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Equipamentos e Máquinas Industriais

Desmineralização de água: Cliente mais maduro gera demanda por produtos e serviços especializados

Marcelo Furtado
24 de setembro de 2003
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    A GE Osmonics, surgida em fevereiro de 2003 com a compra feita pela General Electric dessa empresa de equipamentos, membranas e filtros (Osmonics), tem grandes chances de aumentar a participação no mercado brasileiro. Isso porque passa a contar com a força de vendas da GE Betz, tradicional no Brasil em tratamento químico de água subordinada à mesma plataforma de negócios do grupo (GE Water Technologies), e que passará a incluir em seus pacotes de fornecimento as membranas Osmonics.

    Química e Derivados: Desmineralização: Pacheco - membrana coreana para entrar na indústria.

    Pacheco – membrana coreana para entrar na indústria.

    Quando ainda não havia sido adquirida pela GE, a Osmonics já participava do mercado brasileiro por meio de OEMs e distribuidores. Aliás, segundo explica Clóvis Sarmento-Leite, o diretor comercial para América Latina da GE Water Technologies, a intenção é não abandonar essa forma de operação, apenas sintetizá-la com operadores mais bem estruturados. “Os parceiros comerciais agregam valor com o conhecimento de nichos de mercado e pela habilidade em fornecer pequenas quantidades”, diz Sarmento-Leite, que fica sediado no escritório da GE Water na Filadélfia, Estados Unidos. Agora os fornecimentos em grandes quantidades, que normalmente incluem unidades completas de desmi, serão feitos direto com a GE, em ação conjunta com a divisão Betz.

    Pensando apenas em membranas, a GE Water tem condições de fornecer não só as de osmose reversa como as de nano, ultra e microfiltração. Mas a sua grande vantagem competitiva, conforme explica Sarmento-Leite, é ser verticalizada. “Quando fornecemos um skid respondemos por todos seus componentes, o que tranqüiliza o cliente”, diz. O diretor afirma com isso que, por exemplo, se houver um problema na bomba de alta pressão não vai haver necessidade de recorrer a outro fabricante, visto que a própria Osmonic a produz. Bom lembrar ainda que o grupo GE tem condições também de fazer fornecimento completo de BOT em tratamento de água e efluentes.

    Nacional – Também é a busca pela verticalização que levou a Perenne a concretizar parceria com os coreanos da CSM, que passou a fabricar sob encomenda membranas com o logotipo da Perenne. Empresa de projeto de equipamentos, tradicionalmente de sistemas de 4 polegadas para dessalinização, com as membranas exclusivas a Perenne objetivou ganhar obras em mercados industriais, em aplicações de processo, na indústria de bebidas e farmacêutica, e para acondicionamento de água para geração de vapor em caldeiras de alta pressão.

    Com o novo plano, a Perenne buscou ainda reduzir seus custos tornando-se independente do fornecimento de membranas dos poucos produtores mundiais. A primeira tentativa foi tentar associações para produzi-las localmente. Na impossibilidade, a saída encontrada foi a parceria com a CSM, com a qual fez um contrato vantajoso de fornecimento.

    As membranas coreanas são disponíveis nas dimensões de 2,5; 4 e 8 polegadas e já estão instaladas em várias aplicações industriais, em empresas de bebidas, como Ambev, Nestlé e Coca Cola. Por ser também empresa de engenharia, projetando skids de osmose reversa, a Perenne participa de concorrências de forma verticalizada, sem precisar entrar em acordos com produtores de membranas.

    Química e Derivados: Desmineralização: Membrana aberta para autópsia  - fouling (no detalhe) é o problema.

    Membrana aberta para autópsia – fouling (no detalhe) é o problema.

    A intenção, segundo o gerente de sistemas integrados da Perenne, Eduardo Pacheco, é entrar firme em mercados como químico e petroquímico, papel e celulose, onde normalmente estão as grandes obras de desmi, setores nos quais a empresa já tem marcado presença em concorrências. Aliás, para criar retaguarda no atendimento da nova estratégia, que inclui a oferta de sistemas BOTs em parceria com outras empresas (Geoplan, Hidrogesp), a empresa inaugura fábrica nova em Feira de Santana, na Bahia, para fabricação de estações maiores de osmose.

    Autópsia – A busca pela verticalização da Perenne também permitiu o desenvolvimento de uma iniciativa da pesquisa nacional. Para dispor de um serviço auxiliar de análise, normalmente oferecido pelas produtoras de membranas apenas em suas matrizes no exterior, há cerca de um ano a empresa passou a contar com a colaboração do laboratório de microbiologia ambiental do Instituto de Ciências Biomédicas da USP para realizar as chamadas autópsias. Trata-se de procedimento de análise físico-químico e microbiológica de elementos filtrantes usados pelos clientes, por meio da abertura das membranas e a partir da qual os pesquisadores produzem um relatório para explicar os motivos operacionais que provocaram a deterioração do material.

    Química e Derivados: Desmineralização: Membrana aberta para autópsia - fouling (no detalhe) é o problema.

    Membrana aberta para autópsia – fouling (no detalhe) é o problema.

    A autópsia permite conhecer os mecanismos de destruição interna das membranas e, principalmente, possibilita o abandono de maus hábitos no pré-tratamento e na alimentação de água, que não poucas vezes diminuem a vida útil do sistema. Trata-se de um serviço oferecido gratuitamente aos clientes e que norteia as diretrizes de novos projetos e reformas. Além disso, as análises da USP servem para se ter uma idéia de como anda a operação nas unidades de osmose reversa no Brasil. Coordenado e resultado do empenho do professor René Schneider, PhD no estudo de biofilmes pela Universidade de New South Wales, em Sidney, na Austrália, que procurou a Perenne há cerca de dois anos, o trabalho de autópsia das membranas demonstrou casos grotescos de operação. “Chegamos a encontrar areia e pedaços de borracha dentro das membranas”, disse Schneider.

    Mas os casos extremos também não são tão comuns. O grosso dos problemas reside na formação de biofilmes, camada gelatinosa formada pelos microrganismos como barreira protetiva e constituída por polissacarídeos (matriz de hexopolímeros). No jargão do mercado, trata-se do fouling biológico, uma incrustação natural muito resistente, que anula a ação osmótica da membrana, desenvolvida nos espaçadores da membrana (telas em forma de peneira existentes entre os filmes da osmose e pelas quais a água circula). “A constante turbulência de água nesse espaço renova a alimentação de nutrientes orgânicos para as bactérias e, por estas ficarem nos espaçadores, acabam se protegendo das limpezas químicas periódicas”, lembra René Schneider.



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