Meio Ambiente (água, ar e solo)

Debate sobre qualidade do ar no Congresso de Atuação Responsável da Abiquim

Quimica e Derivados
8 de agosto de 2018
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    Preservação do meio ambiente e economia de combustível

    A sessão também contará com a presença de dois convidados internacionais: o sócio da Gilson Environmental, Don Gilson, especialista, desde 1975, em sistemas de recuperação de vapor e controle de emissões de hidrocarbonetos de veículos automotores e postos de abastecimento de gasolina, e o engenheiro sênior da Ingevity, Glenn Passavant. Os convidados discutirão as emissões de vapor de gasolina da distribuição do combustível e oriundas do veículo. Gilson se concentrará nas emissões de vapor de gasolina do manuseio de combustível nos terminais, dos caminhões-tanque e na entrega ao posto de combustível. O engenheiro Glenn Passavant irá focar nas emissões por evaporação em movimento e durante o reabastecimento do veículo, e a tecnologia ORVR – Sistema a bordo de Recuperação de Vapores do Reabastecimento.

    Segundo Passavant, veículos de passageiros e comerciais leves emitem vapor de combustível quando estão estacionados, sendo conduzidos ou reabastecidos, e os atuais regulamentos de emissões por evaporação do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve) fornecem apenas um nível modesto de controle, apenas na situação quando o veículo está estacionado por um dia. O engenheiro da Ingevity explica que esses hidrocarbonetos estão entre as fontes mais comuns de poluição do ar no Brasil. “Estimamos que, para a atual frota de veículos no País, as emissões por evaporação são de aproximadamente 274 mil toneladas métricas por ano e para as emissões de reabastecimento, há um adicional de 57 mil toneladas métricas por ano. Sem controles, esses valores aumentarão conforme o número de veículos em uso aumentar”.

    As reduções nos hidrocarbonetos, como as de reabastecimento e emissões evaporativas, são essenciais para reduzir as concentrações de ozônio fotoquímico em atmosferas urbanas. Passavant lembra que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) e várias entidades industriais estudaram as opções de controle para as emissões de reabastecimento por muitos anos antes da EPA propor os requisitos de controle via ORVR em 1987.

    “Os controles foram adotados em 1994 e implementados em 1998. O Canadá implantou em seguida. Os EUA e o Canadá adotaram o ORVR porque é uma extensão simples e confiável dos sistemas de controle das emissões evaporativas que podem ser implementados em qualquer veículo movido a gasolina ou flex, independentemente do tamanho ou configuração. A China também avaliou opções e escolheu o ORVR com base na experiência da América do Norte, ela adotou o ORVR no final de 2016 e ele deve ser implementado em todos os novos veículos até julho de 2020. Mas várias províncias anunciaram intenções de implementação em 2019.”, detalha.

    O engenheiro explica que os veículos equipados com ORVR demonstram uma eficiência de 98% no controle das emissões evaporativas durante o reabastecimento. “Essa tecnologia de controle de emissões contribuiu significativamente para reduções nas concentrações de ozônio no ambiente, reduções nas exposições de benzeno para atendentes de postos de combustíveis e para os cidadãos que moram perto dos postos. Alguns dos compostos de hidrocarbonetos nas emissões de reabastecimento e evaporação formam aerossóis na atmosfera que contribuem para as concentrações de partículas finas no ar urbano, que também foram reduzidas”, afirma.

    Passavant informa que os benefícios da tecnologia ORVR superam os custos. “O valor do combustível recuperado durante a vida útil do veículo é maior do que o custo adicional do ORVR no novo veículo com essa tecnologia. A tecnologia reduzirá o uso de gasolina e, portanto, poderá reduzir as importações de petróleo. Além disso, a fabricação de hardware ORVR no Brasil e a instalação em novos veículos criarão oportunidades de emprego. Isso não afetará negativamente as pequenas empresas”.

