Petroquímica

Petroquímica – Demanda fraca afeta resinas da Braskem

Marcelo Fairbanks
16 de agosto de 2012
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    “Avaliamos que os clientes repre­saram suas compras de resinas no segundo trimestre, tendo em vista essa flutuação para baixo nos preços interna­cionais, e preferiram consumir seus es­toques, até para pressionar o preço para baixo no mercado interno”, avaliou Fadigas. Como resposta, a Braskem reduziu a produção dos itens de baixa rentabilidade de seu portfólio, influen­ciando negativamente a ocupação de capacidades. No caso do polipropileno, a queda de dez pontos percentuais na produção é explicada pela redução das exportações, cujos preços não se mos­traram compensadores.

    As perspectivas para o segundo semestre do ano não são animadoras. “O mercado continua muito volátil, a Alemanha está firme, os EUA acenam uma recuperação, o Japão dá bons si­nais e a China pode retomar sua ativida­de, mas nada está garantido”, avaliou.

    No Brasil ele espera que as me­didas governamentais de estímulo à economia mediante investimentos em infraestrutura deem bons resultados. “Há um ano, o setor químico, com participação da Abiquim, Braskem e Petrobras, desenvolve, sob orientação do BNDES, um programa setorial de investimentos para criar uma política estruturante de longo prazo”, informou. “As propostas assim elaboradas foram entregues ao governo em junho.”

    Propeno garantido – A Braskem con­seguiu equacionar o suprimento de propeno para suas fábricas de polipro­pileno instaladas nos Estados Unidos. Maior comprador da olefina no mer­cado americano, com um consumo anual da ordem de 1,4 milhão de t/ano para suprir suas cinco unidades naquele país, que não são integradas a montante.

    Química e Derivados, Carlos Fadigas, Presidente da Braskem, Petroquimica

    Carlos Fadigas: acordos garantem propeno para as fábricas de PP dos EUA

    A fábrica de PP, comprada da Sunoco, na Pensilvânia, sofreu um susto com o anúncio do fechamento da refinaria daquela empresaem Marcus Hook, sua fonte primária de suprimen­to da olefina. “O contrato de aquisição nos dava o direito de receber uma compensação financeira de US$ 130 milhões caso isso viesse a ocorrer, bem como a faculdade de adquirir o splitter de propeno grau polímero daquela refinaria por um valor simbólico, asse­gurando a continuidade da operação”, explicou Fadigas.

    Com isso, a Braskem comprará propeno grau refinaria ou grau quími­co, para processamento na separadora (splitter), com o intuito de chegar ao grau de pureza requerido para polimeri­zação. Como os tipos menos puros são cerca de US$ 200/t mais baratos que o grau polímero, a empresa espera ter uma vantagem adicional de custo.

    A integração do splitter exigirá investimentos de US$ 56 milhões para segregação da unidade e adaptação física às linhas de processamento da Braskem, com atualização dos equi­pamentos e a instalação de um sistema de utilidades (vapor, água tratada) in­dependente. O governo da Pensilvânia bancará US$ 15 milhões desse mon­tante. O splitter responde por 70% da capacidade dessa unidade da Braskem (350 kta).

    Além disso, a petroquímica firmou contratos com a Enterprise Products para o suprimento de 65% do propeno necessário para abastecer suas três fábricas na região do Golfo do México (Texas). Um desses contratos prevê a construção, pela Enterprise, de uma unidade de desidrogenação de propano (PDH), que será alimentada com o gás obtido do xisto norte-americano (uma fração do famoso shale gas) e de outras fontes não tradicionais, com baixo custo. Essa PDH deverá entrar em operação no terceiro trimestre de 2015, tem previsão de oferecer o total de 750 mil t/ano de propeno, dos quais aproximadamente a metade será desti­nada à Braskem.

    Aliás, o desempenho crescente dos projetos associados ao shale gas norte-americano são observados de perto pela petroquímica. “Há muitos projetos de novos crackers já anunciados nos EUA, mas eles só devem entrar em operação em meados de2016”, comentou Fadigas. Ele pondera que a disponibilidade de etano barato naquele país poderá inibir a instalação de outros crackers ao redor do mundo. “Foi o que aconteceu quando o Oriente Médio anunciou seus projetos petroquímicos”, informou.

    A Braskem constrói, em parceria com a Idesa, o projeto Etileno XXI,em Vera Cruz, México, que produzirá ete­no e um milhão de t/ano de polietilenos (PEBD, PELBD e PEAD). Segundo Fadigas, esse conjunto petroquímico alimentado a gás natural entrará em marcha um ano antes dos concorrentes ao norte. “Nosso projeto está direciona­do para suprir o mercado mexicano de resinas, e é naturalmente competitivo”, comentou.

    Brasil em marcha lenta – Com a con­clusão dos projetos de implantação de butadieno, em Triunfo, e da ampliação do PVC, em Alagoas, a Braskem não está tocando nenhuma grande obra no país. “O desempenho da economia nacional é preocupante e o mercado de produtos petroquímicos não justifica a adição de novas capacidades”, avaliou Fadigas.

    Apesar disso, ele informou que a companhia segue fazendo estudos e planos preliminares em todas as suas linhas de atuação. “Apesar do contrato firmado para fornecimento de propeno para a produção de ácido acrílico pela Basf, ainda temos uma sobra da olefina em Camaçari, capaz de suportar uma unidade de polipropileno de escala in­ternacional, talvez substituindo algum ativo mais antigo também”, afirmou.

    De forma mais ampla, os especia­listas da Braskem estudam uma pos­sível reconfiguração de todo o parque produtivo da companhia no Brasil, que deverá ser desencadeada após a entrada em operação do Comperj e por conta dos desengargalamentos das refinarias nacionais, que ampliarão sobremaneira a oferta de matérias-primas petroquími­cas, sempre buscando aumentar a efici­ência operacional. “Estamos aqui para ficar, mantendo um compromisso de longo prazo com o mercado, estabele­cido há dez anos”, salientou Fadigas.



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