Meio Ambiente (água, ar e solo)

Deságue de Lodo – Fornecedores de sistemas para deságue de lodo vivem era de grandes projetos, com obras em saneamento e na Petrobras

Marcelo Furtado
17 de outubro de 2009
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    Apesar de operar de forma eficiente, e com capacidade para suportar 100% da geração, a estação em períodos de muita chuva não suporta uma geração até cinco vezes maior de lodo. “Nesses picos pontuais, somos obrigados a fechar a entrada na unidade de deságue e deixar o lodo seguir para o rio”, explicou. Para melhorar a operação, até o fi nal do ano devem começar as obras de ampliação da ETA, quando as três centrífugas serão substituídas por quatro novas, cada uma delas capaz de gerar 1.500 kg/h de sólidos secos e para vazões de até 75 m3/h.

    Com investimento total de R$ 4,6 milhões – 60% são recursos provenientes do plano de cobrança pelo uso da água gerido pelo comitê de bacia da região de Piracicaba, Capivari e Jundiaí –, as obras de reforma e ampliação ainda envolverão a inclusão de um gradeamento de areia e fi no anterior à centrifugação, para diminuir o desgaste nas máquinas. E também contemplará a instalação de um galpão de secagem de lodo, que usará a energia solar para elevar até 60% o teor de sólidos secos do lodo e assim reduzir o valor do descarte em aterro.

    Química e Derivados, Sidnei Lima Siqueira, Coordenador do setor de ETAs da Sanasa, Saneamento

    Sidnei Lima Siqueira: unidade vai ter secagem por energia solar

    No plano geral da Sanasa, segundo revelou Siqueira, a idéia é fazer nas outras ETAs, 1 e 2, que ainda não tratam os lodos, um projeto de interligação desses lodos para serem tratados em ETEs da Sanasa, que já possuem expertise e estrutura para deságue. “Nesses casos, fi ca mais fácil centralizar o tratamento, misturando os dois lodos e dando o mesmo destino a eles”, explicou.

    Nas ETEs – A ideia de aproveitar o expertise das ETEs para fazer o deságüe de lodos de ETAs é compartilhada pela maior companhia estadual de saneamento do país, a Sabesp, de São Paulo. De acordo com o gerente de operação e manutenção da ETE São Miguel, Helvécio Carvalho de Sena, apesar de a companhia ter estações de desidratação de lodo em ETAs, como as de Taiaçupeba e de Cubatão, o plano é concentrar essas operações em suas ETEs, onde há anos a empresa realiza o deságue em filtros-prensa e decanters e, portanto, possui know-how suficiente para aumentar sua responsabilidade.

    Segundo Sena, está praticamente certo, por exemplo, que o lodo da ETA do Alto da Boa Vista será tratado na ETE Barueri, mesmo destino que deve ter o gerado na ETA Guaraú. “Onde for possível, a Sabesp fará um interceptor para levar os lodos das ETAs para uma ETE”, explicou o gerente. A centralização da operação, além de reduzir custos, pula a necessidade de adaptação dos profissionais das ETAs para a nova fase do tratamento, deixando a cargo de pessoas já bastante habituadas ao deságüe de lodo em ETEs. É bom lembrar que algumas ETEs de São Paulo, como a de Suzano e de Barueri, já realizam o ofício há mais de vinte anos, desde quando foram fundadas.

    Química e Derivados, Helvécio Carvalho de Sena, Gerente de operação e manutenção da ETE São Miguel, Saneamento

    Helvécio Carvalho de Sena: Sabesp planeja tratar lodos das ETAs nas ETEs

    Para o gerente operacional da ETE São Miguel, que também já exerceu o cargo na maior estação do Brasil e uma das maiores do mundo, a de Barueri, não há grandes inconvenientes em receber lodo de ETAs nas estações de tratamento de esgoto. O único problema é a grande oscilação de concentração de sólidos dos lodos nas mesmas bateladas, que podem variar de 0,1% até 3%. Mas isso é facilmente resolvido com um tanque de equalização na ETA anterior à entrada no interceptor. Padronizado, o lodo chegaria na ETE e seguiria a mesma rota de tratamento hoje utilizada em todas as estações da Sabesp.

    O tratamento-padrão das estações da Sabesp é mandar o lodo biológico dos decantadores primários para os digestores anaeróbicos, onde as bactérias quebram a cadeia orgânica reduzindo o volume com eficiência de 40%. Isso significa que, de cada 100 t de lodo, 40 t vira biogás, que hoje ainda é queimado em fl ares. Depois do digestor, o lodo mineralizado (a 4% de sólidos em média) segue para um tanque onde recebe os coagulantes, normalmente o cloreto férrico, “por ter carga bastante positiva, ao contrário do lodo estável”, segundo ressaltou Helvécio Sena. Após isso, na hora de entrar nos filtros-prensa (caso da ETE São Miguel, Suzano, Parque Novo Mundo e ABC) ou nas decanters (ETE Barueri, que usa além de três filtros-prensa, 9 centrífugas), há a dosagem de polímeros catiônicos.

    Os lodos desaguados, numa faixa de 25% de sólidos secos (nas decanters) até 30% nos filtros-prensa, segundo afirmou Sena, seguem para descarte em aterros. Nesse caso, a Sabesp tem o custo apenas do transporte via caminhões, visto contar com acordo comercial com a prefeitura de São Paulo, pelo qual destina seus lodos em troca do tratamento do chorume dos aterros municipais. No total, as cinco grandes estações da Sabesp geram em média 550 t/dia de lodo úmido a 30%, sendo 50 t cada nas ETEs Suzano e São Miguel, 100 t nas do Parque Novo Mundo e do ABC e 250 t em Barueri.

    Secagem térmica – A destinação em aterros dessa grande quantidade de lodos de ETEs, demanda que promete crescer por causa dos lodos de ETAs, é considerada um dos grandes desafios do saneamento. A Sabesp, por exemplo, apesar de ter acordo com a prefeitura de São Paulo, tem um custo muito alto de transporte por carregar nessas operações até 70% de água. Isso sem falar que a companhia opera em todo o Estado, onde não há acordos desse tipo, e ainda planeja passar a ser operadora terceirizada no resto do país, portanto, precisará no futuro minimizar o custo dessas operações.



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