Meio Ambiente (água, ar e solo)

Desmineralização de água: – Usuários querem sistemas de alta qualidade, com menor consumo de energia

Marcelo Fairbanks
20 de Maio de 2015
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    Química e Derivados, Unidade de tratamento de água para caldeira de alta pressão

    Unidade de tratamento de água para caldeira de alta pressão

    Sistemas geradores de vapor de alta pressão exigem água de alimentação de qualidade cada vez mais elevada, tanto por questões de segurança quanto pela necessidade de obter desempenho superior. Essa tendência anima os fornecedores de linhas completas e insumos para desmineralização de água, operação que consiste na remoção de sais dissolvidos e sílica, os maiores responsáveis pela formação de incrustações nas caldeiras e linhas de condução de vapor.

    O histórico desse segmento de mercado revela crescimentos vertiginosos nos períodos de grandes investimentos de setores como petróleo, petroquímica, siderurgia, celulose, alimentos e bebidas, sem deixar de lado a geração ou cogeração de eletricidade em unidades térmicas, um dos atuais motores desse negócio. No momento, com a economia nacional se arrastando enquanto espera mudanças que a recoloquem em marcha acelerada, os grandes projetos jazem nas gavetas dos investidores ou foram descontinuados. Nem por isso, a desmineralização entrou em hibernação, pois a demanda por manutenção de sistemas, atualização de processos e pelo suprimento de insumos segue no ritmo normal.

    Química e Derivados, Frutuoso: demanda segue ativa, mas com outras características

    Frutuoso: demanda segue ativa, mas com outras características

    Alguns projetos interessantes estão sendo tocados, todos eles relacionados com economia de água e geração de eletricidade. “Temos um pipeline de propostas interessantes, geralmente ligadas ao reúso de água pelo fechamento de circuitos industriais, motivados pela crise hídrica e pelo custo da energia”, comentou Kelsey Cichy, gerente de vendas da GE Water & Process Technologies no Brasil. “Temos uma base instalada grande de equipamentos no país que nos gera muitos pedidos.”

    Cichy aguarda o próximo leilão de geração de eletricidade de reserva da Aneel, marcado para 29 de maio e restrito para térmicas alimentadas a gás natural, com a expectativa de movimentar 1,5 milhão de MW com entrega a partir de 2016. “Isso deve resultar em 30 unidades de geração”, considerou.

    “Embora o mercado brasileiro esteja em momento de calmaria, alguns setores mantêm o ritmo de investimentos, a exemplo da indústria de celulose e papel, grande consumidora de vapor”, avaliou João Teodoro Frutuoso, diretor de marketing para a América Latina da Nalco, da Ecolab. Além disso, ele identifica nos últimos dois anos uma demanda de empresas de médio porte para ampliar seu parque de cogeração. “Sob risco de ficar sem energia, essas empresas que operavam sistema de geração complementar, para uso em horários de pico, por exemplo, agora querem se tornar autossuficientes e, talvez, até vender alguma energia para a rede”, afirmou.

    Essa tipo de demanda pulverizada, não é muito visível, mas significativa. “São sistemas que precisam ser atualizados e ampliados, adotando conceitos de desmineralização avançada, com economia de água e menor geração de efluentes”, afirmou. Além disso, a Nalco também conta com uma demanda estável, advinda da rotina operacional de sua grande carteira de clientes no Brasil.

    Química e Derivados, Figueiredo: mercado já aceita pagar por serviço a longo prazo

    Figueiredo: mercado já aceita pagar por serviço a longo prazo

    Gustavo Figueiredo, diretor de marketing Light para a América Latina da Nalco, observa que aumentou o interesse dos clientes por contratos de serviço de desmineralização a longo prazo. Nessa modalidade, o investimento é feito pelo prestador, que se remunera pela venda de água tratada (em metros cúbicos). “Há 15 ou 20 anos, o cliente enxergava isso como investimento, ele comprava um bem de capital para tratar a água para caldeiras, mas foram criadas várias formas de relacionamento de longo prazo e a tendência atual é de crescimento da prestação de serviços, em detrimento da simples venda dos equipamentos”, comentou. Para o futuro, a ideia é transferir para o prestador de serviços especializados todo o circuito de água, como operação integrada. “Olhar o todo permite oferecer soluções mais eficientes e econômicas, já podemos fazer isso, o capital necessário faz parte da solução”.

    A GE Water desenvolveu um sistema de desmineralização completo, montado em skid, com um passo duplo de osmose reversa com polimento feito por eletrodeionização (EDI), com modelos que podem gerar até 48 m³/hora. “Esse produto é denominado Pro E-Cell, é um processo limpo, com custo operacional muito baixo, sem gerar resíduos e com baixo consumo de produtos químicos”, salientou Cichy. Ele calculou em R$ 1,20 por m³ o custo de produção de água nesse sistema, contra R$ 2,50 em sistemas convencionais de osmose reversa com polimento feito por troca iônica (leito misto). “E o custo de aquisição é menos de 10% superior ao do convencional de boa qualidade, ambos automatizados”, afirmou.


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