixa de 10 µ a 20 µ, cuja vantagem é oferecer gotas com o tamanho necessário sem o auxílio de ar comprimido. As bombas utilizadas também eram um ponto nevrálgico, mas a solução da Primetec foi tão eficiente que a empresa deve exportá-la até para a Nalco americana, a despeito de todos os recursos tecnológicos à disposição da matriz.



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