Equipamentos e Máquinas Industriais

Desmineralização de água: Cliente mais maduro gera demanda por produtos e serviços especializados

Marcelo Furtado
24 de setembro de 2003
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    Química e Derivados: Desmineralização: Osmose terceirizada.

    Osmose terceirizada.

    Alguns setores da economia, embora não sejam dos mais importantes em grandeza financeira, servem como ótima referência para demonstrar a evolução tecnológica incorporada pela indústria brasileira na última década. É o que ocorre no mercado de desmineralização de água, constituído por fornecedores de membranas de osmose reversa, resinas de troca iônica e de insumos para pré-tratamento químico e ainda por empresas de engenharia de projetos e de operações terceirizadas.

    Do início da década de 90 para cá, desde a já longínqua abertura comercial, as mudanças são marcantes nesse setor responsável pela criação de alternativas para purificar a água de sais e prepará-la para usos industriais. Para começo de conversa, foi-se a época em que o mercado era dominado por pouquíssimos fornecedores, que ditavam não só as tendências tecnológicas como os preços.

    O número de empresas especializadas e de novas ofertas de processos e sistemas aumentou de tal maneira que fica difícil não ver o setor hoje mais maduro, com um bom clima de competição para a derrubada dos preços e para facilitar a vida dos consumidores de água desmineralizada.

    Química e Derivados: Desmineralização: Membranas GE.

    Membranas GE.

    A maturidade aí também se traduz por um cliente crítico e resistente a panacéias, mais preparado para escolher entre as tecnologias e para operar com responsabilidade as unidades de “desmi”. Embora os problemas decorrentes da falta de cuidados com a operação ainda não sejam raros, sobretudo em unidades de osmose reversa, tornou-se quase consenso entre os especialistas que os usuários hoje conhecem um pouco mais do processo. Esse cenário afugenta empresas e representantes aventureiros, que inundam os clientes com propostas de tecnologias e equipamentos de eficiência duvidosa, preservando por seleção natural os competidores mais confiáveis.

    Para demonstrar essa evolução, Química e Derivados preparou nesta edição uma série de reportagens divididas entre os principais sub-setores que formam o mercado: membranas de osmose reversa, resinas de troca iônica, pré-tratamento químico, engenharia de projetos e prestação de serviços.

    Química e Derivados: Desmineralização: Leitos compactos em usina de Álcool.

    Leitos compactos em usina de Álcool.

    A necessidade de compartimentar o trabalho jornalístico publicado a seguir explica por si só o perfil renovado do setor. Hoje as ofertas e demandas estão mais bem definidas. Os fornecedores sabem quais nichos podem e precisam ser atendidos por eles, assim como os clientes não têm mais muitas dúvidas na hora da escolha da tecnologia. Isso significa, por exemplo, que já não há mais espaço para debates entre os defensores da osmose reversa e os da troca iônica. Mesmo passando por período recessivo, no qual as grandes obras ainda são raras, a economia brasileira tem tamanho e potencial para acolher a todos.

    Membranas

    Novos fornecedores e autópsia nacional aprimoram as ofertas

    Difícil encontrar um produto para desmineralização em constante evolução, no aspecto tecnológico e em termos de difusão do uso, como as membranas de osmose reversa. Desde quando a primeira estação para “desmi” foi instalada em 1984 no Brasil, na Papel e Celulose Catarinense (PCC), em Correia Pinto-SC, hoje de propriedade do grupo Klabin, uma verdadeira revolução ocorreu. Se naquela época trabalhava-se com sistemas manuais e se as bombas de alta pressão eram centrífugas horizontais monoestágio com baixa eficiência energética (em torno de 35%), agora a história é diferente. Raramente projetam-se estações de osmose que não sejam automatizadas, via SDCD, e cujas bombas centrífugas não sejam verticais de múltiplo estágio, com 70% de eficiência.

    Química e Derivados: Desmineralização: Unidade de osmose da GE Osmonics - operação verticalizada.

    Unidade de osmose da GE Osmonics – operação verticalizada.

    Além do preço da membrana ter caído até 60% na última década (preço médio atual é de US$ 600), houve também outras mudanças importantes. Para ficar no campo técnico, hoje a maior parte das membranas utilizadas possuem filmes poliméricos com maior área, de 400 pés quadrados, contra 330 das antigas. Apesar desse novo tipo de membrana ser mais complicado de limpar, por ficar condensada no mesmo diâmetro dos vasos de pressão, de certo modo facilita a operação. Isso porque a área onde ocorre a osmose reversa é ampliada, aumentando sua resistência ao fouling e permitindo à unidade trabalhar com pressões mais baixas. Estima-se que no Brasil cerca de 80% das membranas em operação tenham sido trocadas pelas de 400 pés.

    Química e Derivados: Desmineralização: Cartuchos Z.Plex da GE - para pré-tratamento.

    Cartuchos Z.Plex da GE – para pré-tratamento.

    Os desenvolvimentos técnicos, em conjunto com a aceitação dos clientes, fizeram o parque instalado de membranas no Brasil ter crescido de maneira considerável. Um levantamento feito pela produtora Hydranautics, do grupo japonês Nitto Denko, estima a existência de 22 mil membranas em operação, sendo 10 mil de 8 polegadas para aplicações de desmineralização em indústrias químicas, petroquímicas, de papel e celulose, alimentícia e outras. As restantes 12 mil são de 4 polegadas, com uso em dessalinização em poços de água potável no Nordeste e para produção de água ultrapura em hemodiálise e na indústria farmacêutica (injetáveis).

    O mercado brasileiro é dominado pelas duas maiores do mundo na área, a própria Hydranautics e a Dow. Há controvérsias quanto a participação de ambas nesse total de membranas instaladas, mas a percepção de gente do mercado dá conta de uma participação disputada palmo a palmo. Além das duas, há competidores conseguindo alguns fornecimentos pontuais, como Trisep e Toray, e outros com planos mais concretos de conquistar mercado, como a GE Osmonics e a nacional Perenne.


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