Equipamentos e Máquinas Industriais

Desmineralização de água: Cliente mais maduro gera demanda por produtos e serviços especializados

Marcelo Furtado
24 de setembro de 2003
    -(reset)+

    Projetos

    Empresas aguardam retomada dos investimentos

    Química e Derivados: Desmineralização: Leito compacto em usina de Iturama-MG.

    Leito compacto em usina de Iturama-MG.

    No mercado de desmi, as empresas de projetos de sistemas e equipamentos são das mais atingidas pelos efeitos da recessão econômica. O motivo é óbvio. Com a indústria em estado de letargia por causa da retração no consumo, o primeiro departamento a sofrer cortes foi o de bens de capital. O reflexo disso, durante os últimos meses, foi um festival de postergação de investimentos.

    Levando em conta o período que antecedeu a recessão, o impacto nas empresas teve um sabor ainda mais amargo. No final de 2001 e início de 2002, o expediente estava animado com as obras em co-geração de energia. Havia obras suficientes para manter um certa prosperidade e muitas empresas comemoravam recordes de venda. Com a volta ao normal do abastecimento de energia e a queda abissal no preço do megawatt, de 400 reais, na época da crise do apagão, para os 15 reais atuais, que fez vários projetos serem cancelados e várias novas usinas preferirem ficar paradas, a euforia deu lugar à desilusão. Ainda mais quando a esse cenário foi acrescentada à crise econômica mundial que se seguiu.

    Só para se ter uma idéia, há empresas de projetos que ainda contam com os resquícios daquela época para manter um pouco o ritmo das vendas. Um exemplo é a Fluid Brasil, de Jundiaí-SP, especializada na construção de unidades de osmose reversa e também de colunas compactas de troca iônica.

    Química e Derivados: Desmineralização: compacto da Fluid em Leme-SP.

    Compacto da Fluid em Leme-SP.

    Projetos de médio prazo, que não levam nunca menos de um ano para ser concluídos, a Fluid ainda finaliza unidades de osmose para a UTE Pernambuco (Iberdrola), em Suape-PE, para a UTE Três Lagoas (Petrobrás), em Mato Grosso do Sul e colunas compactas de troca iônica para a UTE Fluminense (EDF), em Macaé-RJ.

    Foram essas obras ainda em andamento, mais várias outras em co-geração de bagaço de cana, como as unidades de osmose na Usina Santa Adélia, em Jaboticabal-SP, na Usina da Pedra, em Serrana-SP, e os leitos compactos na Usina Coimbra Cresciumal, em Leme-SP, que fizeram em 2002 a Fluid comemorar um crescimento histórico de 32%. Mas, da mesma forma, foi a descontinuidade dos investimentos em energia que fez a empresa, por meio de seu diretor, José Eduardo Rocha, querer esquecer 2003. “Acho que só no próximo apagão, já cogitado pela ministra como possível de ocorrer daqui a cinco anos, esse ciclo voltará a ocorrer”, ironiza Rocha.

    Química e Derivados: Desmineralização: Zeppelini - crepinas viabilizaram tecnologia.

    Zeppelini – crepinas viabilizaram tecnologia.

    Não foi só a Fluid a faturar com essas obras. Grandes empresas, como Ondeo Degrémont e Veolia Water, têm vários casos de fornecimentos, e também pequenas empresas de projetos conseguiram vender sistemas para energia. Um caso de pequena empresa é a Yete, de São Paulo. Especializada na elaboração de projetos de leito compacto, sob licença da Bayer, a Yete instalou várias unidades para co-geração, onde a água tratada alimenta caldeiras de alta pressão. Foram obras nas usinas de Iturama-MG, Campo Florido e Lucélia, no interior paulista.

    Esses projetos de leito compacto, segundo o diretor da Yete, Paulo Roberto Zeppelini, estão sendo muito aceitos no mercado como uma alternativa moderna de troca iônica, para fazer frente à osmose reversa. E, segundo ele, isso se tornou mais possível depois da disponibilidade de crepinas mais modernas, que a Yete representa da alemã KSH. Isso porque antigamente, com as crepinas nacionais, o fluxo inverso do leito compacto aos poucos fazia escapar a rosca desse dispositivo utilizado para espalhar a água nas colunas.

    Química e Derivados: Desmineralização: Sistema WFI - água ultrapura de injetáveis.

    Sistema WFI – água ultrapura de injetáveis.

    E as vantagens dos leitos compactos são inúmeras: melhor aproveitamento e durabilidade das resinas, menos uso de regenerantes, sem necessidade de muita retrolavagem e de lavagens em vaso separado. Esse último atributo é possível com a lavagem por ar comprimido feita dentro dos vasos operacionais.

    Química e Derivados: Desmineralização: Rocha - vontade de esquecer 2003.

    Rocha – vontade de esquecer 2003.

    Novos negócios – Apesar da boa fase passada em energia, a lide diária não deixou o setor ficar nostálgico e sem pensar em novas oportunidades de negócios. Pelo contrário, a exploração de nichos é nítida nas empresas de projeto. Um caso interessante ocorre no setor farmacêutico, que passou a abrir concorrências para comprar sistemas de osmose reversa para água ultrapura para injetáveis, o chamado sistema WFI (water for injection). Trata-se de equipamentos em aço inox 316 eletropolido internamente, estéreis, para baixos volumes de água, mas de alta qualidade.

    Por ser uma venda de alto valor agregado, o sistema WFI tem atraído interesse de todos os fornecedores. Tanto a Fluid Brasil como a Yete, já citadas, possuem seus projetos de sistemas WFI. Outras, como a Perenne, também se enveredam no mesmo caminho. “Há dois prontos cruciais nesses projetos: a água precisa ser totalmente livre de bactérias e endotoxinas, mantida em recirculação a 80ºC, e ter condutividade abaixo de 1 microsiemens”, afirmou José Eduardo Rocha, da Fluid Brasil, que fornece os equipamentos com membranas da Dow de 4 polegadas da linha Full Fit.

    A Perenne também fez seu próprio projeto de equipamento para injetáveis. “Atendemos a norma USP 24 e o padrão Hemope para fazer um equipamento em duplo passo que produz água isenta de pirogênio e TOC abaixo de 500 ppb”, afirma o gerente José Eduardo Pacheco, da Perenne.

    Aliás, essa tentativa de entrar em um mercado mais especializado faz parte de plano da Perenne de se tornar empresa de engenharia completa, não apenas fornecedora de equipamentos isolados. “Passamos a notar que o melhor é segurar o cliente pelo serviço”, diz. O plano inclui fornecimentos do tipo BOT, como já foi feito em três contratos, com a Casa da Moeda, Copersucar e Carioca Shopping, no Rio. São normalmente parcerias com outras empresas de engenharia de água, como Geoplan e Hidrogesp, onde a Perenne entra com a construção, a operação e a futura transferência da desmineralização. Iniciativa comum também em outras empresas de projetos, a busca por outras modalidades de negócios mostra que o setor não se deixa abater pela recessão.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *