Agronegócio, defensivos agrícolas e fertilizantes

Defensivos: Ferrugem da soja faz crescer o mercado de fungicidas

Renata Pachione
31 de agosto de 2004
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    A Syngenta lançou neste mês o Callisto, um novo herbicida para a cultura do milho. O produto é um pós-emergente, a ser aplicado entre 10 e 20 dias após a planta do milho ter germinado. O princípio ativo do Callisto é o mesotrione, desenvolvido a partir de uma toxina natural liberada pelo arbusto “escova de garrafa”, conhecido pela eficiência no controle de várias plantas daninhas. “Callisto é uma forma de evitar que as plantas invasoras desenvolvam precocemente resistência a herbicidas, já que seu princípio ativo é inédito e diferente dos demais produtos no mercado”, disse o gerente de produto da linha de herbicidas, Filipe Bettanio Guimarães.

    O herbicida Hexaron WG, produzido pela Milenia Agro Ciências, por sua vez, destina-se ao setor sucroalcooleiro. Esse produto de pré e pós-emergência foi lançado no segundo semestre de 2003 e está se tornando o carro-chefe do portfólio da Milenia para o segmento de cana-de-açúcar. No segmento de acaricidas, o grupo também apresentou novidades. Trata-se dos Acarit e Parsec, voltados para a cultura de citrus, em especial para as lavouras de laranja. O Acarit possui ação de choque e pode ser aplicado nas principais fases da cultura. Além disso, tem um longo período residual e apresenta altos índices de seletividade, protegendo dos inimigos naturais da praga. O Parsec, segundo o fabricante, se diferencia pela segurança no controle, por ser desalojante e repelente, induzindo maior exposição dos ácaros.

    Líder em faturamento no mercado de defensivos agrícolas, a Bayer CropScience oferece diversos ingredientes ativos no seu portfólio. A empresa lança de três a quatro novos produtos por ano. Para se ter uma idéia, em 2002, o grupo destinou para a área de pesquisa e desenvolvimento mundial, 2,6 bilhões de euros. Por conta dos constantes investimentos, o grupo apresenta, neste ano, além do Sphere, três novos produtos, o Hussar – indicado para o controle de plantas daninhas na cultura do trigo -, o Flint, fungicida de combate da sarna-da-macieira, e o Poncho, inseticida para tratamento de sementes de milho.

    Química e Derivados: Defensivos: Oliveira -  normas atuais inviabilizam genéricos. ©QD Foto - Cuca Jorge

    Oliveira – normas atuais inviabilizam genéricos.

    Em prol dos genéricos – Em 2002, a Aenda abandonou o título de Associação das Empresas Nacionais de Defensivos Agrícolas, para se tornar Associação Nacional dos Defensivos Genéricos.

    Apesar de manter a sua linha de atuação, a mudança teve como objetivo ampliar a abrangência da entidade. “As empresas instaladas no País, sejam de capital brasileiro ou não, são consideradas nacionais”, justificou o diretor-executivo da Aenda Tulio Teixeira de Oliveira. Além disso, desde sua origem, a associação defende os interesses da indústria nacional de produtos formulados, a partir de ingredientes ativos cujas patentes expiraram, os chamados genéricos.

    Por conta dessa proposta, a Aenda continua lutando a favor da simplificação do sistema de registro. Há cerca de dois anos foram editados o decreto 4074/2002 e a instrução normativa 49/2002, estabelecendo o regime de registro por equivalência, no entanto, as mudanças ainda não saíram do papel.

    A reivindicação da entidade busca facilitar o acesso dos fabricantes de genéricos ao mercado. De acordo com Oliveira, as normas atuais tornam inviável a renovação das linhas de produtos das companhias nacionais, por conta do custo e da burocracia requeridos para o registro dos defensivos. “É um obstáculo muito grande para as empresas dedicadas a genéricos”, explicou.

    Na avaliação dele, na década passada, para colocar um produto genérico no mercado, chegava-se a gastar R$ 2 milhões, só com a regulamentação. “Esse sistema é muito pesado e hermético, isso fez com que a estrutura de oferta de produtos ficasse mais concentrada nas grandes empresas”, afirmou. O registro por equivalência pretende desobstruir a passagem nas empresas nacionais, pois atenua os gastos do fabricante. A título de comparação, o registro de um genérico passaria a custar cerca de R$ 100 mil, pela estimativa de Oliveira.

    Na prática, o regime por equivalência reduz os testes exigidos para a comercialização dos produtos, porém não exime o fabricante da responsabilidade sobre a qualidade dos mesmos. “Serão menos testes, porém o grau de profundidade das análises químicas será maior”, avaliou Oliveira. Com a mudança, a indústria terá outros desafios, como o de formular o ingrediente ativo com as impurezas semelhantes às do original. Para Oliveira, um dos problemas é a falta de infra-estrutura para esse tipo de análise. “Temos poucos laboratórios com essa competência”, observou. Por conta da dificuldade de rastrear as impurezas do produto, uma alternativa, pelo menos em um primeiro momento, para Oliveira, será comprar ingredientes sintetizados em outros países que já realizaram esses testes, como a China.

    O diretor de Assuntos Corporativos da Milenia Luiz César Guedes concorda com a análise de Oliveira. Para ele, ainda há muitos gargalos na questão dos registros, sobretudo em relação à análise das impurezas. Por isso, alguns critérios deveriam ser revistos, como, por exemplo, os alusivos à escolha da empresa de referência. Na opinião de Guedes, apenas o primeiro registrante, no caso o responsável pelo desenvolvimento da molécula, deveria ser considerado referência. Por enquanto, todos os produtos técnicos são parâmetros. Apesar do decreto se arrastar desde 2002 e de existirem pontos de discussão, Oliveira mostra-se otimista. Ele espera a sua implementação ainda para este semestre.



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