Química

Desmineralização de água: Grandes obras revigoram o setor

Quimica e Derivados
3 de Fevereiro de 2001
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    Química e Derivados: Desmineralização: Abertura_desmin. Se depender da onda de investimentos prevista para dar início neste ano, as vendas de sistemas de desmineralização de água devem crescer de forma avassaladora. Projetos nos setores de papel e celulose, petroquímica, refino de petróleo e siderurgia, unidos ao plano de construção de usinas termoelétricas, cada vez mais próximas de deslanchar, criam uma grande expectativa nos competidores. Isso porque, além de se tratarem de projetos de envergadura considerável, provêm de setores com altíssimo consumo de água desmineralizada, utilizada nesses casos para alimentação de caldeiras de alta pressão.

    Embora o entusiasmo com os projetos não seja recente, o atual otimismo se baseia no acompanhamento da estratégia dos principais clientes dos módulos de osmose reversa ou das colunas de troca iônica. “A maior parte das obras serão de duplicações e até de novas unidades, obrigatoriamente envolvendo a construção de sistemas completos”, afirma Osmar da Cunha, gerente para a América Latina de resinas de troca iônica da Rohm and Haas.

    A reestruturação do setor petroquímico, próxima com o leilão da Copene, o necessário desgargalamento da indústria de papel e celulose e ainda os investimentos nas refinarias da Petrobrás, cujo caixa está com folga de recursos, são alguns dos motivadores da nova fase.

    Química e Derivados: Desmineralização: grafico1. Dentre os projetos de importância, vale destacar os da Petrobrás. Na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), de Canoas-RS, há uma concorrência para unidade com duplo passo de osmose reversa com vazão de 650 m³/h de água e pré-tratamento com ultrafiltração. Na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), de Duque de Caxias-RJ, a especificação foi para colunas de leito compacto de troca iônica para vazão de 650 m³/h e também com a ultrafiltração anterior. Em papel e celulose, entre outras licitações, vale ressaltar a duplicação da Aracruz Celulose, onde serão construídos três módulos de osmose reversa de 115 m³/h cada e com um polimento final de troca iônica.

    Essa etapa a ser iniciada, continua Osmar da Cunha, se difere totalmente dos investimentos feitos nos últimos anos. Segundo ele, até então os recursos foram mais alocados em modernizações de processos produtivos. Isso além de até diminuir o consumo de água das indústrias também não traz quase nenhum novo negócio para os desmineralizadores. Outra agravante nesse período foi a origem dos investimentos. Os setores mais em ascensão nos últimos tempos não consomem muita água “desmi”. Um exemplo marcante é o da indústria automobilística, só usuária de sistemas pequenos para unidades de pintura, ou então a cadeia eletroeletrônica ou de alimentos.

    Não é difícil imaginar, portanto, ter sido o desempenho dos fornecedores em 2000 apenas estável. Somente uma ou outra obra de maior importância contrabalançou o cenário mais voltado para a reposição e a construção de unidades menores. Isso ocorreu no grosso do mercado, mas logicamente houve exceções. Muitas empresas, por exemplo, ampliam suas vendas por aproveitarem a evolução tecnológica dos sistemas oferecendo novas alternativas de pré-tratamento. Além do mais, a certeza desse tipo de empresa, como a do restante dos participantes do setor, é esse clima de apenas estabilidade logo se converter numa explosão de demanda.

    Química e Derivados: Desmineralização: Cunha - obras serão de clientes com consumo elevado de 'desmi'.

    Cunha – obras serão de clientes com consumo elevado de ‘desmi’.

    Membranas recuperadas – Talvez o exemplo mais ilustrativo da curva ascendente do setor venha das empresas especializadas em pré-tratamento para unidades de osmose reversa. A oferta ampliada no País desses especialistas demonstra a evolução do mercado local não só em quantidade de estações de desmineralização mas também em tecnologia. Cada vez mais os clientes tomam consciência da necessidade de se ter o máximo de cuidado com a água de alimentação dos sistemas. Caso contrário, as paradas para limpeza química aumentarão, a vida útil das membranas diminuirá e o módulo como um todo dificilmente terá uma operação satisfatória.

    Os serviços oferecidos pelos especialistas no pré-tratamento dão uma idéia das novas possibilidades abertas para os consumidores de água. Hoje é comum empresas como Argo Scientific, da BetzDearborn, ou a PermaCare, pertecente à Nalco, duas líderes nesse segmento, começarem a anunciar o breve emprego no Brasil de sistemas de recuperação de membranas usadas. Levando-se em conta o preço atual da membrana de 8 polegadas (de US$ 900 a US$ 1000) e a vida média de operação de três anos no Brasil (considerada baixa para o padrão mundial), a promessa de duplicar sua vida útil soa muito bem aos ouvidos dos clientes.

    Mais adiantada nessas propostas é a Argo Scientific, empresa americana adquirida pela BetzDearborn em 1997. Segundo afirma seu gerente de marketing para a América do Sul, Antônio Aparecido, a curto prazo a empresa instala no País uma espécie de central de recuperação de membranas, nos moldes das existentes nos Estados Unidos e Europa. “Trazemos as membranas danificadas dos clientes, avaliamos seu estado e, havendo possibilidade, a recuperamos para voltar a operar por mais dois ou três anos”, diz. O processo físico-químico de regeneração, patenteado pela Argo, consiste, primeiro, em deixar o elemento embebido em agentes de limpeza. Logo após entra em circuito de regeneração, no qual recircula as soluções aquecidas pelas membranas, provocando forças de cisalhamento mais elevadas às superfícies do polímero, em condições de recuperar até membranas bastante desgastadas.


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