Meio Ambiente (água, ar e solo)

Desmineralização de Água – Tecnologias reduzem custo operacional e ajudam clientes em época de crise

Marcelo Furtado
17 de fevereiro de 2009
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    A especificidade das resinas pode fazer com que elas sejam aplicadas para complementar a ultrafiltração no pré-tratamento, por exemplo removendo sólidos dissolvidos ou sais de bário, ou até mesmo utilizadas sozinhas e precedidas por um abrandador de sais de cálcio e magnésio. “Nossa intenção é operar em sintonia com o mercado de membranas, sem olhá-las como concorrentes. Uma situação que imaginamos é estar em uma sequência que inclua, além do pré-tratamento com resina, o polimento misto”, afirmou.

    Química e Derivados, André Belarmino Sousa, Gerente de conta da Dow Water & Process Solutions, Desmineralização de Água

    André Belarmino Sousa: rejeito salino da osmose piora tratamento das torres

    Essas possibilidades de uso das resinas para a proteção da osmose reversa, aliás, originaram um convite da Petrobras para a Purolite apresentar sua tecnologia em palestra interna. “Eles têm problemas com biofouling nas membranas e estão querendo melhorar o pré-tratamento realizado pela ultrafiltração”, disse Sousa. Um leito com as resinas poderia substituir, por exemplo, a radiação ultravioleta programada para ser instalada na Replan.
    Aliás, uma outra produtora de resinas de troca iônica, a Rohm and Haas, observa ainda que a osmose reversa, em uso crescente no país e no mundo, muito por causa da Petrobras, revelou novos problemas no decorrer de suas operações. Segundo o gerente André Sousa, um muito comum hoje em dia envolve as tentativas de reaproveitamento do rejeito salino da osmose, o percentual de 30% que resta do permeado. “Muitas empresas querem reusá-lo nas torres de resfriamento, mas a sua alta salinidade dificulta o condicionamento da água”, disse.

    Os problemas, de acordo com o gerente de desenvolvimento de mercado da Rohm and Haas, Osmar Cunha, têm feito recentemente a própria Petrobras repensar algumas vezes o uso da osmose reversa, preferindo a troca iônica. Na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio, onde será feito o projeto Plangás, a opção foi por leito compacto com troca iônica, obra sob encargo da Enfil com base na tecnologia da Rohm and Haas (Amberpack). Outros projetos, como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a Refinaria do Nordeste, em Pernambuco, também seguiram o mesmo caminho.

    “Ultracrescimento” – Apesar dos problemas na Petrobras, o mercado de ultrafiltração cresce aos poucos no Brasil e se espalha para outros setores além do de petróleo, o pioneiro na adoção. Um bom exemplo disso é o fato de a Dow, que apenas recentemente passou a contar com a tecnologia depois de adquirir a Omex, ter vendido apenas em 2008 oito unidades de ultrafiltração para proteção de osmose reversa: sete por meio da Fluid Brasil e uma com a empresa Yete. Embora ainda não estejam no cadastro para fornecer para a Petrobras (o que deve ocorrer ainda em 2009), a boa aceitação dos novos sistemas, segundo explicou o gerente de contas da Dow, Marcus Simionato, faz a empresa pensar em expandir o negócio até para áreas inexploradas, como o saneamento.

    Química e Derivados, Osmar Cunha, Gerente de desenvolvimento de mercado da Rohm and Haas, Desmineralização de Água

    Osmar Cunha: Petrobras começa a rever investimentos na osmose reversa

    “Vamos fazer uma unidade piloto para teste no Cirra (Centro Internacional de Referência em Reúso de Água), na USP, para embasar tecnicamente a utilização por companhias de saneamento”, afirmou Simionato. Segundo ele, estudos de viabilidade econômica anteriores dos módulos atestaram que o retorno sobre o investimento, considerando trocas de membranas em quatro anos, é de apenas 24 meses. “Só que há exemplos concretos, em clientes pelo mundo, em que as trocas foram feitas em seis anos”, completou Renato Ramos, do suporte técnico da Dow Water Solutions. Para Ramos, as vantagens da ultrafiltração para tratamento de água potável seriam enormes: área muito menor (até dez vezes) do que uma ETA convencional, consumo bem menor de insumos químicos e efi­ciência acentuada de filtração de micro-organismos e turbidez.

    Mesmo a Dow confiando na mudança de mentalidade do mercado de saneamento, que deve passar a recorrer a melhores tecnologias daqui para frente, a esperança mais imediata para expandir os negócios em ultrafiltração ainda se deposita no pré-tratamento para a osmose reversa. Nem mesmo a alegação de que sozinha a tecnologia não resolve o problema do biofouling nas membranas não desanima os executivos. Segundo Renato Ramos, a bioincrustação só ocorre quando há substrato orgânico (TOC) com microrganismos na osmose reversa. “Como a ultrafiltração remove 99,99% das bactérias e 99,9% dos vírus, a possibilidade disso ocorrer é muito pequena”, afirmou.

    Química e Derivados, Marcus Simionato, Gerente de contas da Dow, Desmineralização de Água

    Marcus Simionato pensa em vender ultrafiltração no saneamento

    Em BOTs – Além das tecnologias para reduzir custo operacional, alguns fornecedores contam com outras estratégias para ajudar os clientes a driblar um pouco a crise. É o caso da Koch Membrane Systems, tradicional fabricante de membranas de origem norte-americana, que negocia com empresas de engenharia participar de ofertas de BOTs com seus equipamentos. “Na hora da crise, precisamos ter criatividade. Como vender sistemas, com projetos engavetados, é difícil, uma maneira mais fácil seria vender a água tratada”, explicou o diretor-comercial da Koch para a América do Sul, Sergio Ribeiro.



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