Equipamentos e Máquinas Industriais

Desmineralização de água: Cliente mais maduro gera demanda por produtos e serviços especializados

Marcelo Furtado
24 de setembro de 2003
    -(reset)+

    Química e Derivados: Desmineralização: Schneider - pré-tratamento não combate biofouling.

    Schneider – pré-tratamento não combate biofouling.

    Segundo o professor, cerca de 90% dos problemas detectados nas membranas são biofilmes e os 10% restantes se dividem entre falhas operacionais e depósitos químicos. Além do próprio mecanismo de ação do biofouling, colabora em muito com o problema as deficiências no pré-tratamento. Para ele, isso ocorre principalmente porque as soluções químicas e boa parte dos projetos disponíveis no mercado não levam em conta ou não se adequam ao controle de biofilmes. “O biofouling é formado no longo prazo e as metodologias de controle da água de alimentação só pensam em situações de curto prazo, como o entupimento físico provocado por colóides e sólidos em suspensão ou os níveis de orgânico total”, diz. “Os projetos não contemplam os fatores formadores do biofilme, como por exemplo o fato de as bactérias reagirem aos agentes de limpeza”.

    Uma descoberta também resultante das pesquisas do laboratório de microbiologia ambiental, que recebe verba de apoio da Perenne via Fundação da USP (Fusp), foi provar a ineficiência de alguns biocidas utilizados no mercado brasileiro como pré-tratamento. Em pesquisa realizada em uma grande petroquímica que René Schneider prefere não revelar o nome, notou-se em inoculação em meio de cultura líquido que o biocida empregado precisaria ser dosado dez vezes mais para eliminar as contagens microbianas, o que em termos de custo inviabilizaria o pré-tratamento. Isso sem falar que o tempo de exposição do experimento foi de 20 minutos, portanto um período bem maior do que o operacional. “O biocida não é ruim, ocorre que ele precisaria de muito tempo para inativar os microrganismos por completo. Trata-se de uma boa molécula em aplicação errada”, define o professor da USP.

    Química e Derivados: Desmineralização: Lucila - software determina pré-tratamento.

    Lucila – software determina pré-tratamento.

    A autópsia da USP segue o padrão das feitas em outros países: análise visual, microbiológica (contagem microbiana), varredura por microscopia eletrônica para identificação elementar e, após a parte analítica, a elaboração de relatório com sugestões de melhora no sistema. Além da indicação de maiores cuidados com o pré-tratamento e com a operação, de forma geral as recomendações podem abranger a diminuição no fluxo de operação, considerado na média muito alto no Brasil por René Schneider. Seu conhecimento da pesquisa internacional da área, aliado à experiência no pós-doutorado na Austrália, indica que o limite para operação com água de superfície em unidades médias e pequenas não pode ultrapassar 10 gfd (ou 17 litros por m2/ hora).

    Acima disso acelera-se a colmatação e há sobrecarga da membrana, diminuindo as chances de o elemento chegar a uma vida útil desejada de 5 anos (período que a Perenne oferece de garantia para as membranas coreanas).

    Ultra e micro antes – As duas líderes no mercado das membranas também enviam regularmente elementos para serem autopsiados nos Estados Unidos, onde ficam os centros de pesquisa da Dow e da Hydranautics. Mas também não é recurso muito abusado, restrito mais a casos de necessidade em grandes clientes. O motivo das limitações tem a ver com os custos de envio das membranas via correio, nunca menos de US$ 1 mil por unidade, mas também se funda na análise criteriosa. “Só mandamos quando há uma alteração excepcional na operação que justifique”, afirmou a especialista de mercado da Dow, Lucila Matos.

    Química e Derivados: Desmineralização: Polonio vai colocar K-7 antes da osmose.

    Polonio vai colocar K-7 antes da osmose.

    Essa posição da Dow é conjugada com a aplicação de um software chamado Rosa (Reverse Osmosis System Analyses). Já em sua versão 5.3, o Rosa calcula o sistema de osmose reversa e determina as dosagens necessárias de produtos no pré-tratamento, para evitar incrustação, balancear o pH e, finalmente, para regular o pH. “Só esse trabalho já previne problemas futuros na membrana, que vão diminuir a necessidade futura de se fazer autópsia para descobrir os erros do processo”, diz Lucila. Aliás, para minimizar os problemas com fouling, a Dow intensifica a divulgação das membranas FR (fouling resistance) BW 30 400 FR, com maior área de resistência e rejeição de sais de 99,5%.

    A Hydranautics também envia para os EUA, pelo menos uma vez por mês, alguma membrana para autópsia. Mas, da mesma forma, também procura criar soluções locais para evitar o procedimento. Esses cuidados incluem parcerias com empresas de pré-tratamento para evitar problemas na operação e, mais recentemente, aborda também a entrada no mercado de uma nova tecnologia de pré-tratamento utilizando uma bateria de membranas de nanofiltração e ultrafiltração para preparar a água para a osmose. Trata-se do sistema Hydrasub, em lançamento mundial pela Hydranautics, que promete substituir o pré-tratamento convencional (ETA, filtros de areia, carvão e cartuchos) com vantagens técnicas e custo competitivo.

    O novo sistema se baseia em membranas capilares submersas, em um tanque com a água a ser tratada, e constituídas em forma de cassete (ou K-7). O conjunto de membranas em fibras capilares de PP (micro) e de polissulfona (ultra), que constitui o cassete, funciona mergulhados dentro do tanque em fluxo out-in. Por sua superfície porosa entra a água e pelo centro ela sai, com taxa de recuperação de 95%. De acordo com o gerente comercial da Hydranautics, Levy Polonio, grande vantagem do sistema é ser autolimpante. “A cada cinco minutos é feita pulsação de ar de 4 segundos para remover as impurezas da membrana e a cada 30 minutos uma contralavagem de um minuto”, explica. Ainda a cada quinze dias é feita limpeza cáustica por cinco minutos.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *