Meio Ambiente (água, ar e solo)

Deságue de Lodo – Fornecedores de sistemas para deságue de lodo vivem era de grandes projetos, com obras em saneamento e na Petrobras

Marcelo Furtado
17 de outubro de 2009
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    Com esse cenário, há quem considere irreversível a tendência de diminuir cada vez mais o volume do lodo, por meio principalmente de sistemas de secagem térmica, capazes de desaguar o lodo até o percentual de 95%. A Sabesp, por exemplo, estuda profundamente o assunto, chegou até a montar um plano diretor com esse propósito, e tem um secador instalado na ETE São Miguel, que já operou, mas encontra-se atualmente parado por uma questão de desentendimento contratual com a fornecedora da planta, a empresa de engenharia Veolia. O imbróglio entre as duas empresas rende um longo processo judicial. Por estar sub judice, a Sabesp se nega a dar detalhes sobre o ocorrido. A única informação prestada é de que o equipamento (da belga Seghers) secaria o lodo das ETEs de São Miguel, Suzano e Parque Novo Mundo. No mercado, porém, corre a notícia de que o equipamento não atende às especificações técnicas originais do projeto, o que não garantiria uma operação segura (é bom ressaltar que a secagem de lodo, com alto poder calorífico, cria naturalmente condições de explosividade).

    Química e Derivados, Secador desativado, Saneamento

    Secador desativado trataria todo o lodo de três ETEs da Sabesp

    Embora em São Paulo a secagem de lodo ainda seja um plano possível, há outros exemplos no país já em operação. Na companhia estadual do Rio de Janeiro, a Cedae, há seis secadores instalados, todos eles fornecidos pela Pieralisi, que possui unidade fabril de secadores na Espanha. Segundo a diretora Estela Testa, quatro estão em operação: desde janeiro de 2009 na ETE Alegria e em junho na ETE Barra. Há ainda outros instalados nas ETEs Pavuna, Sarapuí e São Gonçalo. Apenas está parado o da estação da Ilha do Governador, pois neste a companhia está adaptando o uso do biogás gerado nos digestores para substituir o gás natural.

    O equipamento de secagem da Pieralisi possui tecnologia desenvolvida pela filial espanhola, onde a aplicação é bastante difundida e conta com mais de 80 instalações. Trata-se de sistema de troca direta, com chama direta e troca térmica por convecção. Operando com queimador a 800ºC, alimentado por qualquer tipo de combustível, o resíduo segue primeiramente para a câmara de combustão, onde um cilindro incorporado, de diâmetro maior, cria isolamento e resfriamento com circulação forçada de ar, efetuada por eletroventilador. Esse fluxo de ar proporciona a combustão.

    Após isso, em uma pré-câmara, há a passagem dos gases e a regulação da temperatura, com a entrada de ar, que a diminui para cerca de 450ºC, permitindo a ida do lodo à câmara de secagem (tambor rotativo), onde sua umidade cai para 5% a 10%. Os gases seguem para lavadores e, segundo estudos com os primeiros casos no Brasil, atendem às normas mais rigorosas de material particulado, com 10 ppm, abaixo dos 50 ppm exigidos por lei europeia, e de óxidos de nitrogênio, com 140 ppm, abaixo dos 500 ppm da norma alemã. Com teor de sólidos secos de até 90%, os lodos tratados pelos secadores no Rio são doados para agricultores, para uso como fertilizantes, atendendo à resolução 375 do Conama que disciplina a atividade.

    Leito fluidizado – Há outros competidores de olho no possível despertar do mercado de secagem térmica de lodo. A alemã Andritz Separation, também fornecedora de decanters, conta com uma linha completa de sistemas de secagem térmica, bastante empregados mundialmente, e trabalha com a possibilidade de iniciar no médio prazo as vendas nessa área, apesar de ainda não ter comercializado nenhum secador no Brasil. “O nosso equipamento segue padrões mais rigorosos de segurança, com circuito fechado e atmosfera controlada; por isso, é um pouco mais caro. Mas, quando esse mercado deslanchar no
    país, haverá espaço para nós também”, afirmou o diretor de processos térmicos da Andritz, Sérgio Costa.

    Química e Derivados, Sérgio Costa, Diretor de processos térmicos da Andritz, Saneamento

    Sérgio Costa planeja vender secador de leito fluidizado no Brasil

    Segundo Costa, apesar de contar com três tipos de sistemas – secador rotativo, de esteira e de leito fluidizado –, a intenção é divulgar mais no Brasil esta última tecnologia. Isso porque em primeiro lugar a filial brasileira, com fábrica em Pomerode-SC, está mais acostumada a fabricar os secadores de leito fluidizado para operações de processo industrial. E, em segundo, porque se trata de sistema estático em que as chances de acidente são menores. “E, além disso, controlamos o nível de oxigênio dentro do forno, que tem limite máximo de 8% para evitar explosão”, afirmou.

    O secador de leito fluidizado é composto por três seções diferentes. No plenum de ar, a parte inferior do equipamento, há uma chapa perfurada onde é injetado gás de fluidização. A seção intermediária é equipada com trocadores de calor, que são alimentados por fluidos térmicos a 220ºC (vapor ou óleo) usados para secar o lodo em grânulos secos. E, por fim, há o capô de exaustão, onde se separa o gás – arrastado por cima do leito com os pós fi nos e a umidade evaporada – dos granulados secos, que saem por uma saída na lateral do leito, com uma faixa de 90% a 95% de sólido.

    Química e Derivados, Sistema de secagem em leito fluidizado, Saneamento

    Sistema de secagem em leito fluidizado. Clique para ampliar.



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