Desmineralização: Reúso de água e geração de eletricidade sustentam vendas de sistemas e de consumíveis

Química e Derivados, SDI, da Veolia, beneficia os setores químico e farmacêutico
SDI, da Veolia, beneficia os setores químico e farmacêutico

A desmineralização de água é uma atividade em crescimento no país. Mesmo com a economia mergulhada em uma das piores crises da sua história, esse setor não encolheu porque as tecnologias em oferta representam uma boa alternativa para as indústrias. E a expectativa é positiva, em um momento em que desponta uma luz, embora tênue, no final do túnel da recessão.

Química e Derivados, Cichy: clientes pedem soluções novas para consumir menos água
Cichy: clientes pedem soluções novas para consumir menos água

“Apesar do cenário econômico desfavorável, o mercado de desmineralização tem um grande potencial de desenvolvimento na indústria, em 2017”, declara Kelsey Cichy, gerente comercial da GE Water & Process Technologies. “Temos um ritmo constante de procura devido ao nosso amplo portfólio de equipamentos.”.

O executivo revela que a GE Water desenvolveu, recentemente, propostas interessantes relacionadas à economia de água de geração de eletricidade. “Estamos com um valor de capex (capital expenditure, ou investimento em bens de capital) bastante competitivo, se comparado às tecnologias convencionais para produção de água desmineralizada. Dessa maneira, nossos clientes ganham em opex (operational expenditure, ou despesas operacionais), uma economia sempre importante no momento de avaliar por qual tecnologia optar”.

Cynthia Rubio, supervisora de vendas da Veolia Waters Technologies, relata que a empresa teve “algumas consultas no começo do ano e vendas de spare parts (peças de reposição) que estão dentro do previsto”. Ela espera que a maioria dos projetos se inicie agora.

Para Rolando Piaia, desenvolvedor de negócios da Nalco Water, “a perspectiva é positiva” em relação ao fornecimento de sistemas de desmineralização terceirizados (DBOOM) e serviços especializados de operação e manutenção. Entre as razões desse otimismo, ele aponta os negócios a serem definidos nos próximos meses e o aumento da quantidade de consultas nesse período.

Química e Derivados, Cynthia: procura por manutenção superou a de novos sistemas
Cynthia: procura por manutenção superou a de novos sistemas

Mauro Campopiano Ramires, diretor administrativo da Iosis Produtos Químicos, argumenta que a desmineralização de água está em expansão porque “o custo dos projetos e a necessidade de melhor qualidade de água tem aumentado ao longo dos anos”.

Cichy informa que, durante todo o ano de 2016 – seguindo agora em 2017 – o segmento apresentou uma evolução significativa e ininterrupta. Acrescenta que há uma demanda contínua, principalmente por tarefas de manutenção e atualização de sistemas e processos e pela reposição de consumíveis, como, por exemplo, as membranas de osmose reversa. “Ao longo dos anos, o setor passou por picos de crescimento acelerado no momento em que grandes empresas dos ramos petroquímico, siderúrgico, de alimentos e bebidas, realizaram investimentos robustos”, explica.

Cynthia considera que, no ano passado, as empresas fizeram investimentos muito assertivos, ou seja, investiram em soluções necessárias para o bom andamento das suas operações. E muitas outras consultaram as soluções disponíveis para montar seu orçamento de 2017, esperando que o mercado aponte alguma melhora econômica.

Segundo Piaia, a demanda por conjuntos de desmineralização terceirizados se manteve relativamente constante nos últimos 12 meses. A Nalco Water vem fornecendo especialidades químicas de última geração, trabalhos especializados e soluções de alta tecnologia, que envolvem equipamentos e complexos de tratamento de águas (incluindo sistemas de desmineralização), efluentes e reuso, para clientes dos diversos setores industriais brasileiros.
Fornece tais equipamentos e sistemas via contrato de prestação de serviço de terceirização DBOOM (design, build, own, operate, maintain), no qual investe no ativo instalado no site do cliente, opera e o mantém durante o prazo contratual, que costuma durar entre cinco e dez anos.

