Agronegócio, defensivos agrícolas e fertilizantes

Defensivos: Ferrugem da soja faz crescer o mercado de fungicidas

Renata Pachione
31 de agosto de 2004
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    O setor, como um todo, será beneficiado pelo sistema, sobretudo porque 75% das compras mundiais são de produtos genéricos. Enquanto no País, esse índice chega a 80%, segundo dados da Aenda. “O agricultor brasileiro procura o mais barato”, resumiu Oliveira. Essa alta taxa, de acordo com a associação, não retrata somente o mercado nacional, pois conta com a penetração dos produtos da China e da Índia. “Todo ano, entram novas empresas no segmento dos genéricos”, apontou Simon. De acordo com a Andef, no Brasil existem cerca de 15 empresas de capital estrangeiro e mais de 40 companhias de capital nacional. Estas se voltam totalmente para os genéricos, enquanto as multinacionais diversificam o portfólio com novos desenvolvimentos.

    Oligopólio – Também em prol das mudanças no sistema de registro, a Aenda apresentou para o Ministério da Agricultura documento no qual faz uma análise no mercado de defensivos agrícolas, evidenciando uma oligopolização do setor. De acordo com os dados divulgados, quatro empresas, em 2000, detinham quase metade do faturamento do setor (48%). Ao longo dos anos, a situação se agravou. Em 2003, apenas 10 empresas respondiam por 87% do mercado (ver tabela). “Isso é concentração de oferta, assim o preço do produto cai muito lentamente, ou nem cai”, argumentou Oliveira. Para ele, os filtros impostos pelo atual sistema de registro impedem a atuação de pequenas e médias empresas no mercado.

    Nos aspectos de registro e controle, os defensivos agrícolas são regidos pela lei 7802/89, que foi regulamentada pelo decreto 98.816/90, revogado em janeiro de 2002, pelo decreto 407/02. O registro depende de três ministérios: Agricultura, Saúde e Meio Ambiente, que juntos autorizam a venda do produto no Brasil, a partir de exigências relacionadas a questões agronômicas e aos impactos à saúde humana e ao meio ambiente.

    Além de aspectos conceituais, outras questões fundamentam o setor, como os altos investimentos e o tempo de maturação da molécula. Desde a descoberta do ingrediente ativo até sua chegada no mercado são mais ou menos 10 anos, período no qual são investidos cerca de US$ 200 milhões, entre desenvolvimento e registro de uma molécula. Mas nem por isso, a indústria está parada. O número de moléculas de defensivos agrícolas disponíveis ao agricultor brasileiro até 1992 era de 194. Desde então, houve um acréscimo de cerca de 40%.

    Hoje são 269 ingredientes ativos registrados, dos quais existem 600 produtos técnicos com registro, de acordo com a Andef. E a evolução não se restringe à quantidade. Por conta das normas sobre os agroquímicos, os produtos estão cada vez menos nocivos à saúde humana e ao ambiente. A indústria tem apresentado constantes incrementos em pesquisa e avaliação toxicológica dos defensivos agrícolas, alavancando dessa forma, a produção de novas moléculas com grau de toxicidade cada vez menor e com uma alta eficiência em baixas doses.

    Para Simon, essa indústria se caracteriza pela alta tecnologia empregada nas formulações e na aplicação dos produtos. Por conta disso, existem cerca de 2 mil engenheiros agrônomos empregados. “É um número recorde na iniciativa privada”, comentou. Segundo dados da Andef, em relação ao consumo nacional de ingrediente ativo por hectare, o Brasil está em linha com os Estados Unidos. O volume vendido no País é de 3,2 kg/ha e nos Estados Unidos, de 3,4 kg/ha. Para se ter uma idéia do potencial nacional, o país que mais aplica o produto técnico por hectare é a Holanda, com 20,8 kg/ha, seguido pelo Japão, com 17,5 kg/ha.

    Na opinião do gerente de marketing da Syngenta Antonio Carlos Costa, o mercado de agroquímicos tem sido um dos principais responsáveis pelos avanços da agricultura brasileira, por conta do alto nível tecnológico do setor. No entanto, para manter essa condição, a indústria teve de se mexer. A partir da década de 70, fusões e incorporações passaram a dar o tom ao mercado de defensivos agrícolas, sobretudo como uma alternativa de custear novos desenvolvimentos. Alguns casos recentes dão conta da Aventis Cropscience Brasil adquirida pela Bayer, a compra da Griffin pela DuPont e o controle da Cyanamid que passou para a Basf, além da incorporação dos negócios da Rohm Haas pela Dow Agro e da criação da Syngenta, fruto da fusão entre Zeneca Agrícola, Novartis Agribusiness e Novartis Seeds. “Há 20 anos, existiam no Brasil 30 empresas multinacionais, hoje são pouco mais de 10”, diagnosticou Simon.

    As vendas globais da Divisão de Produtos para Agricultura da Basf atingiram a marca de cerca de 3 bilhões de euros em 2003. A unidade Agro da Basf imigrou para o Brasil em 1959, instalando a sua primeira fábrica em Guaratinguetá – SP, embora já importasse seus produtos para agricultura desde 1911. “A área de agro é o nosso core business”, explicou Tassára. A empresa se concentra na oferta de soluções inovadoras, apesar de contar com alguns produtos com patente expirada.

    A Milenia Agro Ciências, instalada no Conjunto Eucaliptos, em Londrina, registrou faturamento em 2003 de US$ 231 milhões, 13,5% superior ao montante registrado no ano anterior. Segundo o diretor de Assuntos Corporativos da Milenia Luiz César Guedes, o comportamento do setor tem alimentado projeções animadoras. “Como se diz no meio, o agronegócio está voltado para o sol, pois está crescendo muito no Brasil e é cada vez mais competitivo com relação ao mercado externo”, afirmou. Reconhecida por Guedes como a maior empresa de defensivos pós-patente da América Latina, a Milenia oferece 44 produtos e investe 5% do faturamento anual, em pesquisas e estudos. “Para conhecer uma molécula e fazer o registro, são investidos cerca de US$ 1,5 milhão”, exemplificou. A atuação da Milenia no País traz embutida a tradição da israelense Makhteshim Agan Industries.



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