Meio Ambiente (água, ar e solo)

Desinfecção – Alternativas ao cloro melhoram qualidade da água, com segurança

Marcelo Furtado
15 de abril de 2011
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    No Brasil, os poucos casos de substituição à cloração acompanham a tendência de sinergia, com a utilização das tecnologias alternativas em algumas etapas do tratamento. Um exemplo ocorre na Sanasa, de Campinas-SP, que usa cloro gás e amônia (cloroamoniação) para desinfecção de água de abastecimento, para assim gerar cloraminas como residual não precursor de THMs (ver QD-497). E há ainda outros casos com tecnologias diferentes, como os recentes fornecimentos da alemã Evonik, produtora de peróxido de hidrogênio que nos últimos anos passou a vender este oxidante para aplicações no mercado de água. Segundo revelou a engenheira de desenvolvimento de mercado da Evonik, Regina Kawai, a empresa conta com clientes que substituíram o cloro pelo H2O2 na pré-oxidação ou na captação de água de abastecimento dentro de represas.

    “Além de não formar os triahalometanos, o uso do peróxido de hidrogênio, um gás dissolvido em água, combate as algas verdes e azuis, as cianobactérias, que liberam composto de odor e gosto na água”, disse Regina. Este último problema, não custa lembrar, é muito frequente na região metropolitana de São Paulo, cuja represa do Guarapiranga, utilizada como fonte de captação na zona sul da cidade, tem muita ocorrência dessas algas formadas pelo excesso de poluição doméstica.

    Química e Derivados, desinfecção, Regina Kawai, Evonik, peróxido abate algas

    Regina: peróxido também abate as algas nos reservatórios

    Nesses casos de fornecimentos, continuou Regina, há empresas que preferiram usar o peróxido de hidrogênio apenas na represa, para ressaltar sua capacidade de combate às algas e mantendo o cloro na pré-oxidação feita na entrada da estação, e outras que substituíram o cloro totalmente na etapa inicial. “Fizemos um teste comparativo e chegamos à conclusão de que usar o peróxido de hidrogênio na pré-oxidação diminui bastante a necessidade de cloro na pós-oxidação final da água de abastecimento”, complementou.

    Menos cloro – Além de não formar os subprodutos, de forma geral é este o grande benefício de usar as tecnologias alternativas: diminuir a necessidade de cloro, principalmente aquele em forma de gás, cuja manipulação é de alto risco de segurança, deixando a cloração residual a cargo da forma líquida de hipoclorito de sódio, dosada em quantidades muito menores depois da desinfecção.

    Compartilha dessa opinião Marcelo Ferreira, gerente técnico da Prominent, empresa de origem alemã com portfólio completo de sistemas de desinfecção e oxidação, desde sistemas de cloração on-site, passando por geradores de dióxido de cloro e ozônio até equipamentos de UV. “Em qualquer processo de desinfecção correto, a combinação é fundamental”, disse Ferreira. “Com o ozônio, por exemplo, um dos mais eficientes sistemas de oxidação, o ideal é utilizá-lo primeiro,para depois passar a água desinfetada por carvão ativado para remover o seu residual e, por fim, dosar uma quantidade mínima de cloro para evitar que novas colônias se formem”, disse. É este o tratamento, por exemplo, responsável pelo condicionamento de águas de piscinas olímpicas, feitas com tecnologia da Prominent.

    Química e Derivados, Marcelo Ferreira, Prominent, oxidante ataca microorganismos

    Ferreira e o gerador de ozônio on-site (abaixo): oxidante ataca todos os microorganismos

    Justamente por contar com linha completa de sistemas para desinfecção, o gerente acredita que todas as tecnologias precisam ser ponderadas de acordo com suas qualidades. O ozônio, para começar, embora tenha seu uso em ascensão, precisa ter levado em conta o seu alto custo. “Mesmo assim, bem empregado, ele pode ter muitas vantagens, porque é eficiente contra todos os microrganismos, ao contrário do cloro, que não é eficiente contra alguns cistos e vírus em geral”, disse.

    O ozônio é mais eficiente na destruição da microbiota da água, assim como outros gases dissolvidos em água, como o peróxido de hidrogênio e o dióxido de cloro, segundo explicou Marcelo Ferreira. “Como gases, eles têm mais capacidade de penetração do que os biocidas ácidos e básicos. Eles conseguem destruir os biofilmes que as bactérias usam para se proteger e atacam os microrganismos mais resistentes, como o Cripstoporidium e a Giardia, e as algas”, disse. Outra vantagem é o fato de não reagirem com a água, formando subprodutos. Apenas o dióxido de cloro forma quantidades irrisórias dos THMs.

    Particularidades– E até dentro desse universo dos gases dissolvidos haverá as particularidades a serem consideradas, conforme explicou o gerente da Prominent. O dióxido de cloro, por exemplo, tem maior estabilidade do que o ozônio, podendo ficar mais presente numa rede de abastecimento, ao contrário do O3, que precisaria ser injetado em vários pontos da rede. Apesar disso, o uso do ozônio para água potável tem crescido muito nos Estados Unidos e na Europa, em razão de seu alto poder de desinfecção.

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    gerador de ozônio on-site:

    Uma grande vantagem do ozônio é o fato de ele ser gerado na estação de tratamento, por meio de equipamento tubular por onde o ar seco filtrado ou o oxigênio puro recebe alta voltagem. Essa energia faz o oxigênio se recombinar pela reação 3O2 → 2O3. Ele desinfeta ao oxidar as paredes celulares dos microrganismos, o que provoca a desintegração (lise celular). Isso é muito diferente do mecanismo de oxidação do cloro, o qual faz as células ficarem suscetíveis ao ataque enzimático. Por essa razão, a desinfecção do ozônio é muito mais rápida do que a do cloro, eliminando o Escherichia Coli em até 3 mil vezes menos tempo do que o cloro.

    O dióxido de cloro, mais usado no Brasil em aplicações industriais, como no condicionamento de águas de sistemas de resfriamento, também tem a vantagem de ser gerado on-site por meio de dois tipos de rotas químicas: a do clorato de sódio ou pelo clorito de sódio. Ambos os geradores são fornecidos pela Prominent para empresas como a Eka Chemicals, que gera o dióxido de cloro com a reação de uma solução de clorato de sódio, peróxido de hidrogênio e estabilizadores com o ácido sulfúrico, e para a Clariant, que usa a rota do clorito de sódio com o ácido clorídrico.



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