Química e Derivados, Piaia: tecnologia de membranas domina a desmineralização
Piaia: tecnologia de membranas domina a desmineralização

De acordo com Cichy, o ano de 2016 foi melhor que 2015. “Apesar de uma redução nos investimentos, tivemos algumas ampliações em plantas onde já haviam equipamentos da GE Water; isso nos ajudou a ampliar as vendas em comparação ao ano anterior. E novas indústrias de cogeração também optaram por nossos sistemas”.

O maior foco da Veolia dentro da linha de negócios SDI (Serviço de Deionização Integral, conjuntos portáteis disponíveis para locação) são as empresas químicas, farmacêuticas e cosméticas. Nessas áreas, o mercado se manteve estável em 2016, em termos de faturamento total. Entretanto, “detectamos que o número de manutenções foi maior e isso se deve ao fato de a maioria das empresas estar sem condições financeiras para investir em novos equipamentos”, afirma Cynthia.

Além do fornecimento de sistemas via serviço de terceirização DBOOM, a carteira da Nalco Water abrange também, nas palavras de Piaia, o fornecimento de trabalhos especializados de operação e manutenção de sistemas existentes, cuja demanda também permaneceu constante, nos últimos doze meses, levando-se em consideração o amplo leque industrial atendido pela empresa, que vai desde a indústria leve (alimentos, bebidas, manufatura, etc.) à indústria pesada (petroquímica, siderurgia, energia, etc.).

Sem dispor de dados concretos para poder comentar, Ramires diz que, quanto a produtos químicos, nota-se maior demanda oriunda dos complexos de desmineralização. A Iosis trabalha com o fornecimento de químicos para tratar os conjuntos de osmose reversa, bem como resinas de troca iônica, quando é o caso. A maior demanda está no tratamento de águas industriais como um todo.

A crise – Nessa época de dinheiro curto, Cichy revela que os clientes buscam por soluções que aliem altíssima qualidade e eficiência à redução de custos. “No atual cenário econômico, há uma demanda especialmente grande por todas as soluções que possibilitem um maior aproveitamento da água e um consumo menor de energia. A desmineralização da água, utilizando as tecnologias de osmose reversa e eletrodeionização, resulta em um alto índice de aproveitamento desse recurso, além de um baixo consumo energético”.

Além disso, prossegue, “uma solução de grande demanda é a frota de água móvel da GE Water, que tem como objetivo principal a produção de água desmineralizada para alimentação de caldeiras e aplicações industriais. Esse serviço permite que os clientes obtenham um tratamento de forma rápida e simples, podendo atender aos picos de produção e contingências dos sistemas existentes nas indústrias”.

Na opinião de Cynthia, o que mais querem os clientes são “equipamentos que atendam perfeitamente as suas necessidades, que caibam em seus budgets e um atendimento excepcional. “Eles querem investir as suas verbas em empresas parceiras, que sabem que não vão deixá-los sem suporte”.

Pragmático, Ramires enfatiza que se busca, como sempre, a melhor relação custo/benefício em tratamento de águas. Piaia corrobora: “soluções de desmineralização de água de boa relação benefício/custo e que apresentem economias operacionais, em relação às outras soluções”.

Tecnologia – Cichy ressalta que a GE Water lançou no mercado nos últimos anos o Pro-Ecell, equipamento que une, em um skid único, osmose reversa e eletrodeionização (EDI). “O Pro-Ecell possibilita a produção de água desmineralizada com uma resistividade de 16 Mohm-cm (condutividade de 0,06µS/cm2) e sílica de 10ppb”, ressalta.

