Agronegócio, defensivos agrícolas e fertilizantes

Defensivos: Ferrugem da soja faz crescer o mercado de fungicidas

Renata Pachione
31 de agosto de 2004
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    As operações da Syngenta no Brasil tiveram início em 2001. Desde então a unidade vem ganhando status para o grupo. Das vendas globais da companhia em 2003, equivalentes a US$ 6,6 bilhões, US$ 552 milhões são resultados dos negócios realizados no País.

    Confiante no potencial nacional, a companhia aplicou US$ 1 milhão na fabricação local do Priori Xtra, em Paulínia – SP. De acordo com Costa, a empresa investe cerca de 10% do faturamento mundial em pesquisas. “A Syngenta não possui linha de genéricos, pois nos voltamos para a inovação”, ressaltou o diretor de marketing da Syngenta Renato Guimarães.

    Química e Derivados: Defensivos: Guimarães -  empresa dá prioridades para inovação. ©QD Foto - Divulgação

    Guimarães – empresa dá prioridades para inovação.

    O mercado tampouco se restringe aos produtos técnicos. A evolução do setor tem promovido lançamentos também nas linhas de solventes. A Carbono Química, de São Bernardo do Campo, SP, estabeleceu aliança com a norte-americana Huntsman para trazer ao País o solvente ecológico, Jeffsol AG 1555. Aprovado pela Environmental Protection Agency (EPA), o produto foi desenvolvido para ser utilizado como solvente verdadeiro para princípios ativos diversos e como co-solvente em formulações de concentrados emulsionáveis, microemulsões e formulações de produtos veterinários de uso tópico. Classificado como 4 A (de risco mínimo), o Jeffsol AG 1555 vem para substituir os solventes aromáticos e alifáticos, entre outros. “Acredito que muitas empresas que usam os solventes aromáticos vão se voltar para o ecológico”, estimou o diretor da Carbono Química Victor Maluf Amarilla. Estudos realizados pela empresa dão conta de baixos índices de fitotoxicidade e alta biodegradabilidade do solvente. “Mesmo em tomates muito sensíveis, o Jeffsol AG 1555 provou ter baixíssima fitotoxicidade, sem observação de necrose”, explicou Amarilla. Quanto ao quesito biodegradabilidade, o produto demonstrou valores superiores a 90%, após 28 dias.

    Referência ecológica – Uma das mais recentes conquistas do setor diz conta da criação do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev). “Trata-se de uma importante contribuição da indústria ao agronegócio brasileiro”, comentou Simon. Os trabalhos começaram em 1992, mas o instituto só foi criado em 2002. Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos destinada à administração da recuperação e destinação final das embalagens de fitossanitários. Com o patrocínio das empresas e associações de classe do setor, o Inpev controla o descarte das embalagens utilizadas com agroquímicos. “O instituto prova a consciência ambiental do setor”, explicou Da Ros. O projeto teve início por conta de iniciativa da Andef, da Secretaria da Agricultura e da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo. Os resultados, na avaliação de Simon, têm sido bastante positivos. “É o programa mais avançado em recolhimento e destinação de embalagens vazias de agrotóxicos do setor industrial brasileiro”, ressaltou. No primeiro semestre de 2004 foram recolhidas 8.059 t de embalagens vazias de agrotóxicos, o equivalente a um aumento de 159,1%, se comparado com o mesmo período do ano anterior (3.110 t), segundo balanço do Inpev. No período de um ano, o volume recolhido soma 12.800 t.

    Apesar desse profissionalismo, o setor ainda conta com alguns entraves, como por exemplo, os baixos índices de exportação. “A maioria dos ingredientes ativos é importada”, diagnosticou Da Ros. “Somos deficitários na balança comercial tradicionalmente”, completou Oliveira. As vendas com o mercado externo somaram US$ 380 milhões, em 2003, segundo o Sindag. Dados da Aenda revelam o descompasso, pois as importações chegaram a US$ 1 bilhão.

    Inovações – Segundo perspectiva da Andef, a introdução de sementes geneticamente modificadas deve impactar o mercado de defensivos, nos próximos anos. “Vão substituir, parcialmente, os defensivos”, observou Simon. Grande parte dos associados da Andef estuda organismos geneticamente modificados, como a Monsanto, a Bayer, a Dow e a Syngenta, entre outros. No entanto, os objetivos das pesquisas são vários, nem todos os estudos promoverão a diminuição do uso de agroquímicos. “Alguns produtos estão sendo desenvolvidos para aumentar o teor vitamínico de determinado vegetal”, exemplificou. Para Simon, ainda neste ano alguns produtos poderão ser legalizados.

    “Estamos diante de novo paradigma científico”, acrescentou Oliveira. Em relação à biotecnologia, a Basf lançou o sistema de produção clearfield arroz. O método tem a proposta de controlar com eficiência plantas daninhas dessas lavouras, em especial o arroz vermelho. Esse sistema combina a aplicação do herbicida Only, produzido pela Basf, e a utilização das sementes tolerantes IRGA 422CL e Tuno CL, desenvolvidas, respectivamente, em parceria com o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), e a empresa Rice Tec. “É um processo de seleção natural, que usa a biotecnologia para acelerar o processo”, explicou Tassára. Na opinião dele, a biotecnologia é uma das tecnologias-chave para o desenvolvimento futuro dos agronegócios. O grupo pretende investir, nos próximos dez anos, 700 milhões de euros na área.



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