Meio Ambiente (água, ar e solo)

Desinfecção – Alternativas ao cloro melhoram qualidade da água, com segurança

Marcelo Furtado
15 de abril de 2011
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    Nos Estados Unidos, o dióxido de cloro é bastante empregado em estações de tratamento de água potável e tem visto seu uso crescer por causa da maior eficiência desinfetante, em comparação com o cloro, e por oxidar precursores de THMs, gerando níveis muito baixos desses subprodutos orgânicos halogenados, em taxas inferiores ao considerado prejudicial. Gás instável, que pode ser explosivo no ar em concentrações superiores a 10%, ele precisa ser sempre gerado on-site em soluções aquosas imediatamente consumidas, o que também gera cuidados especiais com a segurança ocupacional.

    Segundo Marcelo Ferreira, o dióxido de cloro, por ser gás dissolvido, também tem vantagens similares ao ozônio, como atravessar os substratos que protegem os micróbios, como o biofilme, a corrosão, sólidos em suspensão, gorduras e proteínas, tornando a desinfecção mais efetiva do que a dos ácidos e bases, que atacam apenas a membrana dos microrganismos. “Ele também tem boa eficiência contra algas, apesar de não ser tão bom contra todos os microrganismos como o ozônio, que por sinal ainda combate as toxinas liberadas pelos micróbios responsáveis por odor e gosto na água”, explicou Ferreira. Bom acrescentar, aliás, que a literatura técnica afirma que o dióxido de cloro, como residual desinfetante, tem o problema de deixar odor e gosto um pouco acentuados.

    UV – Uma etapa em que o cloro tem grande potencial de ser substituído por tecnologias alternativas é na desinfecção final de efluentes industriais ou (e principalmente) os domésticos. A motivação para isso é de fácil compreensão: nessa fase, descartar os efluentes em corpos d’água com dosagens altas de cloro (que também demandam descloração) pode ser prejudicial e, ainda, não eficiente, tendo em vista que vários microrganismos importantes não são eliminados com o cloro.

    Nessa etapa, uma tecnologia com uso muito promissor é a de radiação de luz ultravioleta, muito adotada em estações de tratamento de esgoto no Canadá, Estados Unidos e na Europa e com alguns casos recentes de instalações no Brasil. A tecnologia UV, com a vantagem de não usar nenhum insumo químico no tratamento, expõe os micróbios a uma energia germicida emitida por lâmpadas de ultravioleta com comprimento de onda de 253,7 nanômetros. Essa radiação modifica o DNA das células dos contaminantes, desde bactérias e vírus até algas, impedindo que eles se reproduzam e tornando assim a água desinfetada.

    Química e Derivados, desinfecção, Skid gerador de UV da ETE de Vitória-ES

    Skid gerador de UV da ETE de Vitória-ES

    No Brasil, há casos recentes em desinfecção de esgoto e as perspectivas são consideradas boas por fornecedores da área. Uma das maiores empresas do setor, a canadense Trojan, conta com representantes no país e tem visto potencial nessa aplicação em esgotos municipais, principalmente em virtude dos investimentos em saneamento em ascensão. Por enquanto a empresa tem quatro unidades instaladas no Espírito Santo e está instalando mais dois sistemas em Guarulhos-SP.

    As do Espírito Santo, em unidades sob concessão privada da Foz do Brasil (grupo Odebrecht), já estão em operação desde 2003: na ETE Mulembá, em Vitória, com capacidade máxima para desinfetar 286 litros por segundo e 96 lâmpadas; na ETE Bandeirantes, em Cariacica, 182 l/s, com 80 lâmpadas; na ETE Araçás, em Vila Velha, 559 l/s e 160 lâmpadas; e na ETE Aeroporto, em Guarapari, para tratar 212 l/s e com base instalada de 56 lâmpadas. Em Guarulhos-SP, as unidades atendem aos pedidos da autarquia municipal, em fase final de partida, nas novas e primeiras estações de tratamento de esgoto: a São João e a Bom Sucesso. A primeira foi projetada para capacidade máxima de 200,4 l/s, com base instalada de 48 lâmpadas (expansível para 120); a segunda, para 286 l/s e 56 lâmpadas (expansível para 184).

    Química e Derivados, Ana Carolina de Freitas, Tree-Bio, Estados usam mais UV

    Ana Carolina: Estados limitam o cloro e usam mais UV

    De acordo com Ana Carolina de Freitas, diretora da Tree-Bio, principal representante da Trojan na área de saneamento, o caso do Espírito Santo reflete uma tendência que pode em breve ser mais visível no Brasil. “Alguns estados estão exigentes com descartes em balneários e proibindo a cloração final dos esgotos e exigindo uma desinfecção mais eficiente”, disse. Isso fez com que houvesse também unidades de UV em outras praias do nordeste brasileiro, na Bahia e no Rio Grande do Norte.

    Essas obras são vistas pelos fornecedores como o novo cartão de visitas da tecnologia de UV em saneamento no Brasil, depois que algumas unidades compradas anteriormente pela companhia de saneamento do Paraná (Sanepar), por não terem sido bem operadas, foram descontinuadas. “O pré-tratamento, um sistema anaeróbico e lagoas facultativas, não foi bem dimensionado pela estatal paranaense. E o UV demanda um efluente com transmitância de luz de 50% e nível de sólidos suspensos de no máximo 20 mg/l”, explicou Marcos Burbulhan, gerente de desenvolvimento da ITT Water & Wastewater Brasil, empresa americana proprietária da alemã Wedeco, a outra grande fornecedora de sistemas de UV.

    O ocorrido no Paraná, onde duas unidades de UV foram compradas em estações de tratamento de esgotos novas (uma da Wedeco na ETE Padilha Sul e outra da Trojan na ETE CIC Xisto) e logo depois sucateadas, repercutiu mal no país. Mas o fato reflete apenas o descaso com o dinheiro público e não a deficiência da tecnologia, que funciona sem problemas em milhares de unidades pelo mundo. “Para evitar isso, hoje em dia estamos muito rigorosos com testes piloto e procurando adaptar os fornecimentos ao nível técnico-operacional não muito alto do país”, disse Ana Carolina, da Trojan. Da mesma opinião compartilha Marcos Burbulhan, da Wedeco. “Estamos muito cuidadosos e exigindo o máximo de informações dos clientes”, disse.



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