Debate sobre qualidade do ar no Congresso de Atuação Responsável da Abiquim

Química e Derivados, Debate sobre qualidade do ar é um dos destaques do Congresso de Atuação Responsável da AbiquimQuímica e Derivados, Debate sobre qualidade do ar é um dos destaques do Congresso de Atuação Responsável da Abiquim

Sala de “Qualidade do Ar” reunirá especialistas nacionais e internacionais para discussões sobre emissões de fontes estacionárias e fontes móveis, experiências e tendências internacionais, cases da indústria química, regulamentações nacionais e perspectivas futuras, além de soluções da indústria química para a redução destas emissões

A sala “Qualidade do Ar” terá três sessões no 17º Congresso de Atuação Responsável, que a Abiquim realiza nos dias 15 e 16 de agosto, no Novotel Center Norte, na capital paulista. As discussões serão realizadas no período da tarde do primeiro dia do evento e durante todo o segundo dia.

Fontes estacionárias

No primeiro dia do Congresso, 15 de agosto, será realizado o debate sobre emissões atmosféricas provenientes de fontes estacionárias e de fontes móveis. A discussão da Sala abrangerá reflexões sobre a necessidade de inventários oficiais destas emissões, por tipo de fonte – estacionária ou móvel – que permitam análises críticas das contribuições de cada tipo de fonte na qualidade do ar.

“A ideia de abordar a Qualidade do Ar no evento tem o objetivo de avaliar a contribuição dos vários atores na Qualidade do Ar no Brasil, fazendo com que os esforços despendidos pela indústria para reduzir suas emissões sejam ampliados para todos os setores”, afirma o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da Abiquim e responsável por Meio Ambiente Corporativo da Braskem, Mauro Machado.

Química e Derivados, O coordenador da Comissão de Meio Ambiente da Abiquim e responsável por Meio Ambiente Corporativo da Braskem, Mauro Machado.
O coordenador da Comissão de Meio Ambiente da Abiquim e responsável por Meio Ambiente Corporativo da Braskem, Mauro Machado.

Machado explica ainda que a indústria química vem adotando controles cada vez mais eficazes em suas instalações e a programação da Sala evidenciará cases da indústria química na gestão atmosférica. Será apresentado um case do Pólo de Mauá, pela gerente Global de Meio Ambiente da Oxiteno, Lorena Brancaglião; um case de Cubatão, pela Supervisora Ambiental da Yara Brasil, Sueli Moroni, e; um case do Pólo de Camaçari, por Eduardo Fontoura do Cofic – Comitê de Fomento Industrial de Camaçari.

“O programa foi pioneiro no País em gestão integrada, no qual são avaliadas as emissões de todo o complexo industrial, o que torna mais fácil fazer a gestão das emissões. Ele começou em 1994 e ao longo desse período para reduzir as emissões foram realizadas ações como a mudança de matérias-primas, melhorias nos processos, investimento em tecnologia, além de maior controle operacional pelos operadores e responsáveis pelas atividades industriais. O programa também inclui o monitoramento da qualidade do ar nas comunidades. Dessa forma conseguimos avaliar todo o ciclo de gerenciamento. E essas ações são vetores para o sucesso do programa”, explica Fontoura.

Ainda no dia 15, o diretor Técnico da Consultoria ERM: Environmental Resources Management, Braulio Pikman, abordará a possível mudança na especificação técnica do gás natural, nacional ou importado, a ser comercializado, no Brasil. Segundo Pikman, essa discussão iniciada em 2016, na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), atendendo a interesses dos produtores, foca na flexibilização do teor de hidrocarbonetos contidos no gás natural comercializado.

“Essa alteração na regulação irá certamente gerar instabilidade operacional em equipamentos e o aumento nas emissões de gases de efeito estufa e gases poluentes como os óxidos de nitrogênio (NOx) que além do dano direto, quando combinados a compostos orgânicos voláteis potencializam a formação do ozônio troposférico, prejudicial às pessoas e ao meio ambiente”, explica Pikman. “Discussão similar está ocorrendo em outros países e decisões estão sendo tomadas no sentido de minimizar os custos para a sociedade como um todo”, completa o consultor.

