Indústria Química

Desemprego – Indústria química amplia demissões – Crise

Marcelo Fairbanks
11 de fevereiro de 2002
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    Toda a Bayer está em fase de reestruturação. As atuais doze áreas de negócios devem dar origem a um número bem menor de divisões, com grau de autonomia mais elevado, embora ainda sejam umbilicalmente ligados à Bayer.

    Química e Derivados: Desemprego: emprego5.“Algumas atividades, como a de aromas, serão vendidas”, disse Pohl. Em contrapartida, a Bayer vai incorporar a partir de abril a Aventis Cropscience, gerando a segunda maior empresa produtora de agroquímicos do mundo, denominada Bayer Cropscience. Essa divisão deve ganhar, em breve, a companhia das divisões Bayer Health e da Bayer Polychem. No Brasil, o nível de empregos deverá ficar estabilizado nos atuais 2,6 mil profissionais.

    Competitividade global – Também por parte da Basf, a busca de melhor condição competitiva justificou o fechamento da unidade de São Caetano do Sul-SP. “Temos duas grandes fábricas de pigmentos inorgânicos na Alemanha que podem abastecer o mercado latino-americano sem dificuldades”, afirmou Michael Hepp, diretor da unidade de negócio regional de performance chemicals na América do Sul. “Os clientes não encontrarão mudança de qualidade, nem de preços.” Isso, segundo ele, porque grande parte das matérias-primas para a fabricação dos pigmentos, responsáveis por quase 70% do preço final, já era importada.

    Embora o encerramento de atividades esteja marcado para o final de março, a Basf já conta com estoques importados suficientes para atender a quase dois meses de vendas. “Temos de 500 a 600 t produtos em um entreposto alfandegado, garantindo o atendimento aos nossos clientes”, afirmou Harry Heise, gerente do departamento de tintas, vernizes, plásticos e especialidades da área de performance chemicals na América do Sul. As áreas de assistência técnica e de vendas não serão afetadas pelo fechamento da produção local.

    A Basf pretende vender o terreno, após uma etapa de limpeza do site. “Não há nenhum problema ambiental pendente em relação a resíduos da produção de cromato de chumbo”, salientou Hepp, descartando qualquer motivação de cunho ambiental para o encerramento da produção. “Foi apenas uma decisão econômica.” A limpeza se justifica pelo fato de as instalações terem abrigado, no passado, parte da produção de agroquímicos.

    Dos 92 trabalhadores da fábrica, a própria Basf pretende absorver oito em outras unidades. Outros 20 (aproximadamente) não se interessaram por novas colocações profissionais, devendo aposentar-se ou montar negócios próprios. A companhia consultou fornecedores, clientes e prestadores de serviços, identificando 12 vagas que podem ser ocupadas pelos demitidos. Os demais receberão auxílio de uma consultoria (contratada pela Basf) para encontrar novas colocações no mercado. Todos receberão direitos trabalhistas, além de compensação adicional, definida em acordo firmado no início de março com o sindicato.

    Química e Derivados: Desemprego: emprego6Os representantes sindicais confirmam a celebração de acordo com a companhia, mas destacam que os benefícios negociados foram menos interessantes que os alcançados no caso da Rhodia. Segundo Nilton Freitas, o acordo prevê um bônus de valor fixo de R$ 1,4 mil para cada trabalhador, mais 0,2 vezes a remuneração mensal por ano de casa. O convênio médico foi estendido por seis meses, enquanto o odontológico valerá por mais um ano. “Como a média salarial desse pessoal era relativamente baixa, por volta de R$ 900, a recolocação no mercado de trabalho não deve ser muito difícil”, comentou Freitas, comparando com o caso da Rhodia Acetow.

    Elogiável foi a atitude de anunciar com 90 dias de antecedência o fechamento da unidade produtiva. “Isso decorre de um acordo da Basf com seus trabalhadores em âmbito da América do Sul, acertado em novembro passado, em reunião da qual participou inclusive o sindicato de trabalhadores químicos da Alemanha”, explicou o assessor. A presença do sindicato alemão na negociação pode ser entendida como exemplo de solidariedade internacional dos trabalhadores. “Existe um trabalho efetivo na direção do sindicato global”, comentou Freitas. “Já superamos a fase de trocar cartinhas de apoio; hoje temos apoio real no dia-a-dia das atividades.”

    A antecipação do anúncio de demissões coletivas já é usual na Alemanha, segundo Freitas. Ela previne situações constrangedoras, como o caso do funcionário da Acetow que contraiu dívida pouco antes de ser demitido. Também oferece mais tempo ao trabalhador para encontrar outra colocação ou a planejar melhor a sua vida. “Isso poderá virar uma proposta para futuras negociações coletivas da categoria”, afirmou Osvaldo Bezerra, diretor da CNQ, embora manifeste a preferência pela manutenção dos postos de trabalho. “O sindicato luta pela transição justa, ou seja, não queremos que o trabalhador ‘pague o pato’ sozinho”, disse Freitas.

    A análise sindical do problema da competitividade nacional se aproxima do diagnóstico feito pela Abiquim: o setor químico precisa de investimentos em novas capacidades produtivas. “Tirando 2001, que foi atípico, nos anos anteriores a indústria química ocupou mais de 90% de sua capacidade”, disse Nilton Freitas. Além de ampliar as unidades, ele considera importante renovar o parque produtivo. “As fábricas estão envelhecendo, embora tenham feito esforços para modernizar a instrumentação de controle e a automação.”

    Quanto à atualização tecnológica, Bezerra critica o modo como esses investimentos foram conduzidos no País. “O BNDES começou a liberar dinheiro para o setor depois de 1994, a título de reequipamento e pesquisa, mas o resultado foi a automação das linhas produtivas, que permitiu a demissão do pessoal de fábrica”, criticou. “O BNDES investiu no desemprego.”



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