Meio Ambiente (água, ar e solo)

Deságue de Lodo – Fornecedores de sistemas para deságue de lodo vivem era de grandes projetos, com obras em saneamento e na Petrobras

Marcelo Furtado
17 de outubro de 2009
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    Química e Derivados, Estela Testa, Diretora da Pieralisi, Saneamento

    Estela Testa: mudança de fábrica para atender aos

    Do parque fabril lotado de pedidos na atualidade, boa parte das encomendas segue para a Petrobras. Para deságue de lodo físico-químico em ETAs das refinarias da estatal, há decanters em obras novas na Recap, Reduc, Replan, Revap, RPBC, Regap e na UTE (usina térmica) de Canoas-RS. Para lodo biológico, lama oleosa, lodo físicoquímico e anaeróbio das chamadas ETDIs (estações de tratamentos de despejos industriais), as vendas foram para Refap, Regap, Replan, Revap, RPBC, Rlam e para Macaé (exploração).

    Já o saneamento, segundo Estela Testa, passa por ótima fase. Há obras em profusão por companhias estaduais, autarquias municipais e concessões privadas, que incorporam ou modernizam suas estações com sistemas de desidratação de lodo. Mas o melhor, para a diretora, é a mudança no perfi l das demandas. Até o ano passado, segundo ela, era muito nítida a maior quantidade de vendas de decanters para desaguar lodo de estações de tratamento de esgotos. Isso tanto por causa das maiores exigências nesse segmento, que lida com um resíduo teoricamente mais perigoso, como também porque há mais obras novas em esgotamento sanitário, setor em que ainda há o maior gap nacional em praticamente todas as regiões do país.

    Em 2009, continua Estela, ficou mais claro que muitos operadores se tornaram mais preocupados em cuidar dos lodos de ETAs, provenientes do tratamento físico-químico da água de abastecimento. “Houve um aumento de 50% nesses pedidos”, afirmou. Essa mudança tardia, mas bem-vinda de conceito, moderniza muitas estações, que passam a fazer o deságue do lodo para enviá-lo a aterros. Segundo Estela Testa, a Pieralisi conta com mais de 30 instalações. Possui um sistema na ETA Taiaçupeba, da Sabesp, que passa por ampliação em regime de PPP (parceria público-privada). São quatro decantadoras com vazão de tratamento para 30 m3/h cada.

    De volta para o rio – A crescente preocupação com os lodos das ETAs, se de fato se alastrar pelo mercado brasileiro de saneamento, minimiza um contrassenso que ocorre indiscriminadamente pelo país. As companhias captam água dos rios cada vez mais poluídos, tratam com floculantes, coagulantes, cal e carvão ativado, geram quantidades imensas de lodos e, após isso, em vez de destiná-los desaguados e de forma correta para aterros, devolvem-nos aos rios. Isso não só ajuda a assorear os corpos d´água como piora a sua qualidade com a quantidade de produtos químicos presentes no lodo. Trata-se de situação perto do absurdo: a companhia polui mais o rio que ela precisa na sequência despoluir ao captar água para garantir abastecimento.

    Química e Derivados, Galpão na ETA da Senasa em Campinas-SP, Saneamento

    Galpão na ETA da Senasa em Campinas-SP conta com três decantes para desaguar 1.100 t/mês de lodo, que seguem todo dia em carretas para aterro

    Um dos mais importantes exemplos de estação de tratamento de água pública com uma seção específica para desidratar o lodo ocorre nas ETAs 3 e 4 da companhia municipal de saneamento de Campinas-SP, a Sanasa, localizadas no distrito de Sousas, responsáveis pelo abastecimento de 75% (ou 3 mil litros por segundo) da população da cidade. Desde 2005 a estação colocou em operação uma unidade para tratar a grande quantidade de lodo gerada, cerca de 1.100 t/mês, pelas três decantadoras empregadas para reduzir a umidade do material para uma média de 30% a 50% de sólidos secos.

    Segundo explicou o coordenador do setor de ETAs da Sanasa, Sidnei Lima Siqueira, a decisão pelo tratamento atende ao fato de a água captada do Rio Atibaia ser extremamente poluída, demandando uma grande quantidade de produtos químicos. “Não faz sentido voltarmos o lodo ainda mais contaminado para um rio tão maltratado”, disse Siqueira. Segundo ele, várias cidades na região descartam esgoto in-natura no rio. Só para se ter uma idéia da gravidade, trata-se do mesmo manancial que alimenta em São Paulo o sistema Cantareira da Sabesp (ETA Guaraú). “Mas em razão da poluição na região de Campinas há a necessidade de se dosar dez vezes mais produtos do que em São Paulo”, completou o coordenador.

    O lodo da estação une a grande quantidade de contaminantes do rio com todo o residual do tratamento, que contempla préoxidação com cloro, a dosagem do coagulante policloreto de alumínio e, às vezes, de cloreto férrico. Depois de gerado nos decantadores primários, todo o lodo, via tubulação por gravidade, segue para tanques de equalização, onde há dosagem de polímeros aniônicos para adensamento. A partir daí seguem para as decanters Westfalia, cada uma com capacidade de vazão de 35 m3/h e de 750 kg/h de sólidos secos (duas em operação e uma em stand-by), onde na entrada há a dosagem de um polímero catiônico. A água resultante da centrifugação volta para o processo e o lodo alimenta quatro carretas por dia, que seguem para o aterro Estre, em Paulínia-SP.



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