Adesivos, Colas e Selantes

Desafios e perspectivas do setor de colas, adesivos e selantes frente à pandemia de Covid-19 – ABIQUIM

Quimica e Derivados
26 de junho de 2020
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    A Abiquim promoveu no dia 18 de junho a live “Desafios e soluções do mercado de adesivos frente à pandemia de Covid-19” em seu canal no YouTube. A live teve a participação do gerente de Vendas da América do Sul da Parker Lord, Andrios de Souza; do head de Desenvolvimento de Produtos para Packaging & Consumer Goods da Henkel para a América Latina e coordenador da Comissão Setorial de Colas, Adesivos e Selantes da Abiquim, Carlos Motta; e do CEO da Artecola e vice-presidente do Conselho Diretor da Associação, Eduardo Kunst; e teve moderação do presidente-executivo da Abiquim, Ciro Marino; e da gerente de Comunicação da Associação, Camila Matos.   

    O head de Desenvolvimento de Produtos para Packaging & Consumer Goods da Henkel para a América Latina e coordenador da Comissão Setorial de Colas, Adesivos e Selantes da Abiquim, Carlos Motta, explicou que o setor está presente em uma diversidade de segmentos industriais como colas escolares e profissionais, embalagens de alimentos, na indústria calçadista, setor aeroespacial, no segmento automotivo, na construção civil e até aeroespacial. “Os adesivos são como tintas, eles atuam como agentes invisíveis que fazem com que o produto chegue ao mercado. A Henkel sempre atuou no mercado de consumo, por exemplo com as marcas Pritt, Cascola, Superbonder, Durepoxi e Sista. Temos uma gama enorme de aplicações industriais, de forma que atendemos os mais variados segmentos. Enquanto alguns paralisaram por completo suas atividades por causa da pandemia, outros como o de embalagens para bens de consumo, aumentou a sua demanda a taxa de dois dígitos. Temos equilibrado a nossa operação de acordo com as distintas oscilações do mercado”, analisa.

    O CEO da Artecola e vice-presidente do Conselho Diretor da Abiquim, Eduardo Kunst, deu um panorama de como a pandemia de Covid-19 afetou as diversas indústrias atendidas pelo segmento de colas, adesivos e selantes: “todos os segmentos que atendemos foram atingidos, alguns com impacto menor como agronegócio e usuários de embalagens de produtos de limpeza e farmacêutica, foram bem e continuaram operando o tempo todo. Nossa planta não parou nenhum dia. Dos segmentos que atuamos o mais impactado foi o automotivo, que teve uma parada grande”. Sobre a recuperação dos segmentos clientes, Kunst acredita que irá variar muito de um setor para outro, com alguns se recuperando mais rapidamente e outros levarão mais tempo. “Na média, minha expectativa é que o volume de adesivos tenha uma queda entre 20% e 30% neste ano”. Já o head de Desenvolvimento de Produtos para Packaging & Consumer Goods da Henkel para a América Latina, Carlos Motta, afirma que as incertezas geradas pela pandemia tornam muito difícil realizar uma projeção de faturamento para os próximos meses do ano. “O importante é observar que a indústria de adesivos, colas e selantes está pronta para responder às atividades dos clientes. Assim como observado recentemente com a volta das atividades das montadoras, à medida que outros setores da economia retomem suas atividades normais, a indústria de adesivos irá acompanhar”.

    O gerente de Vendas da América do Sul da Parker Lord, Andrios de Souza, explicou que a empresa atua no setor de transportes, um dos mais afetados pela pandemia, no caso dos fabricantes de ônibus a queda chegou a ser de 50%. “A queda de produção nos setores clientes gerou principalmente uma queda na área de adesivos estruturais da empresa. No segmento onde atuamos, a perspectiva de retomada dos negócios se dará em um prazo de 6 a 12 meses, variando de acordo com o segmento de mercado. Sinais de retomada já estão sendo percebidos e com expectativa de melhoras a partir de setembro de 2020. O ano calendário de 2020 deverá se manter com o volume de negócios aproximadamente 20 a 30% abaixo de 2019.”. 

    De acordo com os executivos, o setor tem sofrido com a variação cambial que vem ocorrendo nos últimos meses. Segundo Kunst, da Artecola, os embarques da China já estão normalizados e não existe perspectiva de problemas de disponibilidade de matérias-primas. “Entretanto os custos já estão mais altos em função da variação cambial, afetando diretamente os custos dos produtos finais, outro ponto é que caso a retomada seja mais rápida do que o esperado, isto pode dificultar o abastecimento por falhas nas previsões de demanda. As empresas brasileiras já tinham o objetivo de ampliar as compras locais, porém o atual cenário as incentivam sim a ampliar esses trabalhos”. O gerente de Vendas da América do Sul da Parker Lord, Andrios de Souza, explica que a cadeia química de forma geral está baseada no dólar. “Mas se isso gera um momento de desafio para as empresas do ramo químico. Pode ajudar a valorizar as cadeias nacionais. É importante minimizar esse impacto e sair da fase de pandemia mais fortalecido em termos financeiros. E, para evitarmos problemas de abastecimento, estamos realizando reuniões diárias de S&OP (planejamento de vendas e operações) para revisão das projeções e volumes, afim de enviarmos informações mais atualizadas possíveis a nossos fornecedores, permitindo assim um melhor planejamento. A empresa também está aberta a avaliação de matérias-primas locais e isso é estratégico considerando nosso atual cenário político/econômico”. O head de Desenvolvimento de Produtos para Packaging & Consumer Goods da Henkel, Carlos Motta, completa: “a principal dificuldade é lidar com a variação. Ao longo dos últimos anos, temos desenvolvido soluções locais, que hoje respondem por uma parcela significativa dos insumos para a produção de inúmeros produtos do nosso portfólio. Para as matérias-primas que continuamos dependendo de importação, nós temos monitorado de perto a rede de suprimentos e adotamos medidas adicionais para garantir tanto a segurança dos nossos colaboradores quanto manter o pleno compromisso com a continuidade do negócio. A empresa está aberta a todos os fornecedores nacionais, desde que cumpram com os princípios éticos e técnicos”. 



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