Desmineralização de Água – Tecnologias reduzem custo operacional e ajudam clientes em época de crise

Química e Derivados, Levy Polonio, Gerente geral da Hydranautics, Desmineralização de Água
Levy Polonio: nova membrana resiste ao biofouling

Ajuda na crise – Para os fornecedores de tecnologias para desmineralização de água, a esperança mais imediata para superar o inevitável freio nos investimentos já sentido em 2009 é oferecer soluções para minimizar o custo operacional do tratamento do cliente. Pouco confiantes em grandes projetos no curto prazo – com exceção dos previstos na Petrobras –, há uma variedade de exemplos de empresas com esse discurso comercial no mercado.

A produtora de membranas de osmose reversa Hydranautics, por exemplo, ensaia essa estratégia. De acordo com o diretor do escritório local da fabricante de origem japonesa, Levy Polonio, ainda em 2009 a intenção é divulgar no Brasil uma nova linha de membranas com capacidade intrínseca de reduzir a formação do biofilme, o chamado biofouling (incrustação microbiológica), considerado o maior problema técnico desse segmento. Trata-se das membranas Hydrablok, um desenvolvimento do centro de pesquisas da empresa concluído em 2008.

“Eles modificaram a química do polímero utilizado nas folhas das membranas para bloquear a formação do biofilme. Ou seja, quando as bactérias entram na membrana elas não progridem”, disse Polonio. Segundo ele, o novo produto reduziria em até 80% o biofilme, o que já foi comprovado no Brasil em teste de campo em comparação com membrana convencional. Embora nem mesmo Polonio saiba o que foi realmente feito para melhorar a resistência do polímero, o avanço minimiza uma dor de cabeça constante no pré-tratamento da osmose reversa, aumentando a sua durabilidade e reduzindo a necessidade de lavagens químicas. “Uma membrana que normalmente dura dois anos passará a durar pelo menos cinco anos. E a lavagem química, que precisa ser a cada dois meses, passa a ser feita uma ou duas vezes por ano”, completou.

A se comprovar na prática, a conquista da nova membrana minimiza um problema que ocupa vários técnicos no mundo inteiro. Isso porque mesmo com os atuais sistemas empregados no pré-tratamento, como a ultrafiltração, eficaz contra colóides e sólidos suspensos, os orgânicos dissolvidos costumam passar para as membranas, formando colônias microbianas que afetam a capacidade osmótica. A contaminação demanda mais lavagens químicas, que por sua vez aumentam a aderência do biofilme. É bom acrescentar ainda que, para melhorar seu desempenho e a rejeição de sais e sílica, a membrana Hydrablok tem também novo espaçador (maior, com 34 polegadas) e o número de folhas foi otimizado, além de contar com dispositivo para melhor expulsar o ar de dentro do tubo das membranas.

O desenvolvimento da Hydranau­tics, no entendimento de Polonio, foi uma alternativa de pesquisa a um antigo sonho dos fabricantes de membranas: criar um produto resistente ao cloro. As atuais são extremamente sensíveis aos halógenos, o que dificulta o controle microbiano. Ocorre que a via de criar uma membrana halo-resistente tem se mostrado pouco viável. Isso porque, ao mesmo tempo em que o upgrade permite dosagens maiores do oxidante, sua rejeição a sais e sílica cai com as modificações. A Hydranautics chegou a criar o modelo Hydracore, mas com esse problema de desempenho. A saída, portanto, foi procurar atacar a contaminação diretamente por meio de mudanças na membrana. “A Hydrablok não evita ou destrói totalmente o biofilme, mas não permite que ele cresça”, explicou.

Só para se ter uma ideia da preocupação existente com o biofilme, uma unidade de osmose reversa de grande porte, com vazão para 220 m3/h, recentemente licitada para atender à expansão na Refinaria do Planalto (Replan), da Petrobras, em Paulínia-SP, precisou especificar um sistema de radiação por ultravioleta para complementar o pré-tratamento feito por ultrafiltração. Fornecedor das 520 membranas que serão empregadas na nova planta da Replan, Polonio afirma que o objetivo da estatal com o UV é minimizar seus constantes problemas com a contaminação microbiológica. “E isso será feito mesmo depois de a Petrobras especificar na concorrência nossas membranas com carga neutra [LFC3-LD], menos propensas a atrair colóides, particulados e sólidos suspensos”, afirmou. A obra na Replan está sendo executada pela Degrémont.

Química e Derivados, Fábio Sousa, Diretor regional da Purolite, Tratamento de Água
Fábio Sousa quer vender resina para proteger membranas

Resina para osmose – Há uma outra empresa vendendo a ideia de ajudar os clientes em crise melhorando o custo operacional das unidades de osmose reversa. E o interessante é que se trata de uma produtora de resinas de troca iônica, considerada por muitos como a tecnologia concorrente das membranas. A norte-americana Purolite pretende intensificar o marketing técnico de uma família de resinas denominada MPR (membrane protection resin), especialmente concebidas para pré-tratamento de osmose reversa.

Segundo o diretor regional da Purolite, Fábio Sousa, a linha possui grades específicos, para atender aos principais problemas dessa etapa do tratamento anterior à “desmi” por membranas. A resina aniônica MPR 1000 reduz o SDI da água, protegendo a membrana de orgânicos colóides e dissolvidos. Mas há ainda a aniônica MPR 2000, específica para combater os sólidos dissolvidos, e a MPR 3000, para remover sais de bário. E todas elas com a vantagem, de acordo com Sousa, de serem regeneradas apenas com sal. “É uma tecnologia muito barata”, afirmou.

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