Desmineralização de água: Cliente mais maduro gera demanda por produtos e serviços especializados

Química e Derivados: Desmineralização: Faus - clientes não precisam investir.
Faus – clientes não precisam investir.

Todas as unidades usam dois cilindros de polimento porque a estação se utiliza de um sistema de controle por sensor que avisa, com o acendimento de uma luz, quando o primeiro leito está saturado e precisa ser reposto. Em virtude do segundo demorar mais para se esgotar, porque por ele passa uma água praticamente desmineralizada, cria-se uma grade de tempo suficiente para manter a unidade operando até o caminhão da Veolia trazer outros cilindros.

O diferencial da SDI do grupo francês é sua concepção. Trata-se de unidade automatizada, onde há grandes colunas de regeneração, cada uma para um tipo de resina (catiônica, aniônica e leito misto), interligadas por tubulações e onde mangueiras de borracha conectadas recarregam os cilindros com resina tratada. Ainda faz parte uma unidade de osmose reversa para 8m3/hora, utilizada para fornecer água desmi para lavagem da regeneração e também para venda a terceiros.

A unidade toda tem capacidade para regenerar 54 mil litros de resina por mês, em um turno, e trata cerca de 400 cilindros. Hoje a empresa, atendendo clientes da indústria farmacêutica, cosméticos, química e laboratórios de análise, está com ocupação de 40%, regenerando 250 cilindros instalados e 150 mantidos para reposição na SDI. A clientela, com demandas de tratamento para caldeiras pequenas e água de processo, vai de uma vazão de 20 litros por hora até 3 m3/h. Segundo Faus, trata-se de um perfil de empresa pequena, a maior parte no estado de São Paulo em um raio de 200 km de Cotia, com exceção de algumas em lugares mais distantes, como São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e até em Goiânia-GO.

Esse tipo de serviço prestado pela Veolia é cópia de outros modelos bem-sucedidos do grupo internacional. Apenas nos Estados Unidos, há dez dessas unidades de desmineralização, sete na Europa, uma no México e duas na Ásia. A do Brasil, segundo Francisco Faus, tem mostrado o mesmo desempenho das estrangeiras. “A aceitação é muito boa, porque o cliente não precisa manipular ácido e soda e porque, principalmente, não precisa investir em uma unidade própria”, diz. A empolgação do gerente também tem caráter estatístico: em 2003 a empresa deve triplicar o faturamento e a projeção para 2004 é crescer 30%. Ajudará nessa meta outros serviços prestados pela SDI: limpeza química de membranas e manutenção de equipamentos fornecidos pela Veolia Water Systems, fornecedora de sistemas de água do grupo.

Química e Derivados: Desmineralização: Angélica - opção de pequenas regenerações.
Angélica – opção de pequenas regenerações.

É bom ressaltar que o conceito da unidade de regeneração terceirizada não é novo no Brasil. Há outras empresas menores que realizam a regeneração, mas em processos quase manuais e com estrutura familiar. O diferente na iniciativa da Veolia é o aspecto construtivo da planta industrial, concebida como uma fábrica, e ainda a logística e as tecnologias utilizadas, desde os cilindros em polietileno com fibra de vidro da inglesa Elga (do grupo Veolia) até os sensores por condutivímetro. Similar a esta unidade, existe apenas uma em Curitiba-PR, a Permution.

Já as empresas menores normalmente contam com pequenos tanques de ativação para regenerar e separadores acrílicos para retrolavar os leitos mistos. Dentre essas empresas, um exemplo é a Stella Resinas, de Taboão da Serra-SP. Há sete anos no mercado, a empresa conta com clientes da área farmacêutica, como a Fundação para o Remédio Popular (Furp), da qual recebe semanalmente cilindros de 50 litros para regenerar, e outros como a Transition, fabricante de lentes de contato, para a qual regenera colunas de 175 litros. São serviços de pequena dimensão mas adequados às necessidades do mercado.

“Para empresas pequenas compensa terceirizar a regeneração, porque elas não precisam tirar as licenças estaduais e municipais de manipulação de ácido e soda que nós temos de ter”, explica a diretora da Stella Resinas, Angélica Medeiros. Além da regeneração, a Stella também fornece pequenas quantidades de água desmineralizada produzida por troca iônica própria e conta ainda com departamento de engenharia para projetar colunas. Outra forma de terceirização realizada é a regeneração no cliente, modalidade de serviço que a Stella Resinas faz para clínicas de hemodiálise e também para indústrias.

Química e Derivados: Desmineralização: Piaia amplia estoque de unidades de aluguel.
Piaia amplia estoque de unidades de aluguel.

BOOM deu certo – Prova da boa aceitação das ofertas de terceirização é um tipo de serviço recentemente introduzido no Brasil ter demonstrado evolução. Desde que inaugurou, no final de 1998, escritório em São Bernardo do Campo-SP, a norte-americana Ecolochem (ver QD-379, pág. 25) tem conseguido manter um ritmo aceitável de contratações terceirizadas para produção de água desmineralizada do tipo BOOM (build own operate and maintenance). Utilizando seus próprios equipamentos, sejam unidades de osmose reversa ou de troca iônica vindas dos EUA, a Ecolochem segue fechando contratos de serviços, sob pagamentos fixos mensais, para curta ou longa duração.

“Estamos ampliando o estoque e procurando manter o portfólio completo de nossos equipamentos, não só skids e sistemas montados em contêineres, mas até abrandadores e outros filtros”, diz o diretor da Ecolochem, Rolando Piaia Jr. Segundo ele, essa demanda tem sido incentivada por empresas de vários setores, não apenas termoelétricas como foi no início da implantação da empresa no Brasil. Há muitos casos de indústrias que passam por paradas de manutenção e precisam também desligar as unidades de desmi. Nesses casos de curta duração, a Ecolochem instala seus sistemas para manter o fornecimento.

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