Indústria Química

Desemprego – Indústria química amplia demissões – Crise

Marcelo Fairbanks
11 de fevereiro de 2002
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    Química e Derivados: Desemprego: emprego2O relatório do Icem aponta e critica as principais diretrizes adotadas pelas companhias internacionais (fusões e incorporações, recompra de ações, seleção das linhas mais rentáveis e exploração de novas regiões geográficas). Ao final do relatório, a entidade sindical reservou uma crítica aos principais executivos mundiais do setor, cujas remunerações pessoais não guardam proporcionalidade com o desempenho financeiro das companhias que dirigem.

    Preocupação social – O fechamento súbito da unidade de acetato de celulose da Rhodia (Acetow) no dia 13 de dezembro, em Santo André-SP, acendeu a luz amarela no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Similares do Grande ABC e das entidades congêneres filiadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT), nas demais bases geográficas. “A decisão de fechar foi abrupta, pegou os trabalhadores de surpresa”, comentou Nilton Freitas, assessor da diretoria do sindicato. “Houve até o caso de um dos demitidos, que havia fechado, naqueles dias, um contrato de empréstimo junto à cooperativa da Rhodia para comprar uma casa”, disse Osvaldo Química e Derivados: Desemprego: emprego3Bezerra, diretor da Confederação Nacional dos Químicos e também do sindicato dos químicos em São Paulo.

    A resposta sindical foi a greve e ocupação da fábrica. A perda de 169 postos de trabalho qualificados, com média salarial por volta de R$ 2 mil, significou impacto elevado inclusive nas finanças de Santo André-SP. A ponto de o então prefeito Celso Daniel (seqüestrado e morto dias depois) ter visitado o local e participado das negociações com a empresa. “O ideal era manter todos os empregos, mas, dadas as circunstâncias, conseguimos um acordo favorável aos trabalhadores”, explicou Nilton Freitas.

    Dos 169 demitidos, 19 foram recolocados dentro da própria Rhodia. Os demais receberão todos os direitos trabalhistas, acrescidos de 0,6 vezes a remuneração total mensal por ano de casa, mais duas remunerações integrais para cada demitido. O convênio médico será mantido durante um ano, para todos. Além disso, trabalhadores que contribuíam para o plano de aposentadoria complementar do Química e Derivados: Desemprego: emprego4sindicato e que estivessem a três anos de completar o tempo necessário para solicitar o benefício, terão as parcelas de contribuição bancada integralmente pela empresa. Em etapa posterior, quem estivesse a cinco anos da aposentadoria também foi contemplado com três anos de contribuição bancados pela Rhodia.

    Por fim, a empresa se comprometeu a custear um curso de treinamento de operadores petroquímicos a ser dado pelo Senai, com conteúdo a definir em conjunto pelo sindicato e pela empresa. “A idéia é preparar esse pessoal, que já é qualificado, para atuar em unidades petroquímicas”, comentou Freitas. Ele reconhece a dificuldade de encontrar postos de trabalho disponíveis nessa faixa salarial. O acordo foi finalizado em 23 de dezembro.

    Segundo a Rhodia, a unidade Acetow, com capacidade para 14 mil t/ano de acetato de celulose para a produção de filtros de cigarro era pequena demais para tornar a operação viável. A superoferta mundial do produto, importado com alíquota de apenas 5%, justifica a importação do insumo para alimentar a produção dos filtros.

    Em janeiro, foi a vez de Bayer e Basf dispararem o alarme da confederação dos químicos. A Bayer anunciou para agosto a interrupção dos trabalhos de polimerização das resinas acrilonitrila butadieno estireno (ABS) e estireno acrilonitrila (SAN), realizados na unidade de Camaçari-BA, comprada há cinco anos do

    Química e Derivados: Desemprego: Freitas - trabalhador não quer mais 'pagar o pato' sozinho.

    Freitas – trabalhador não quer mais ‘pagar o pato’ sozinho.

    grupo Proquigel. Nesse casos, dos duzentos postos de trabalho, restarão apenas 50, voltados para a produção de compostos dessas resinas, que passaram a ser importadas. Já a Basf, anunciou para 31 de março o fechamento do site de São Caetano do Sul-SP, onde são produzidos os pigmentos inorgânicos (cromatos e molibdatos de chumbo), dispensando 92 trabalhadores.

    “Vamos manter apenas a produção de compostos, fabricados segundo especificações dos clientes locais”, explicou o gerente de comunicação social da Bayer no Brasil Eckard Pohl. A polimerização das resinas tem capacidade nominal para 40 mil t/ano, mas só estava operando na faixa de 28 mil t/ano. Segundo Pohl, a Bayer detém 40% do mercado latino-americano de ABS/SAN, estimado em 60 mil t/ano. “Mas estávamos perdendo terreno para concorrentes que importavam resinas com preços mais baixos”, afirmou. A produção de Camaçari não era competitiva, principalmente por falta de escala, pois as indústrias asiáticas análogas operam a 100 mil t/ano. “Apenas uma de nossas unidades na Alemanha pode fazer 150 mil t/ano dessas resinas, com custo 80% mais baixo que no Brasil”, afirmou.

    Pelas estimativas da Bayer, só em 2008 o mercado local deverá chegar a 100 mil t/ano de consumo das resinas, justificando a instalação de nova unidade. “A fábrica de Camaçari não suporta ampliações, teria de ser totalmente substituída”, disse Pohl. Quando a unidade foi adquirida, nos tempos de mercado fechado, ela atendia a 80% do mercado nacional. O negócio representou investimento de US$ 40 milhões.

    Pohl salienta que toda a área de plásticos de engenharia da Bayer foi reestruturada, de modo a tornar-se ainda mais competitiva, além de homogeneizar os padrões de qualidade. “Infelizmente, a polimerização de Camaçari, embora tenha melhorado muito, ainda não atingia o padrão desejado pela companhia”, afirmou. Um outro problema da unidade diz respeito a toda a cadeia produtiva petroquímica. “O preço dos monômeros no Brasil é muito mais alto que no exterior”, disse. “Isso faz a diferença.”



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