    O diretor da consultoria ADS tecnologia e desenvolvimento sustentável ltda., um dos autores do livro Programa Ambiental de Inspeção e Manutenção Veicular, Alfred Szwarc, que atuou por 20 anos na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), onde ocupou várias funções técnicas e gerenciais, inclusive a direção técnica da instituição, explica que nas regiões urbanas do Brasil e de outros países os veículos automotores têm participação principal ou significativa na emissão de poluentes atmosféricos. “É necessário dar prioridade à regulação das emissões veiculares para se atingir as metas de qualidade do ar estabelecidas para a proteção da saúde pública e do meio ambiente”.

    Szwarc explica que principais poluentes controlados são o monóxido de carbono (CO), os compostos orgânicos voláteis (COV), os óxidos de nitrogênio (NOx), as partículas inaláveis e finas (MP) e os óxidos de enxofre (SOx). “Cabe destacar que as emissões de COV são emitidas tanto pelo escapamento do motor, como na forma de vapor de combustível (emissão evaporativa), que resulta do tanque e linhas de abastecimento do veículo e, também, das operações de reabastecimento do veículo. A emissão evaporativa é substancial nos veículos a gasolina e flex, requerendo atualmente mais atenção que a emissão pelo escapamento, que já foi reduzida consideravelmente”.

    Química e Derivados, O engenheiro sênior da Ingevity, Glenn Passavant

    O engenheiro sênior da Ingevity, Glenn Passavant

    Segundo o consultor, o controle da emissão dos compostos orgânicos voláteis (COV) requer atenção dos órgãos ambientais visto que participa de forma determinante nas reações fotoquímicas com os óxidos de nitrogênio (NOx), gerando o ozônio na baixa atmosfera. “Diferentemente do ozônio que ocorre naturalmente na alta atmosfera, e que protege o planeta da radiação ultravioleta, o ozônio gerado na baixa atmosfera é um poluente agressivo aos seres vivos, vegetais e diversos materiais. Atualmente, o controle dos principais precursores da formação do ozônio (COV e NOx) é uma prioridade em praticamente todos os países industrializados e em grande parte dos países emergentes”, completa Szwarc.

    Os compostos orgânicos voláteis (COV), que se somam a outras emissões de mesmo gênero presentes na atmosfera, ao reagirem com os óxidos de nitrogênio (NOx) em condições com luz solar intensa e temperatura ambiente elevada formam uma névoa seca característica de regiões poluídas, denominada smog fotoquímico, caracterizada pela presença do ozônio troposférico, que pode prejudicar a saúde das pessoas e o meio ambiente.

    Alfred Szwarc informa que circulam cerca de 300 milhões de veículos equipados com a tecnologia ORVR no mundo trazendo benefícios reais para o controle da emissão de compostos orgânicos voláteis (COV). “Um exemplo é a Região Metropolitana de Los Angeles, nos EUA, que há cerca de 40 anos enfrentava níveis elevadíssimos de ozônio na atmosfera e hoje, com a contribuição da tecnologia ORVR e de outras medidas eficazes de controle, apresenta enorme melhoria”.

    Congresso discute a química do futuro

    A sala temática “Qualidade do Ar” será realizada no período da tarde do primeiro dia e durante o período da manhã e da tarde do segundo dia do 17º Congresso de Atuação Responsável, que acontece em 15 e 16 de agosto, no Novotel Center Norte, na capital paulista, e que terá como tema “A Química do Futuro: Universo de Possibilidades e Desafios”. Veja a programação completa do Congresso e faça sua inscrição no hotsite www.congressoar.com.br.

    O 17º Congresso de Atuação Responsável tem o patrocínio da Arlanxeo, Basf, Birla Carbon, Braskem, Chemours, Clariant, Comissão Setorial de Silicones, Covestro, Croda, Dow, Elekeiroz, Evonik, ExxonMobil, Huntsman, Ingevity, Innova, Nitro Química, Oxiteno, Rhodia, Suatrans, Unigel e Unipar Carbocloro.



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    Um Comentário


    1. Os sistemas de captação filtrada em uma fábrica de cosméticos de meio porte ( pós e líquidos), por exemplo: a) por normas, qual é o máximo m.grs/ m3 tolerado internamente e qual é o máximo de ar exaurido para o exterior ?
      b) Se existe alguma regulação, no ambiente externo de diferenças dessoa valores. Por estar a industria em local longe de centro urbano?

      Atenciosamente: Antonio Pérez Alemany



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