Será realizada, também no dia 15 de agosto, apresentação sobre o Sistema de Inventário de Emissões de Fontes de Poluição da Cetesb – Sincet, pelo Engenheiro e Gerente do Setor de Projetos Especiais da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Milton Norio Sogabe. O sistema, que ainda está sendo implementado no Estado, segundo Sogabe, será capaz de apresentar as emissões atmosféricas nos 39 municípios da Grande São Paulo, e poderá ser acessado no site da Cetesb.“A implantação do sistema será encerrada em agosto e em seguida será iniciada a coleta de informações das amostragens dos meios (ar, água e solo). O Sincet fará parte de um grande sistema ambiental e que futuramente fornecerá até uma previsão da concentração de poluentes, como se fosse uma previsão do tempo”, explica Sogabe.

A especialista em Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Priscila Freire Rocha, fará uma apresentação sobre o processo de discussão da revisão da Resolução Conama nº 03 de 1990, que dispõe sobre os padrões de qualidade do ar. Priscila explica que as discussões contaram com a participação da sociedade civil e dos órgãos do governo e contempla a aplicação de planos de controle de emissão e relatórios de avaliação da qualidade do ar no nível nacional. “Isso deverá facilitar a fiscalização da qualidade do ar e facilitará para que uma empresa possa decidir onde deve instalar uma planta industrial. Também foi feita a revisão dos padrões de qualidade do ar, que estão mais rigorosos e seguem os padrões do guia da Organização Mundial de Saúde”, completa.

Fontes móveis

O segundo dia da programação da Sala de Qualidade do Ar, 16 de agosto, também abordará as diferenças de emissões provenientes de fontes estacionárias e de fontes móveis. Machado explica: “as fontes móveis têm uma importante contribuição no conjunto de fontes de emissão atmosférica. Um exemplo é que a poluição atmosférica em São Paulo caiu pela metade durante a greve dos caminhoneiros. Atualmente as principais cobranças com relação ao controle de emissões são aplicadas às fontes estacionárias, que são mais fáceis de monitorar e controlar. Entendemos que é importante demonstrar a evolução das emissões em cada uma dessas fontes para avaliarmos em conjunto onde devem ser direcionadas as melhores e mais eficazes alternativas de controle”.

Para debater o impacto das emissões geradas pelas fontes móveis na qualidade do ar, a programação terá, no período da manhã do dia 16 agosto, a participação de um dos autores do livro Programa Ambiental de Inspeção e Manutenção Veicular e diretor da consultoria em emissão veicular EnvironMentality, Gabriel Murgel Branco, que também participará de uma mesa-redonda para debater as tendências regulatórias das emissões de fontes móveis, no período da tarde.

Química e Derivados, O ambientalista, administrador, advogado e consultor, Fabio Feldmann
O ambientalista, administrador, advogado e consultor, Fabio Feldmann

O debate sobre as tendências regulatórias, que será realizado no período da tarde do dia 16, tem confirmada a participação do ambientalista, administrador, advogado e consultor, Fabio Feldmann, que já foi deputado federal por três mandatos e participou do desenvolvimento do capítulo dedicado ao meio ambiente na Constituição de 1988. “O tema qualidade do ar é um problema cada dia mais evidente. Debater com o setor empresarial este assunto é fundamental para que possamos estabelecer uma estratégia comum, pois cada um poderá ver o que lhe cabe para melhorar a situação”, explica Feldmann.

Segundo o consultor, é necessário ter um ar mais limpo e as empresas brasileiras precisam seguir padrões mundiais, que são mais rigorosos. Feldmann lembra que a siderurgia passará a seguir novos padrões de emissão a partir de 2019. “O objetivo é ter um ar de mais qualidade para melhorar a saúde das pessoas. Ter um ar de melhor qualidade é uma tendência inevitável. No caso do Brasil, 90% da poluição das cidades é veicular, precisamos ter projetos de engenharia com padrões mais rigorosos, combustível de qualidade, além de inspeção e manutenção para termos veículos bem regulados”.

Apesar de ainda considerar a legislação fundamental para que as empresas façam investimento em tecnologia e operem para reduzir as emissões, Feldmann explica que a cobrança do consumidor, investidores e acionistas também tem feito as montadoras e empresas adotarem padrões mais rigorosos. “Um exemplo de iniciativa de gestão que veio do próprio setor é o Programa Atuação Responsável® da indústria química, criado após o acidente de Bhopal, na Índia e que tem obtido bons resultados”.

Este debate também tem confirmada a participação do secretário Municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Campinas e presidente da Associação Nacional dos Órgãos Municipais de Meio Ambiente – Anamma, Rogério Menezes e da coordenadora-geral de Qualidade Ambiental e Gestão de Resíduos do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Letícia Reis Carvalho.

O presidente da Associação dos Fabricantes de Equipamentos para Controle de Emissões Veiculares da América do Sul (Afeevas), Stephan Blumrich, abordará a contribuição da química no controle das emissões veiculares. “Vamos apresentar a contribuição positiva da química para a indústria automobilística controlar e reduzir as emissões”. Entre as contribuições, que serão abordadas por Blumrich, está a Arla 32, solução de ureia de alta qualidade e pureza, usada com o sistema de Redução Catalítica Seletiva – SCR para reduzir quimicamente as emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) presentes nos gases de escape dos veículos a diesel. Preservação do meio ambiente e economia de combustível

A sessão também contará com a presença de dois convidados internacionais: o sócio da Gilson Environmental, Don Gilson, especialista, desde 1975, em sistemas de recuperação de vapor e controle de emissões de hidrocarbonetos de veículos automotores e postos de abastecimento de gasolina, e o engenheiro sênior da Ingevity, Glenn Passavant. Os convidados discutirão as emissões de vapor de gasolina da distribuição do combustível e oriundas do veículo. Gilson se concentrará nas emissões de vapor de gasolina do manuseio de combustível nos terminais, dos caminhões-tanque e na entrega ao posto de combustível. O engenheiro Glenn Passavant irá focar nas emissões por evaporação em movimento e durante o reabastecimento do veículo, e a tecnologia ORVR – Sistema a bordo de Recuperação de Vapores do Reabastecimento.

Segundo Passavant, veículos de passageiros e comerciais leves emitem vapor de combustível quando estão estacionados, sendo conduzidos ou reabastecidos, e os atuais regulamentos de emissões por evaporação do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve) fornecem apenas um nível modesto de controle, apenas na situação quando o veículo está estacionado por um dia. O engenheiro da Ingevity explica que esses hidrocarbonetos estão entre as fontes mais comuns de poluição do ar no Brasil. “Estimamos que, para a atual frota de veículos no País, as emissões por evaporação são de aproximadamente 274 mil toneladas métricas por ano e para as emissões de reabastecimento, há um adicional de 57 mil toneladas métricas por ano. Sem controles, esses valores aumentarão conforme o número de veículos em uso aumentar”.

As reduções nos hidrocarbonetos, como as de reabastecimento e emissões evaporativas, são essenciais para reduzir as concentrações de ozônio fotoquímico em atmosferas urbanas. Passavant lembra que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) e várias entidades industriais estudaram as opções de controle para as emissões de reabastecimento por muitos anos antes da EPA propor os requisitos de controle via ORVR em 1987.

“Os controles foram adotados em 1994 e implementados em 1998. O Canadá implantou em seguida. Os EUA e o Canadá adotaram o ORVR porque é uma extensão simples e confiável dos sistemas de controle das emissões evaporativas que podem ser implementados em qualquer veículo movido a gasolina ou flex, independentemente do tamanho ou configuração. A China também avaliou opções e escolheu o ORVR com base na experiência da América do Norte, ela adotou o ORVR no final de 2016 e ele deve ser implementado em todos os novos veículos até julho de 2020. Mas várias províncias anunciaram intenções de implementação em 2019.”, detalha.

O engenheiro explica que os veículos equipados com ORVR demonstram uma eficiência de 98% no controle das emissões evaporativas durante o reabastecimento. “Essa tecnologia de controle de emissões contribuiu significativamente para reduções nas concentrações de ozônio no ambiente, reduções nas exposições de benzeno para atendentes de postos de combustíveis e para os cidadãos que moram perto dos postos. Alguns dos compostos de hidrocarbonetos nas emissões de reabastecimento e evaporação formam aerossóis na atmosfera que contribuem para as concentrações de partículas finas no ar urbano, que também foram reduzidas”, afirma.

Passavant informa que os benefícios da tecnologia ORVR superam os custos. “O valor do combustível recuperado durante a vida útil do veículo é maior do que o custo adicional do ORVR no novo veículo com essa tecnologia. A tecnologia reduzirá o uso de gasolina e, portanto, poderá reduzir as importações de petróleo. Além disso, a fabricação de hardware ORVR no Brasil e a instalação em novos veículos criarão oportunidades de emprego. Isso não afetará negativamente as pequenas empresas”.

O diretor da consultoria ADS tecnologia e desenvolvimento sustentável ltda., um dos autores do livro Programa Ambiental de Inspeção e Manutenção Veicular, Alfred Szwarc, que atuou por 20 anos na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), onde ocupou várias funções técnicas e gerenciais, inclusive a direção técnica da instituição, explica que nas regiões urbanas do Brasil e de outros países os veículos automotores têm participação principal ou significativa na emissão de poluentes atmosféricos. “É necessário dar prioridade à regulação das emissões veiculares para se atingir as metas de qualidade do ar estabelecidas para a proteção da saúde pública e do meio ambiente”.

Szwarc explica que principais poluentes controlados são o monóxido de carbono (CO), os compostos orgânicos voláteis (COV), os óxidos de nitrogênio (NOx), as partículas inaláveis e finas (MP) e os óxidos de enxofre (SOx). “Cabe destacar que as emissões de COV são emitidas tanto pelo escapamento do motor, como na forma de vapor de combustível (emissão evaporativa), que resulta do tanque e linhas de abastecimento do veículo e, também, das operações de reabastecimento do veículo. A emissão evaporativa é substancial nos veículos a gasolina e flex, requerendo atualmente mais atenção que a emissão pelo escapamento, que já foi reduzida consideravelmente”.

Química e Derivados, O engenheiro sênior da Ingevity, Glenn Passavant
O engenheiro sênior da Ingevity, Glenn Passavant

Segundo o consultor, o controle da emissão dos compostos orgânicos voláteis (COV) requer atenção dos órgãos ambientais visto que participa de forma determinante nas reações fotoquímicas com os óxidos de nitrogênio (NOx), gerando o ozônio na baixa atmosfera. “Diferentemente do ozônio que ocorre naturalmente na alta atmosfera, e que protege o planeta da radiação ultravioleta, o ozônio gerado na baixa atmosfera é um poluente agressivo aos seres vivos, vegetais e diversos materiais. Atualmente, o controle dos principais precursores da formação do ozônio (COV e NOx) é uma prioridade em praticamente todos os países industrializados e em grande parte dos países emergentes”, completa Szwarc.

Os compostos orgânicos voláteis (COV), que se somam a outras emissões de mesmo gênero presentes na atmosfera, ao reagirem com os óxidos de nitrogênio (NOx) em condições com luz solar intensa e temperatura ambiente elevada formam uma névoa seca característica de regiões poluídas, denominada smog fotoquímico, caracterizada pela presença do ozônio troposférico, que pode prejudicar a saúde das pessoas e o meio ambiente.

Alfred Szwarc informa que circulam cerca de 300 milhões de veículos equipados com a tecnologia ORVR no mundo trazendo benefícios reais para o controle da emissão de compostos orgânicos voláteis (COV). “Um exemplo é a Região Metropolitana de Los Angeles, nos EUA, que há cerca de 40 anos enfrentava níveis elevadíssimos de ozônio na atmosfera e hoje, com a contribuição da tecnologia ORVR e de outras medidas eficazes de controle, apresenta enorme melhoria”.

Congresso discute a química do futuro

A sala temática “Qualidade do Ar” será realizada no período da tarde do primeiro dia e durante o período da manhã e da tarde do segundo dia do 17º Congresso de Atuação Responsável, que acontece em 15 e 16 de agosto, no Novotel Center Norte, na capital paulista, e que terá como tema “A Química do Futuro: Universo de Possibilidades e Desafios”. Veja a programação completa do Congresso e faça sua inscrição no hotsite www.congressoar.com.br.

O 17º Congresso de Atuação Responsável tem o patrocínio da Arlanxeo, Basf, Birla Carbon, Braskem, Chemours, Clariant, Comissão Setorial de Silicones, Covestro, Croda, Dow, Elekeiroz, Evonik, ExxonMobil, Huntsman, Ingevity, Innova, Nitro Química, Oxiteno, Rhodia, Suatrans, Unigel e Unipar Carbocloro.

Um Comentário

  1. Os sistemas de captação filtrada em uma fábrica de cosméticos de meio porte ( pós e líquidos), por exemplo: a) por normas, qual é o máximo m.grs/ m3 tolerado internamente e qual é o máximo de ar exaurido para o exterior ?
    b) Se existe alguma regulação, no ambiente externo de diferenças dessoa valores. Por estar a industria em local longe de centro urbano?

    Atenciosamente: Antonio Pérez Alemany

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