Desmineralização de Água – Tecnologia de resinas de troca iônica reconquista clientes importantes, como Petrobras

Química e Derivados, Eduardo Hiroshi, engenheiro da área de otimização, Desmineralização de Água - Tecnologia de resinas de troca iônica reconquista clientes importantes, como Petrobras
Hiroshi: leito misto alugado atende transição na refinaria

A própria escolha pela EDR, considerada ideal para remoções não tão radicais de sais e para operações “brutas” como a petroquímica, demonstra que a osmose reversa, com sua alta sensibilidade a orgânicos e ao cloro e seus cuidados rigorosos, pode não ser uma boa alternativa nesses ambientes. Seguindo essa mesma linha, aliás, a Rnest, em Ipojuca-PE, também tratará seus efluentes com MBR, os quais prosseguirão em uma vazão aproximada de 400 m3/h, junto com a purga das torres de resfriamento (180 m3/h), para pré-desmineralização em um EDR. Depois, a corrente é destinada a uma estação com resinas de troca iônica, com seis leitos de polimento misto de resinas. Para atender aos padrões de salinidade mais baixos requeridos pela troca iônica, segundo Beatrice Bernhard, a gerente da Enfil, empresa responsável pela obra, a alta salinidade da água em Pernambuco fez com que a EDR precisasse contar com quatro pilhas em séries.

Relativizar é preciso – Uma argumentação muito utilizada para apontar as desvantagens da troca iônica, a do alto consumo de soda cáustica e ácido para as regenerações feitas quase diariamente, pode não ter o mesmo peso em vários casos. Principalmente para empresas que precisem de qualquer forma lidar com essas commodities, como indústrias de papel e celulose, químicas e petroquímicas, e siderúrgicas, que além de serem habituadas com a manipulação de químicos conseguem negociar preços melhores, diminuindo o custo operacional das regenerações. Nesse sentido, apenas indústrias muito afastadas dos grandes centros, como usinas de açúcar e álcool, podem atestar gastos muito elevados com o transporte de soda e ácido.

Mas mesmo assim não são só essas análises preliminares que desqualificam uma ou outra tecnologia. Isso por vários motivos, mas os principais podem ser o fato de o custo do pré-tratamento de osmose reversa, com consumo também considerável de produtos químicos, ser alto e muitas vezes complicado tecnicamente. E ainda pode-se debitar na conta das dúvidas o fato de a osmose reversa não dar conta sozinha do principal inimigo da água desmineralizada em caldeiras: a sílica. Para se controlar o teor do contaminante para níveis de ppb (entre 10 e 20 partes por bilhão), as estações acrescentam um leito misto de resinas ou em algumas situações um duplo passo de osmose, o que normalmente encarece muito o investimento. Caso emblemático ocorre na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos-SP, que possui uma estação de osmose reversa de duplo passo, mas que necessita ainda de leito misto de resinas para assegurar a integridade das caldeiras no referente à sílica. Isso significa que, mesmo em menor volume, com o leito misto as empresas precisarão manipular os regenerantes ácidos e alcalinos.

Química e Derivados, Mario Fernando Porto, gerente setorial de otimização de processos da RPBC, Desmineralização de Água - Tecnologia de resinas de troca iônica reconquista clientes importantes, como Petrobras
Porto: estação com resinas será trocada até 2013 pela mesma tecnologia

Um outro ponto a se considerar nas análises seria a energética. Caso haja energia de sobra na indústria, a osmose reversa pode ser atraente, o que ocorre muito atualmente em usinas de açúcar e álcool, que contam com turbinas de cogeração pelo bagaço de cana. Por esse motivo, aliado ao custo logístico de transporte de regenerantes, muitas dessas empresas compraram estações de osmose reversa para desmineralização. Isso sem falar que o setor sucroalcooleiro não é grande consumidor de água, podendo se dar ao luxo de ter um rejeito salino de 25% da osmose reversa, contra 5% da troca iônica.

Em Cubatão – Apesar da questão energética, é interessante a Refinaria Presidente Bernardes, de Cubatão, palco da construção da usina termelétrica (UTE) Euzébio Rocha, não considerar a osmose reversa nos seus planos, mesmo com a disponibilidade de energia que em breve terá. De acordo com o gerente setorial de otimização de processos da RPBC, Mario Fernando Porto, a atual unidade de desmineralização com leito convencional de resinas, apesar de antiga (década de 70), supre plenamente as necessidades da refinaria e da UTE em início de operação. Ela apenas será trocada até 2013, por outra de mesma tecnologia, por causa da nova planta de hidrotratamento de diesel, que demandará mais 100 m3/h de água desmi e que está prevista para a antiga refinaria de Cubatão (com 55 anos completados em 16 de abril).

Para se ter uma ideia de como a unidade de desmineralização por troca iônica resistiu ao tempo na RPBC, somente com a construção e inauguração da UTE Euzébio Rocha em fevereiro ela precisou de um up-grade e mesmo assim temporário. E aí a necessidade foi acrescentar mais um leito de polimento misto de resinas para aumentar a quantidade de água desmineralizada e assim suportar o momento de transição, no qual as caldeiras da refinaria e as da usina termelétrica a gás gerarão vapor em paralelo. Para atender a essa demanda, a estatal lançou concorrência para alugar um leito misto. O edital foi vencido pela Fluid Brasil, de Jundiaí-SP, que instalou no final de 2009 um vaso com capacidade para polir 70 m3/h de água.

Segundo o engenheiro da área de otimização, Eduardo Hiroshi, o novo leito misto alugado visa à operação com folga na unidade por um período de um ano, até que a UTE opere de maneira totalmente controlada. “Nessa fase inicial de ajustes precisamos ter água desmi sobrando”, disse Hiroshi. Na transição, a média de consumo deve passar de 420 m3/h, sendo que antes do aluguel do leito misto a operação nominal da planta é de 380 m3/h. Em picos de demanda, para a geração de vapor necessária da refinaria e da UTE, o consumo pode subir para 460 m3/h.

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