Demanda por produtos químicos cai em 2023

Demanda por produtos químicos cai no primeiro semestre de 2023

De acordo com os dados preliminares dos indicadores Abiquim-Fipe relativos ao 1º semestre de 2023, a demanda nacional por produtos químicos de uso industrial apresentou resultados negativos, em termos de volume, na comparação com igual período do ano anterior.

O consumo aparente nacional (CAN, soma da produção e importação, menos a exportação) recuou 4,6%, refletindo a atuação de diversas cadeias atendidas pela indústria química. Os componentes que integram o cálculo do CAN tiveram os seguintes desempenhos no período: índice de produção -9,73%, importações +0,6% e exportações -3,9%. O índice de vendas internas também foi negativo com recuo de 11,0%.

Essa queda na demanda por produtos químicos foi atribuído ao arrefecimento da atividade econômica, notadamente a partir do final do ano passado, mas sobretudo pelos impactos adversos da guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, sobre a atividade do setor e da economia global.

A esse cenário, soma-se a pressão pela redução de preços dos produtos químicos no mercado internacional. O preço médio do produto importado recuou 28,2% no 1º semestre de 2023, sobre a média de igual período do ano anterior. Esse comportamento também impactou os preços no mercado doméstico, que tiveram deflação, medida pelo IGP Abiquim-FIPE, de 9,0% entre janeiro e junho de 2023.

Demanda por produtos químicos cai no primeiro semestre de 2023 ©QD Foto: iStockPhoto
PRICIPAIS ÍNDICES ABIQUIM-FIPE

 

Os números relativos a junho de 2023 bem como ao primeiro e segundo trimestre do ano, comparados aos respectivos períodos anteriores impressionam igualmente.

Nos últimos 12 meses encerrados em junho de 2023, em relação aos doze meses imediatamente anteriores, a análise mostra resultados pouco animadores. Como resultado, o nível de utilização da capacidade instalada ficou em 67%, cinco pontos abaixo do registrado no mesmo período do ano passado (72%), com fortes reflexos dos grupos intermediários para fibras sintéticas (de 75% para 56%, na mesma base de comparação), solventes industriais (de 89% para 71%) e resinas termoplásticas (de 77% para 69%).

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Recuo da demanda por produtos químicos  e ciclo de baixa em preços

Segundo Fátima Giovanna Coviello Ferreira, diretora de Economia e Estatística da Abiquim, à parte do momento delicado pelo qual a indústria química mundial vem passando com recuo da demanda por produtos químicos e ciclo de baixa em preços, o Brasil preocupa pela excessiva participação das importações sobre a demanda local, que se encontra em declínio, o que mostra que o produtor local está perdendo espaço para o concorrente externo.

Economia: Demanda por produtos químicos cai no primeiro semestre de 2023 ©QD Foto: iStockPhoto
Fátima: matérias-primas caras prejudicam produção nacional

“O principal elemento de custos do setor químico, que afeta a produção e impede o avanço de investimentos, está relacionado ao custo das matérias-primas básicas e de energia.

Além disso, o setor perdeu seu principal instrumento fiscal, que foi a eliminação do Regime Especial da Indústria Química (Reiq), tendo sido muito impactado também pela redução das alíquotas do imposto de importação de diversos produtos no ano passado.”

Fátima destaca ainda que o cenário do início deste ano no Brasil tem sido muito desafiador: o gás natural custa de três a quatro vezes mais aqui do que nos Estados Unidos e o dobro do europeu, enquanto a tarifa de energia é o dobro da americana.

“No caso da energia, pelo menos metade do seu custo é composta por encargos e tributos que prejudicam a produção local. Além de as matérias-primas serem mais caras no Brasil, a química depende de nafta petroquímica importada, que é afetada também pela valorização do real em relação ao dólar. Esse quadro interno contrasta com o cenário internacional, em especial dos países que estão exportando produtos para o Brasil, como a China e a Índia”, ressalta.

Soluções para aumentar a demanda

Uma oportunidade de transformar esse cenário, de acordo com a diretora, está no programa Gás para Empregar, anunciado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que pode tornar o Brasil mais competitivo, atraindo investimentos que estão, há tempos, represados, ajudando na reindustrialização, na criação de novos empregos e de receitas tributárias.

“No entanto, além do Gás para Empregar, que deve trazer impactos apenas no médio prazo, algum mecanismo de proteção ao mercado nacional e à indústria local precisará ser adotado, sob o risco de desestruturar importantes cadeias produtivas, levando ao fechamento de unidades produtivas que hoje já operam com elevada ociosidade”, alertou.

Texto: Imprensa abIqIum

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