Notícias

Desmineralização da Água: Empresa nacionaliza eletrodiálise russa

Marcelo Furtado
6 de outubro de 2001
    -(reset)+

    Química e Derivados: Água: Oliveira - rejeito de apenas 10%.

    Oliveira – rejeito de apenas 10%.

    Vantagens – Na visão de Oliveira, para garantir o sucesso comercial da empreitada o equipamento possui ainda mais vantagens em relação aos sistemas concorrentes. Em primeiro lugar, deve-se considerar o menor rejeito, de uma média de 10% do volume de água tratada, bastante abaixo dos até 30% de concentrado salino da osmose reversa. Também o gasto de energia, segundo ele, é cerca de 25% menor, visto que a EDR demanda baixas pressões, de 2 a 3 kgf/cm², contra até 7 a 8 kgf da osmose reversa. De acordo com o diretor, a média de gasto de energia do processo é de 0,7 kWh/kg de sal removido.

    Outra vantagem está intimamente ligada à característica rústica do equipamento. Segundo o diretor-administrativo da Hidrodex, Fernando Neubern, enquanto a osmose reversa só permite água de entrada com até 5 micra de sólidos suspensos, com a eletrodiálise reversa admitem-se partículas de até 10 micra.

    “Isso vai praticamente eliminar ou diminuir muito a necessidade de pré-tratamento, economizando-se com antiincrustantes, equipamentos e energia”, diz Neubern. A única necessidade de pré-tratamento na eletrodiálise é um filtro simples por areia e pedra.

    Química e Derivados: Água: Neubern - tolerância a particulados.

    Neubern – tolerância a particulados.

    Além disso, continua o diretor, a EDR é tolerante com ferro, admitindo até 0,5 ppm, enquanto na osmose é necessário “zerar” o metal. E Neubern acrescenta: “Na osmose, o pré-tratamento ainda exige remoção de manganês, alumínio, zinco, descloração e condicionamento da água com antiincrustantes e biocidas, em razão da alta sensibilidade das membranas.”

    Também no quesito pré-tratamento outra qualidade apontada por ele é a membrana de EDR não se afetar pela exposição à variação de pH, permitindo o uso de soluções ácidas fortes no tratamento e quaisquer processos de manutenção. “Há de se considerar ainda que elas possuem alta resistência a desinfetantes como hipoclorito, cloramina e peróxidos”, afirma.

    Apesar das vantagens, o equipamento tem limitações. Para começar, afirma o diretor administrativo, por causa do sistema de automação a EDR apenas se torna competitiva acima de vazões de 1 m³/hora. “Abaixo disso, o CLP pode salgar um pouco o preço”, diz. Outra limitação é quando a exigência de desmineralização for muito elevada. Sozinha a eletrodiálise só produz água com o máximo de 2,5% de salinidade. No caso do condicionamento para caldeiras de alta pressão, por exemplo, a indicação da Hidrodex, segundo o diretor Walter de Oliveira, seria conjugar o sistema com um passo seguinte de osmose reversa.

    Química e Derivados: Água: Miriam - aplicações quase completas.

    Miriam – aplicações quase completas.

    A restrição às caldeiras de alta pressão não impede que a Hidrodex vise uma carteira de clientes bastante diversificada. Para a gerente de marketing, Miriam de Oliveira, as aplicações podem envolver qualquer tipo de abrandamento para água “desmi” ou ultrapura, tratamento de efluentes, condicionamento de água para processo, em indústrias farmacêutica e eletrônica, e dessalinização para potabilidade e irrigação, construção civil e na produção de lama de perfuração.

    Os equipamentos podem ser fabricados para capacidades de 0,1 a 200 m³/h.

    Viagem a Moscou – A confiança da empresa garcense se funda também na maneira cuidadosa e lenta com que o investimento foi realizado. Isso se deve principalmente ao fato de o proprietário da Hidrodex não ser nenhum “marinheiro de primeira viagem” no mercado de água. Na verdade, o engenheiro Walter de Oliveira é há 20 anos um dos sócios de uma empresa de perfuração de poços artesianos bastante tradicional, a Constroli, também de Garça-SP. “Perfuramos poços de até 2.500 metros de profundidade em todo o País”, diz Oliveira.

    Foi justamente por ser conhecida no mercado de água que a Constroli foi procurada há três anos pela Embaixada da Rússia para conhecer a tecnologia da eletrodiálise reversa. “Eles ficaram sabendo de algumas iniciativas nossas para desmineralizar águas de poços profundos”, diz. Até então a Constroli controlava a saturação de água captada por meio de estudos de isolamento de camadas de solos.

    Com o convite da embaixada e uma seguinte viagem de Walter de Oliveira a Moscou para conhecer de perto o processo, a Hidrodex começou a ser formada. “Tivemos o cuidado de conhecer bem o funcionamento do equipamento antes de começar a divulgá-lo ao mercado”, lembra Oliveira. Uma das primeiras ações nessa fase foi trazer uma célula piloto da Rússia, levada para teste na companhia de água do Paraná (Sanepar), em Cianorte, em um poço de abastecimento público. “Ali pudemos perceber a eficiência da eletrodiálise”, diz.

    Um passo seguinte no investimento foi tentar nacionalizar ao máximo a EDR. Além da caldeiraria ser feita em Garça, e auxiliares como válvulas e CLPs serem nacionais, hoje o espaçador de polipropileno também é injetado por terceiros no Brasil. A próxima etapa compreenderá a nacionalização das membranas. Por enquanto, cerca de 70% do equipamento é brasileiro. Apenas os eletrodos de titânio com tratamento em platina dificilmente deixarão de vir da Rússia. Continuarão a representar a única prova material da conexão internacional Moscou-Garça.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *