Indústria Química

Desemprego – Indústria química amplia demissões – Crise

Marcelo Fairbanks
11 de fevereiro de 2002
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    Duque Estrada, pela Abiquim, justifica a necessidade de investimentos para manter a competitividade do setor e ajudar a equilibrar a balança comercial do País, uma vez que é crescente o déficit químico. “O governo nos pede para exportar, mas isso só pode ser feito se houver excedentes de produção”, comentou. “Em 2001, a ocupação da capacidade setorial caiu, por força da crise de eletricidade e da conjuntura mundial.” Munido das estatísticas da associação, ele atesta a queda do nível de emprego do setor. “As empresas, desde 1990, buscam reduzir custos e ampliar a escala de produção, muitas vezes por meio de fusões e aquisições”, disse. No entanto, esses movimentos não afetam mais a área de produção, que já opera com quadro funcional mínimo. “Os setores ligados à administração das companhias deve ser mais afetado daqui para a frente”, prevê.

    Na opinião de Duque Estrada, as empresas seguiram métodos diferentes de reengenharia, provocando a reavaliação das funções de cada funcionário. Em alguns casos, os cortes foram excessivos, sobrecarregando alguns níveis gerenciais. “Elas não fizeram isso por vontade, mas por necessidade de sobrevivência”, salienta o diretor-executivo. Porém, com isso, esse nível funcional está há anos atuando sem contar com intervalos para aprimoramento profissional. “Isso pode comprometer os planos de sucessão interna”, adverte.

    Qualificação – “A indústria química tem a responsabilidade de formar a sua mão-de-obra em todos os níveis”, afirmou José Simantob Neto, assessor da comissão de desenvolvimento de recursos humanos e do programa de qualidade (Qualiquim), mantidos pela Abiquim. Desde 1999, a associação criou um programa de cursos com ênfase em duas áreas-chave: comércio exterior e saúde, segurança, meio-ambiente e qualidade (no âmbito do programa de Atuação Responsável). “Notamos que as pequenas e médias empresas do setor não tinham cultura exportadora e precisavam de algum suporte para criá-la”, explicou. Na área, são oferecidos cursos rápidos, de 8 horas, de alcance geral sobre o tema, além de um curso mais profundo, de 24 horas de aula, incluindo uma parte aplicada de conhecimentos. “Todos são ministrados por especialistas da Secretaria de Comércio Exterior e altamente capacitados”, comentou Simantob. Durante 2002, a Abiquim desenvolverá um programa com 28 cursos, de vários formatos. A programação está disponível no site www.abiquim.org.br.

    Além disso, a entidade setorial repetirá, pela segunda vez, a parceira com a Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EQ-UFRJ) para oferecer em São Paulo o curso de pós-graduação lato sensu em Gestão Tecnológica para a Indústria Química (Getiq), ministrado no formato dos cursos de Master in Business Administration (MBA). O Getiq foi criado pela EQ-UFRJ em conjunto com o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), em 1998. Desde 2000, a Abiquim passou a oferecer suas instalações e infra-estrutura para a realização do curso em sua sede, com custo reduzido. “Trinta e três profissionais do setor já se aperfeiçoaram nas duas turmas organizadas em São Paulo”, informou Simantob. Atualmente, está sendo formada uma nova turma. Os interessados podem encontrar informações no site da Abiquim.

    A maneira como o curso está estruturado facilita a presença dos alunos. “As aulas são ministradas sempre nas sextas-feiras”, comentou. Isso evita perda de tempo e despesas com deslocamentos. A Abiquim está estudando também a possibilidade de criar cursos não-presenciais, via internet. “A Petrobrás tem larga experiência com isso, principamente com o pessoal das plataformas off shore e os que trabalham em locais isolados, como a Amazônia”, informou Duque Estrada, embora prefira os cursos presenciais.

    Preocupação mais recente da entidade está ligada à formação de operadores para o setor. “Estamos estudando uma linha de cursos para eles, principalmente na área de saúde, segurança e meio-ambiente, tendo em vista as exigências de Atuação Responsável”, disse Simantob. Segundo ele, na Bahia existe o programa Edumax para qualificação de pessoal, com bons resultados.

    A maior preocupação dos gerentes de RH das companhias químicas reside em encontrar, treinar, desenvolver e manter talentos dentro das suas organizações. Em todo o mundo, a indústria química perdeu atratividade para novos profissionais, principalmente para as empresas da chamada nova economia. “Estamos atuando junto às universidades para mostrar aos jovens o que é a indústria química hoje, aproximando-os do setor”, explicou Duque Estrada. Há três anos, a Abiquim mantém, com o apoio do Centro de Integração Escola Empresa (CIEE), um programa de levar estudantes universitários para passar um dia inteiro na entidade, participando de palestras sobre o setor, voltadas a explicar como encontrar informações sobre produtos e processos, e também ressaltar a importância da Química no dia-a-dia de qualquer pessoa. Isso é feito para diferentes grupos, três vezes por ano. Além disso, a entidade participa de diversas apresentações em faculdades.

    Ao mesmo tempo, a Abiquim apoiou o desenvolvimento de uma modalidade de formação de engenheiros químicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Pelo sistema cooperativo, o programa prevê ciclos quadrimestrais, em lugar dos semestrais tradicionais. Cada aluno fica quatro meses na faculdade e quatro meses em alguma indústria, realizando estágio supervisionado em período integral. “As indústrias reclamavam da descontinuidade dos trabalhos, que ficou resolvida agora, pois cada aluno que volta às aulas passa o serviço para outro que inicia o estágio”, explicou Simantob, que coleciona ampla correspondência de apoio à iniciativa, tanto por parte das indústrias do setor, quanto da universidade.



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