Agronegócio, defensivos agrícolas e fertilizantes

Defensivos: Ferrugem da soja faz crescer o mercado de fungicidas

Renata Pachione
31 de agosto de 2004
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    O bom desempenho do setor nesses últimos anos sustenta projeções animadoras. Simon estima para 2004, crescimento de 10% sobre as vendas de 2003. Essa previsão se fundamenta, entre outros fatores, em incrementos nas tecnologias empregadas no campo e no aumento do consumo de fungicidas. “Assim como a soja continuará em evidência, a ferrugem asiática não desaparecerá”, justificou. Segundo informações da Syngenta Proteção de Cultivos, em 2001, os gastos dos agricultores com a prevenção da ferrugem somaram US$ 100 milhões, e no ano passado, US$ 400 milhões.

    Os primeiros focos da doença apareceram em 2001. Desde então um dos desafios do agricultor tem sido a sua identificação na fase inicial, pois esta pode ser confundida com a mancha parda ou com Septoria glycines. A ocorrência da ferrugem asiática está associada às condições climáticas, pois temperaturas médias menores de 28ºC e molhamento foliar de mais de 10 horas favorecem a infecção da planta. Disseminada pelo vento, a ferrugem asiática causa desfolha precoce da soja e redução de peso do grão. Segundo a Embrapa, nos casos mais severos, houve perdas de cerca de 70% da produção. No entanto, os danos poderiam ter sido bem maiores, não fosse a agilidade da indústria de fungicidas.

    Reação do setor – Todos os fabricantes, cada um à sua maneira, saíram em defesa da soja e, obviamente, de aumentos de vendas. Em função de estudos realizados ao longo de cerca de dez anos e regados a investimento de US$ 100 milhões, o grupo Basf apresentou ao mercado o Ópera, fungicida pertencente à família F500, representante do princípio ativo pyraclostrobin. “É um produto de excelente performance, que oferece segurança total para o agricultor”, ressaltou Tassára. Apesar de ser indicado para diversas culturas como trigo e café, o principal mercado do produto é o da soja, sobretudo por conta de sua eficiência contra a ferrugem. Com ação sistêmica, o fungicida trata-se da combinação entre o F500 e o epoxiconazole. De acordo com Tassára, o produto se destaca em função de seu efeito protetor e curativo, além do longo período de controle e amplo espectro.

    A Syngenta Proteção de Cultivos investiu US$ 200 milhões em pesquisa e desenvolvimento para lançar o Priori Xtra, outro fungicida com apelo contra o fungo Phakopsora pachyrhizi. Esse investimento faz jus às expectativas da empresa. Para o gerente de linha de produtos da companhia, Odanil Manoel de Campos Leite, os planos da Syngenta visam tornar o produto uma referência para o setor. “Queremos que o Priori Xtra seja o ´Nike´ dos fungicidas”, disse, em alusão à conhecida marca de calçados. O produto – uma combinação dos fungicidas azoxistrobina e ciproconazol – possui duplo mecanismo de proteção sistêmica, sendo indicado para o controle preventivo de doenças nas culturas da soja e trigo. Na opinião de Leite, essa dupla atividade sistêmica confere amplo espectro de controle e o mais longo residual na sua categoria. Segundo a Syngenta, outra vantagem dá conta da penetração mais rápida e homogênea nos tecidos da planta. “Isso assegura que, após a aplicação, o produto possa proteger a folha por completo e por mais tempo, não deixando áreas vulneráveis às doenças”, explicou Leite. De acordo com estudos da companhia, o uso do produto propicia ganho de até cinco sacas por hectare plantado de soja, na comparação com os fungicidas comuns. Para o gerente de marketing da Syngenta Antonio Carlos Costa, para alcançar esse índice de eficiência, a empresa investe cerca de 10% do faturamento mundial em pesquisas.

    A Bayer CropScience também apresentou inovações para o controle da ferrugem asiática: o fungicida Sphere. Também indicado para doenças de final de ciclo e de oídio, o produto associa em sua composição dois ingredientes ativos: um triazol sistêmico, o cyproconazole, e uma estrobilurina mesostêmica, o trifloxystrobin. De acordo com os especialistas do grupo, o modo de ação mesostêmico oferece ao Sphere grande afinidade com a superfície vegetal. O ingrediente ativo é absorvido pela camada cerosa, redistribuindo-se graças ao seu movimento superficial de vapor e redeposição. Outra vantagem dá conta do cyproconazole, responsável pela penetração no tecido e seu transporte no sistema vascular no interior da planta. O Sphere apresenta características de resistência a fatores climáticos, sobretudo às chuvas.

    No País desde 1968, a Hokko do Brasil também trouxe novidades ao segmento de fungicidas. A empresa acaba de lançar o Eminent 125 EW. “Trata-se do novo triazol de última geração, com uma molécula de tetraconazole”, explicou o coordenador de marketing de Fungicidas Luis Gustavo Gonella. Para ele, o produto se destaca pela alta eficiência no controle de fungos de várias classes, sobretudo no ataque à ferrugem asiática. Na cultura da soja, o Eminent 125 EW vem para conferir maior estabilidade físico-química, termodinâmica e, segundo Gonella, excelente compatibilidade com o tecido vegetal. Além disso, o agroquímico foi desenvolvido com solventes e surfactantes biodegradáveis. “O fungicida não apresenta toxicidade, inclusive na floração”, completou. Além da cultura da soja, o produto é registrado para doenças foliares do trigo, arroz e algodão.

    Alta produção – Apesar de ser a bola da vez, os fungicidas não resumem o setor. O herbicida glifosato (desenvolvido pela Monsanto, cuja proteção de patente já caducou) continua líder de mercado. De acordo com Da Ros, 14 empresas registram a molécula hoje. “É a principal commodity, em valores; os produtos à base do glifosato são os mais vendidos no Brasil”, comentou.



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