Meio Ambiente (água, ar e solo)

Desinfecção – Alternativas ao cloro melhoram qualidade da água, com segurança

Marcelo Furtado
15 de abril de 2011
    -(reset)+

    química e derivados, tecnologias de desinfecção

    Tabela: Características de desempenho das principais tecnologias de desinfecção – Clique para ampliar

    Um exemplo do que ocorre no Brasil quando há a manipulação de tecnologias um pouco mais avançadas pode ser visto nas estações do Espírito Santo, onde a Trojan tem instalado os quatro equipamentos UV 3000Plus. Apesar de esses sistemas contarem com sistemas automatizados de limpeza, no qual um anel de gel especial desliza pelo revestimento de quartzo das lâmpadas uma vez por dia para manter a operação sob condição ideal, os operadores das plantas resolveram por conta própria remover a limpeza automática, depois de um primeiro problema de manutenção. Isso fez com que as unidades ficassem sem limpeza adequada e, portanto, demandando reparos e trocas de peças de forma desnecessária.

    No momento, a Trojan, em cooperação com a Tree-Bio, está refazendo os sistemas automáticos de limpeza, depois que as unidades capixabas ficaram um bom tempo recebendo apenas uma limpeza manual das lâmpadas uma vez por semana. “Isso vai tornar a desinfecção muito melhor, com custo de manutenção muito menor”, disse Ana Carolina. Além disso, a unidade na ETE Mulembá terá um novo equipamento instalado até o final de 2011, com capacidade para 648 l/s, totalizando uma vazão máxima de 934 l/s.

    Os fornecimentos da Wedeco também têm perfil semelhante aos da Trojan, incluindo os percalços brasileiros. Além de também ter sido fornecedora da malsucedida experiência na Sanepar, a unidade em Porto Seguro, na Bahia, também foi descontinuada depois que o sistema de aeração da estação de tratamento de esgotos quebrou e passou a depender das lagoas facultativas. “Mas outros sistemas fornecidos para a Embasa [a companhia baiana de saneamento] continuam em operação”, revelou Marcos Burbulhan. Estão eles na Praia do Forte, na região de Salvador, em Madre de Deus e em Itacaré.

    Química e Derivados, Marcos Burbulhan, melhorar imagem do UV

    Burbulhan: cuidados para melhorar imagem do UV

    Na Praia do Forte, há uma planta piloto, onde estão sendo feitas medições reais do esgoto para evitar problemas futuros como o de Porto Seguro. “A transmitância está entre 44% e 52%, o que é aceitável. E o esgoto entra com 1 milhão de coliformes fecais por 100 mililitros de água e sai com mil, dentro da especificação”, disse Burbulhan. Em Itacaré, praia badalada próxima a Ilhéus-BA, uma unidade para vazão máxima de 190 m3/h está para ser inaugurada. Segundo o gerente da ITT, por precaução, ela foi superdimensionada para evitar também transtornos futuros. “Se o esgoto sair da especificação, ela tem uma folga para desinfetar dentro do necessário”, afirmou.

    Além dos problemas operacionais, chama a atenção das aplicações brasileiras de UV o relativamente baixo poder de desinfecção necessário para os sistemas operarem no país. Isso porque os padrões de exigências para descartes de esgotos em países desenvolvidos são muito maiores. No Canadá, por exemplo, o parâmetro para descarte de esgoto para coliformes fecais é de 2,2 coliformes fecais/100 ml de água, enquanto no Brasil é de 1000 CF. Isso sem falar que o controle sobre THMs, HAA5 e sobre os microrganismos mais resistentes, como o Cripstoporidium e a Giardia, é muito mais rigoroso.

    Bom futuro – Mesmo com os problemas, os fornecedores dos sistemas de UV não desanimam e acreditam no crescimento do mercado, especificamente na desinfecção de esgotos. Para começar, há várias cotações e concorrências em andamento, como por exemplo nas cidades de Rio Claro-SP, Limeira-SP, Camboriú-SC e em cidades goianas. Só a Trojan, por meio da Tree-Bio, tem em propostas fornecimentos em torno de US$ 15 milhões, segundo revelou Ana Carolina de Freitas. A confiança nas novas vendas se funda principalmente na desinfecção de esgotos em balneários e em fornecimentos para concessionárias privadas de saneamento, visto que grandes companhias estaduais ainda são consideradas como muito “clorodependentes”, a despeito das necessidades técnicas que deveriam incentivar a diversificação no uso de desinfetantes.

    As perspectivas boas para o UV não são apenas para o mercado público. Um setor privado com vários pedidos em andamento é o de bebidas. A empresa TechFilter, de Indaiatuba-SP, representante também da linha da Trojan, sobretudo dos modelos voltados para os clientes industriais (com a marca Aquafine), está aproveitando essa demanda. Segundo revelou o gerente de engenharia da TechFilter, Douglas Moraes, em 2010 foram vendidos 50 equipamentos Aquafine de UV, para vazões médias de 30 a 50 m3/h, para uso em desinfecção final de água utilizada na produção de bebidas. “E pelo ritmo das vendas neste ano esperamos ultrapassar de longe essa marca”, disse Moraes.

    Química e Derivados, desinfecção, Douglas Moraes, TechFilter, uso industrial em crescimento

    Moraes: uso industrial está em plena fase de crescimento

    Os equipamentos de UV para uso industrial são importados do Canadá e, ao contrário dos sistemas para efluentes, são em câmara fechada, onde de três a seis lâmpadas, em cerca de seis segundos de contato, realizam a desinfecção da água anteriormente clorada e desclorada por carvão ativado (para seguir normas das empresas e leis da área). “Aqui na empresa apenas fazemos a montagem final, acoplando alarmes para segurança exigidos por algumas empresas e a estrutura de suporte com quadro de manobras”, complementou Moraes.

    A operação em ambiente industrial é muito menos rústica do que no tratamento de efluentes. Isso porque há uma diferença muito grande na qualidade da água. A transmitância de luz na água exigida para operação com o UV em água de bebidas é de 90%, uma água já bastante tratada. Essa particularidade faz com que o sistema sequer precise de limpeza automática do quartzo que reveste as lâmpadas. “Só é necessária uma limpeza a cada quatro meses”, disse o gerente. De maneira geral, o mercado industrial, segundo Moraes, é muito mais técnico e fácil de operar, o que não impediu, porém, que a TechFilter também se interessasse pelo mercado de saneamento. “A desinfecção de esgotos por UV tem muito futuro e também estamos ofertando os sistemas Trojan para a área”, disse. Por enquanto, a empresa já forneceu um sistema para a cidade de Valparaíso, em Goiás, mas espera para breve fechar outros negócios semelhantes. Assim como os demais fornecedores de sistemas alternativos ao cloro, que aguardam a mudança de mentalidade do saneamento básico nacional.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *