Desodorantes – Inovações garantem controle do odor

Controle com alta segurança para a saúde dos comsumidores

A indústria de ativos com poder desodorante tem se esforçado para abastecer o setor com ingredientes seguros.

Essa postura corrobora a ideia de que o mercado se mostra mais aberto à substituição de insumos controversos, como o triclosan e os químicos derivados do alumínio, apesar de sua tradição e ampla utilização nas formulações.

Por isso, alternativas com perfis mais naturais tendem a estar no foco dos novos desenvolvimentos.

Discussões sobre ingredientes controversos se intensificaram, tanto do ponto de vista dos produtos com restrições reais de uso, quanto daqueles considerados suspeitos.

Isso se reflete na procura do consumidor por itens que não sejam nocivos e no empenho maior dos fabricantes para desenvolver inovações e fórmulas mais seguras.

Desodorantes - Inovações garantem controle do odor ©QD Foto: iStockPhoto
Daniel Coelho, coordenador de marketing da Evonik

“Vemos a evolução de tecnologias conhecidas e bem estudadas proporcionarem ativos novos e, cada vez mais, adequados a essa aplicação, como os ésteres de poliglicerila de origens alternativas”, afirma Daniel Coelho, coordenador de marketing da Evonik, em Care Solutions para a América Central e do Sul.

A sociedade ligou o sinal amarelo para os produtos à base de alumínio.

Os questionamentos são em relação aos danos causados na saúde, devido ao uso prolongado dessas substâncias.

Por isso, algumas empresas se movimentaram para oferecer alternativas de ativos que atendam à crescente preocupação dos consumidores, buscando usar ingredientes mais seguros e naturais em seus produtos.

Coelho explica que embora haja poucas evidências de que os derivados de alumínio causem impactos na saúde, existem alguns estudos que tentam encontrar a correlação com alterações hormonais e doenças, como câncer de mama e mal de Alzheimer.

Quanto ao triclosan, Coelho comenta que diversos estudos questionam sua segurança e sinalizam preocupações sobre a alteração na regulação hormonal em animais, podendo contribuir com o aparecimento de câncer de mama ou até afetar o sistema nervoso, além de ser tóxico para a vida aquática.

Giovanni Caritá Junior, Head of Operations/Technical Marketing da Ipel, empresa do Grupo Lanxess, endossa que no caso do triclosan, globalmente, houve uma revisão do risco toxicológico, com novas regras que limitam o seu emprego em produtos de uso massivo.

Aliás, a sua utilização está proibida nos Estados Unidos por imposição da Food and Drug Administration (FDA), desde 2016, em algumas aplicações.

No Brasil, a Resolução de Diretoria Colegiada – RDC 528 ainda permite a utilização até 0,3% de triclosan, excluindo o uso em sistemas pulverizáveis.

Segundo Junior, este ingrediente é usado em cremes dentais, sabonetes e outras aplicações que demandam ação antimicrobiana.

De qualquer forma, os ativos derivados do alumínio e do triclosan são largamente empregados em formulações de antitranspirantes e desodorantes, pois são considerados de alta eficácia e podem ser utilizados em fórmulas no Brasil, desde que estejam dentro das concentrações permitidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Panorama – Nota-se ainda o aquecimento da demanda por ativos multifuncionais.

São opções que oferecem ação desodorante, mas também benefícios adicionais para os formuladores e para os consumidores, como a estabilização das formulações ou a hidratação para a pele.

Segundo Coelho, este tipo de insumo pode substituir ou permitir a diminuição da dosagem de outros ativos.

“Os ingredientes multifuncionais podem ser uma maneira interessante de contribuir para otimizar custos de formulações e diminuir a dependência de múltiplas matérias-primas”, diz.

Sobre o desempenho do mercado em tempos pandêmicos, um ponto crucial se refere ao abastecimento das matérias-primas.

Junior aponta que os últimos 18 meses, em particular, foram desafiadores, por conta das dificuldades logísticas e da escassez de alguns insumos para todos no setor industrial.

Ele explica que a Lanxess operou com estoques de segurança e teve alguns atrasos. Mas ainda assim garante que os impactos foram mínimos aos clientes.

Coelho concorda que desde o início da pandemia todo o mercado tem enfrentado grandes desafios em relação ao abastecimento de matérias-primas.