Química e Derivados, Sistema Pro-Ecell, da GE, associa osmose reversa à eletrodeionização
Sistema Pro-Ecell, da GE, associa osmose reversa à eletrodeionização

A utilização dessa tecnologia traz, conforme o gerente, vários benefícios, incluindo a não geração de efluentes químicos durante as regenerações – quando comparada à da troca iônica –, menor área de instalação, um sistema completamente automático, baixo opex e operação contínua, entre outros. A empresa contabiliza dois equipamentos em operação no Brasil e vários na América Latina

Cynthia destaca que a Veolia está programando algumas melhorias nos seus conjuntos, mas ainda não pode revelar quais serão. “A troca iônica é a grande solução para as empresas que não têm nenhuma legislação que a impeça de ser usada, pois há um aproveitamento de 100% da água de entrada”, observa.

“Nessa época de crise, as empresas entenderam bem esse conceito. Com isso, a Veolia trouxe, no final do ano passado, o Rapide Strata, um equipamento de troca iônica por leito compactado, que além do aproveitamento total da água de entrada, permite ciclos de regeneração curta, com baixo consumo de regenerante e, consequentemente, baixa geração de efluente já neutralizado”, complementa.
Piaia expõe que a aplicação de tecnologias de separação baseadas em membranas vem sendo cada vez mais frequente. A osmose reversa se destaca como a principal tecnologia aplicada em desmineralização, devido às vantagens apresentadas na maioria dos casos, e eventualmente, agregada ao polimento por eletrodeionização, quando se necessita produzir água desmineralizada de alta qualidade. Em relação ao pré-tratamento, a ultrafiltração é a tecnologia de destaque.

“O investimento feito pela Ecolab, no ano passado, na aquisição parcial da Aquatech International LLC, agregou ao nosso portfólio a possibilidade de aplicação de membranas de ultrafiltração, membranas de MBR e células de eletrodeionização de última geração, bem como tecnologias de ponta em desmineralização de água, desenvolvidas por esta empresa em seus centros de pesquisa, as quais estão disponíveis ao mercado local através da Nalco Water”, narra.

Esses investimentos em novas capacidades, aliados a tecnologias exclusivas, como o 3D Trasar para membranas, que monitora todos os parâmetros críticos do processo, normaliza os dados e atua no ajuste dos químicos de tratamento, reforçam, no seu modo de ver, o posicionamento da Nalco Water como “o principal consultor da indústria na gestão dos recursos hídricos, independentemente de preferências por certas tecnologias. Como comentado, o foco é na melhor relação custo-benefício ao mercado”.

Ramires avalia que os sistemas de osmose reversa e troca iônica continuam sendo as grandes soluções e assim deverá ser a médio prazo.

O futuro – Indagado sobre perspectivas dos negócios a médio e longo prazos, Cichy raciocina que, com a retomada do crescimento da economia, as perspectivas são otimistas e vários segmentos da indústria estão apresentando sinais de melhora. “Com isso, os investimentos em novas plantas é o próximo passo. A expansão da economia demanda mais geração de energia e projetos de cogeração e termelétricas, que são grandes consumidores de água desmineralizada”, sinaliza.

“Empresas como a GE Water são referência no mercado quando se fala em água desmineralizada. Estamos prontos para oferecer suporte aos clientes desde a fase de proposta – quando se identifica qual a melhor tecnologia a ser aplicada – até a fase de implementação e operação da planta. Somos completos por oferecermos não somente as tecnologias de membranas, mas toda a linha de químicos para proteção e limpeza química, a linha MemChem”, comunica o gerente comercial.

Ramires também acha que a tendência é de aumento desses sistemas, “por conta de águas de pior qualidade e o custo da água municipal”; a consequência, é a “maior demanda por complexos de desmineralização para baratear o custo de tratamento químico”.

Piaia pensa positivamente: “Somos otimistas, em relação à superação das dificuldades econômicas momentâneas do mercado e vislumbramos um aumento da demanda por conjuntos de desmineralização nos próximos meses, alavancada pela superação da crise econômica e a retomada do crescimento”.

Com os pés no chão, Cynthia manifesta que a Veolia está projetando que 2017 ainda será um ano muito lento em termos de desenvolvimento econômico: “Com isso, esperamos permanecer estáveis em 2017 e retomar a evolução em 2018”.

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