Meio Ambiente (água, ar e solo)

Desmineralização de Água – Tecnologias reduzem custo operacional e ajudam clientes em época de crise

Marcelo Furtado
17 de fevereiro de 2009
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    O caso da indústria sucroalcooleira é bastante emblemático e não só por se tratar de um dos mercados mais afetados com a recessão econômica, tendo em vista que os preços das commodities despencaram mundialmente. Mas também porque era ele o que melhor representava essa revolução tecnológica em curso na produção de água desmineralizada. Considerado até então um setor com mentalidade empresarial um pouco arcaica, o etanol na pauta do dia modernizou muitas usinas, trouxe grupos internacionais para o país e tornou mais fácil a venda de novos equipamentos para preparar a água de alimentação de sistemas de co-geração de energia elétrica com o bagaço da cana.

    EDI – Tanto foi assim que, além da osmose reversa e da ultrafiltração, o setor começou, nos momentos precedentes à crise, até a adotar sistemas de polimento por eletrodeionização (EDI). Isso muito por causa do envolvimento da empresa Fluid Brasil, de Jundiaí-SP, que se esforçou para vender sistemas de EDI da norte-americana Dow. Já parceira da Dow na venda de unidades de osmose reversa e de ultrafiltração com suas membranas, depois de treinamento a Fluid passou a dominar a tecnologia de EDI oriunda da chinesa Omex, comprada há dois anos pela Dow, e começou a oferecer o sistema a várias usinas clientes (a Fluid tem muita penetração nesse mercado). Conseguiu fechar negócios, como na Usina Carapó, do grupo Cosan, na cidade homônima em Mato Grosso do Sul, onde entregará até o final do primeiro semestre uma EDI de 50 m3/h.
    Mas não há como negar que a estratégia de difundir a “nova” tecnologia no setor sucroalcooleiro foi afetada com a eclosão da crise. Não por menos, a Fluid estava prestes a fornecer um grande pacote que incluiria ultrafiltração, osmose reversa e EDI para um dos maiores projetos da área, o chamado Projeto Cabanas, da própria Dow, o qual contempla a produção verticalizada do polietileno verde derivado da cana-de-açúcar. Em associação com a sucroalcooleira Crystalsev, a empresa química norte-americana montaria uma grande usina no norte de Minas Gerais, em Santa Vitória. Depois de a crise ter modificado totalmente os planos mundiais da Dow, que deixou de se associar à estatal do Kuwait e cancelou a aquisição da Rohm and Haas, o projeto, que estava em fase adiantada, foi postergado.

    Química e Derivados, Francisco Faus, Gerente-comercial da Fluid, Desmineralização de Água

    Francisco Faus: Fluid quer entrar em novos mercados, como na Petrobras

    A compensação para a Fluid Brasil, porém, foi ter diversificado as vendas iniciais dos novos sistemas para além do setor sucroalcooleiro. Isso fez a empresa inaugurar no final do ano a primeira planta de EDI para polimento misto, na fabricante de vidros Guardian, em Porto Real-RJ. Segundo explicou o gerente-comercial Francisco Faus, a necessidade de água de processo de alta qualidade, na produção de um novo tipo de vidro, demandou um duplo passo de osmose reversa de 8 m3/h seguido da EDI. Conforme Faus, o maior mérito do novo polimento, além do processo contínuo e isento de regeneração química, foi ter garantido ao cliente água com condutividade de 0,06 mS/cm2, melhor do que o 0,1 mS/cm2 obtido pela tecnologia convencional com polimento misto de resina de troca iônica.

    As outras unidades de EDI negociadas também são fruto da atuação multissetorial. Na produtora de negro-de-fumo Cabot, em Capuava-SP, serão instalados até março módulos para polir 35 m3/h de água desmineralizada. Na agroindústria Cargill, de Primavera do Leste-MT, depois de fornecida uma unidade de osmose reversa em fevereiro, em março a engenharia da Fluid dará a partida ao EDI para vazão de 40 m3/h. Um terceiro fornecimento chama a atenção por ser internacional, para Angola, na África, em um vilarejo a 300 km da capital Luanda, onde a Odebrecht constrói uma usina de açúcar e álcool, a Biocon. Nela, a Fluid se encarrega do projeto, construção e instalação de uma sequência completa de tratamento que inclui unidade de ultrafiltração para 250 m3/h, osmose reversa de 80 m3/h e uma EDI de 75 m3/h, além de um sistema de polimento do condensado com leito misto de resinas e uma estação de tratamento biológico para os alojamentos dos trabalhadores da usina.

    Os negócios citados, segundo Fran­cisco Faus, além do ineditismo tecnológico (até o momento no Brasil o EDI só existia em aplicações farmacêuticas e nunca para geração de vapor), têm importância ainda para demonstrar como a Fluid atuará daqui para frente. Muito associada ao mercado sucroalcooleiro, a OEM pretende a partir de 2009 acentuar a diversificação, a fim de conquistar uma participação mais firme em concorrências e cotações em mercados como o de petróleo, químico e petroquímico, papel e celulose, bebidas e alimentos, siderurgia e mineração.

    A própria contratação de Francisco Faus, oriundo da concorrente de origem francesa Veolia, fornecedora de grandes sistemas de tratamento para a indústria pesada, simboliza o novo plano. “Estamos nos preparando para participar de grandes concorrências na Petrobras, por exemplo”, avisou Faus. Além do gerente, dois outros novos profissionais cuidam do desenvolvimento de negócios.

    Para consolidar a nova fase na empresa, que inclui ainda a expansão das vendas para outros países, sobretudo América Latina, a Fluid inaugura até o meio do ano nova fábrica em Jundiaí, onde além da montagem de equipamentos será erguido laboratório de aplicação e unidades piloto das principais tecnologias. Além disso, explica Faus, a empresa está para firmar novas parcerias de licenciamento de tecnologia com empresas norte-americanas e europeias. “Em breve contaremos com pelo menos cinco novos acordos de transferência tecnológica”, disse. A ideia é ampliar o portfólio para poder ofertar pacotes e participar de concorrências em grandes indústrias.



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