Desodorantes - Inovações garantem controle do odor ©QD Foto: iStockPhoto

“Há uma pressão muito grande por aumentos de preço, seja devido à elevação de custos logísticos, energia, matérias-primas ou uma combinação dos fatores”, diz.

Segundo ele, apesar do impacto provocado pela Covid-19, o mercado de desodorantes deve voltar a crescer nos próximos anos, com a diminuição das restrições de mobilidade e o retorno gradual das atividades fora de casa.

Considerando as projeções dos especialistas, 2022, no entanto, tende a se manter adverso.

Desodorantes - Inovações garantem controle do odor ©QD Foto: iStockPhoto
Giovanni Caritá Junior, Head of Operations/Technical Marketing da Ipel

“O panorama ainda mostra dificuldades para este ano e estamos atentos aos possíveis impactos que a invasão da Ucrânia pode trazer para as cadeias de suprimentos no mundo”, afirma Junior.

De qualquer maneira, o segmento de higiene pessoal, segundo ele, vem crescendo ao longo dos anos, mesmo em períodos de crise econômica.

Uma característica positiva é que o mercado nacional tem uma grande fatia orientada para custo-benefício, mas também nichos com maior foco em produtos mais sustentáveis e amigáveis à pele e ao meio ambiente, com espaço para inovação.

Até por isso, Coelho comenta que muitas empresas cosméticas estão investindo em alternativas naturais, buscando ingredientes mais suaves e seguros, de fontes renováveis e prontamente biodegradáveis.

Alguns exemplos são produtos contendo antimicrobianos naturais ou óleos essenciais.

Produtos – E por falar em novos desenvolvimentos, um lançamento da Evonik é o dermosoft G 3 CY MB.

Trata-se de um ingrediente antimicrobiano “inteligente”, com aumento da atividade sob demanda e especialmente indicado para aplicação em desodorantes.

A fabricante assegura que ele é capaz de reduzir as principais bactérias causadoras de mau odor na pele, mesmo em baixas concentrações de uso, mostrando maior eficácia quando comparado com o triclosan.

Além disso, o produto apresenta suavidade para a pele, é compatível com mucosas e também funciona como um co-emulsionante, impactando positivamente na estabilidade de emulsões óleo em água (O/A).

De origem 100% natural, o ingrediente possui Certificação Cosmos e pode ser aplicado em diferentes tipos de formulações desodorantes, como cremes, géis e sprays aquosos.

O agente desodorante de origem vegetal Tego Cosmo P 813 é outro substituto do triclosan oferecido pela Evonik.

“Nos testes in vitro e in vivo, ele demonstra uma excelente eficácia na redução da atividade da lipase e maior eficácia em longo prazo comparado com o triclosan”, afirma Coelho.

O insumo é um antimicrobiano com ação desodorante e umectante, composto por uma molécula à base de poliglicerila, que é bem suave para a pele.

O seu mecanismo de ação desodorante e inibição do mau odor se dá por liberação do ácido caprílico.

Também como opção, a Evonik conta com o dermosoft decalact deo MB, que tem ação física na membrana dos micro-organismos, resultando na diminuição destes.

“Em sua composição, além da molécula ativa principal, ele também conta com o citrato de trietil, que facilita o manuseio do produto e atua bloqueando a enzima responsável pela degradação do suor; e com o óleo de sálvia para reforço da atividade antimicrobiana e ação anti-inflamatória”, explica Coelho, ressaltando ainda que nos testes in vitro o produto mostra excelente atividade e redução da bactéria Corynebacterium xerosis tão bem quanto o triclosan e a etil-hexilglicerina.

O portfólio da Lanxess conta com ativos antimicrobianos que podem ser usados na área de higiene pessoal como o Preventol SB e Conserve LT à base triclorocarbanilida e o Conserve CLH à base de clorexidina.

Esses ativos podem ser utilizados em sabões e sabonetes com ação antimicrobiana e em formulações de desodorantes.

“Contribuem para o controle de odor na medida em que impedem o desenvolvimento de bactérias que metabolizam o suor causando o mau cheiro”, explica Junior. Além desses produtos, a companhia tem uma linha de aditivos como o Conserve HF, que possui etil-hexilglicerina. “Como alternativa ao triclosan, podemos indicar o Preventol SB, Conserve LT, Conserve CLH e o Ipel AgNano 6011, à base de derivado de prata”, reforça.

Na Lanxess, o foco é o controle microbiológico.

A companhia não é especialista em formulações de desodorantes, mas em muitos casos esses produtos também possuem antitranspirantes à base de cloridrato de alumino e já são livres de álcool, demandando o uso de preservantes mais eficientes.

Ele pontua que além do preservante, o uso de ativos desodorizantes como a etil-hexilglicerina ou ativos antimicrobianos como a prata aumentam a eficiência do desodorante.

A Sarfam é pioneira na distribuição de ativos antitranspirantes e possui uma ampla variedade de itens.

Segundo a gerente técnica Ana Carolina Albertini, o portfólio contém desde os tradicionais produtos normalmente utilizados no mercado de personal care até as moléculas mais modernas e eficientes.

A companhia tem a representação exclusiva para a linha de antitranspirantes de uma das maiores empresas de especialidades químicas e cuidados pessoais do Reino Unido, a Elementis.

No portfólio da Sarfam, encontram-se o Citrofol AI, ativo com ação de desodorante enzimático, e o Tersil Z, desodorante de origem mineral com capacidade de absorver o suor quando liberado, reduzindo a transformação em molécula de mau odor.

Entre os seus ativos antitranspirantes, a Sarfam conta com o Chlorydrol 50, cujo diferencial é o teor de ferro reduzido para evitar manchas nas roupas, segundo Ana.

Ainda da classe do clorohidróxido de alumínio, a companhia possui o Reach 701L.

Ana explica que esse ingrediente permite performance superior se comparado com os itens padrões dessa classe.

Para completar, há ainda o AACH 7172, matéria-prima na forma de pó, ideal para aerossol.

Na linha dos sesquiclorohidróxidos de alumínio, a companhia tem o AASCH 3143, uma novidade para sistema aerossol com proteção ativada, e o Reach 301L, que segundo Ana, é o insumo de melhor desempenho entre os derivados de hidrato de cloro-alumínio, por ser ativado com maior concentração de átomos de cloro.

Já na categoria alumínio/zircônio, ela destaca o Rezal 67 e o AZG 364.

Desodorantes - Inovações garantem controle do odor ©QD Foto: iStockPhoto
Ana Carolina Albertini gerente técnica da Sarfam

“Todos os derivados de zircônio possuem melhor performance, devido ao efetivo processo de polimerização e maior eficiência na antitranspiração, pois são moléculas de alto peso molecular”, afirma Ana.

Os ativos – Segundo ela, em relação aos aspectos regulatórios, a Anvisa faz a divisão dos produtos de acordo com o tipo de aplicação, sendo grau 1 para desodorantes e grau 2 para antitranspirantes.

Essa divisão está relacionada à análise necessária de eficácia e segurança de cada item.

Os desodorantes têm a função de mascarar ou eliminar o cheiro causado pelas bactérias.

Eles podem ter ação bactericida ou interferir na reação de degradação do suor.

“A ação desodorante pode ser dividida em basicamente quatro mecanismos: ação antimicrobiana, neutralização de odores, inibição enzimática e redução da adesão de micro-oganismos sobre a pele”, explica Ana.

Existem diversos tipos e formatos de fórmulas desodorantes no mercado: desde os sistemas mais comuns em emulsões, passando pelos sistemas aquosos ou hidroalcóolicos até fórmulas sólidas em formato stick, que estão voltando a aparecer no mercado.

“É muito importante que o formulador identifique qual o ativo mais adequado e compatível com o sistema da formulação proposta”, afirma Coelho.

Ele comenta ainda que os ativos com poder desodorante são aplicados em formulações destinadas às axilas e também estão sendo utilizados em cremes corporais, nos quais os ativos multifuncionais também são bem-vindos.

Os ativos com ação antitranspirante, como explica Coelho, são, até hoje, derivados de alumínio e agem impedindo a transpiração por meio do bloqueio das glândulas sudoríparas, promovendo menor secreção disponível para as bactérias e, consequentemente, sua redução.

Enquanto as opções livres de alumínio são ativos com ação desodorante, em que se mantém a produção do suor que é importante para a fisiologia do corpo humano para eliminar substâncias tóxicas e regular a temperatura corporal.

O ativo antimicrobiano, por sua vez, vai agir no controle e na diminuição dessas bactérias causadoras do mau odor.

“Ambas as opções vão contribuir para evitar o aparecimento do mau odor, mas a escolha do tipo de desodorante vai depender se a preocupação do consumidor é evitar ingredientes controversos ou prevenir a sudorese”, conclui.

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios