Cuidados capilares: Xampus e condicionadores mais eficazes

Cosméticos ficam mais eficazes e sustentáveis com evolução dos ingredientes

A diversidade étnica do brasileiro, resultado da miscigenação de raças, impulsiona a indústria de xampus e condicionadores a investir em desenvolvimentos capazes de abarcar as especificidades de cada tipo de cabelo.

Mas não é só isso.

Os formuladores são desafiados a criar soluções que aliem desempenho superior a um alto grau de naturalidade.

Multifuncionais e suaves, os ingredientes não devem causar irritação aos fios ou ao couro cabeludo e ainda oferecer vantagens adicionais, como sensorial agradável e penteabilidade.

“Não existe um mercado tão dinâmico quanto o de cosméticos e produtos de higiene pessoal”, afirma Juliana Seabra, gerente global de field marketing para Home & Personal Care da Oxiteno.

Ávido por inovação, o consumidor motiva as empresas a abastecer o setor com lançamentos constantes, em curtos períodos.

Esse ritmo impacta toda a cadeia, fazendo com que a indústria de ingredientes esteja preparada para atender ao mercado com a mesma agilidade.

Entre as exigências, a higienização tem sido apenas uma delas.

Cuidados capilares: Xampus e condicionadores ficam mais eficazes ©QD Foto: iStockphoto
Jéssica Bianchi, analista sênior de Laboratório de Inovação Aplicada/Latam, da área Cosmetic Solutions & Active Ingredientes da Evonik

“Os consumidores buscam não só produtos seguros e eficientes, como também desejam experiências sensoriais diferenciadas”, afirma Jéssica Bianchi, analista sênior de Laboratório de Inovação Aplicada – Latam, da área Cosmetic Solutions & Active Ingredientes da Evonik.

Ela se refere a opções que ajudam a relaxar, ofereçam um momento de indulgência e/ou tragam o tratamento premium dos salões para dentro de casa.

Liliana Brenner, diretora de marketing da Ashland, reforça esse caráter multifuncional dos insumos.

Segundo ela, os formuladores solicitam ingredientes que proporcionem diferentes benefícios perceptíveis para o consumidor final e não causem irritação, sendo suaves para o couro cabeludo e os fios.

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Liliana Brenner, diretora de marketing da Ashland

“Eles não devem afetar a transparência, espumação e estabilidade dos xampus, incluindo os sulfate-free”, afirma.

Além disso, atualmente, ela diz que a indústria tende a optar por produtos biodegradáveis, não testados em animais e preferencialmente de origem natural.

Produtos – Seguindo as tendências, a Oxiteno investiu no desenvolvimento do Oxiflow S 6800. Trata-se de um modificador reológico, que segundo Juliana, apresenta excelentes resultados em formulações sem sulfato e diluídas.

A tecnologia favorece a criação de produtos transparentes e espumas mais cremosas, além de proporcionar maior maciez e poder condicionador.

Outro atributo fica por conta da sua capacidade de promoção do espessamento de sistemas aquosos à base de surfactantes, viabilizando um sensorial diferenciado.

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    Outro exemplo de solução multifuncional é o Oxisense S 0440. Inspirado na diversidade dos tipos de cabelos dos brasileiros, esse agente condicionante foi criado com o objetivo de controlar os efeitos indesejáveis do frizz e suavizar os danos sofridos pelos fios, deixando-os mais suaves e macios com um sensorial agradável e não oleoso.

    Hoje cerca de 20% do portfólio de tensoativos do segmento de HPC da Oxiteno pode ser aplicado em produtos de cuidados capilares. Desse grupo, um lançamento recente é o intensificador de reparação Oxisense R 1051, um ativo capaz de reduzir em até 84% a quebra de fios e em até 60% a perda de proteínas essenciais para o cabelo, segundo estudos realizados pela fabricante.

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    Juliana Seabra, gerente global de field marketing para Home & Personal Care da Oxiteno

    Juliana observa que, no mercado de xampus e condicionadores, as inovações tecnológicas mais recentes para hidratação e sedosidade buscam atender à crescente demanda dos brasileiros por esses atributos.

    Sendo assim, os emolientes são ingredientes-chave em muitas formulações, assumindo um papel importante para o desempenho em propriedades hidratantes e sensoriais, como textura e espalhabilidade.

    Por isso, a companhia desenvolveu três diferentes ésteres emolientes sob a marca Oxismooth. Eles são obtidos de fontes 100% naturais e renováveis.

    A Evonik traz em seu portfólio o Tego Remo 95 MB, um agente reológico natural com propriedades emolientes.

    Jéssica explica que o insumo proporciona espessamento eficiente em formulações surfactantes sem polietilenoglicol e sulfato, além de condicionar a pele ao mesmo tempo.

    “É líquido e fácil de incorporar nas formulações, e contribui para a economia de energia e redução da pegada de carbono durante o processo”, atesta.

    Além do fio – Este perfil multifacetado dos ingredientes fomentou o desenvolvimento de uma nova vertente entre os xampus.

    Hoje, a indústria investe cada vez mais em formulações destinadas à manutenção e promoção da saúde do couro cabeludo.

    Segundo a diretora-técnica da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), Ana Carolina Ribeiro, no passado, a ideia era apenas promover a limpeza, no caso, “matar todos os micro-organismos”.

    Porém, percebeu-se que este processo deveria se dar de forma equilibrada, tanto para não agredir a barreira do couro cabeludo e os fios de cabelo, quanto para preservar os micro-organismos que são importantes para essa região.

    Aliás, segundo Ana Carolina, o que mais chama a atenção nos últimos tempos, no setor de produtos capilares, tem sido justamente o fato de os xampus usarem menos substâncias antifúngicas para acabar com a caspa.

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    Ana Carolina Ribeiro, diretora-técnica da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC)

    “Hoje utilizam mais ativos biotecnológicos para um controle seletivo dos micro-organismos, principalmente bactérias e fungos”, diz.

    Os resultados de pesquisas reforçam o movimento do setor em prol dos cuidados com o couro cabeludo.

    Para Amanda Caridad, especialista sênior de beleza e cuidados pessoais da Mintel, cada vez mais, os consumidores irão buscar produtos que atuam nessa região do corpo.

    A empresa se baseia em estudo segundo o qual o brasileiro demonstrou consciência sobre a importância de cuidar do couro cabeludo para ter um cabelo bonito e saudável.

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    Amanda Caridad, especialista sênior de beleza e cuidados pessoais da Mintel

    “Dentre os benefícios que os consumidores esperam ao comprar um produto de cuidados com o cabelo, 25% citaram equilibrante, isto é, produtos com fórmulas que evitem problemas no cabelo e couro cabeludo”, reforça.

    Ativos para esta aplicação não faltam. O Beauté by Roquette SA 130 (ácido succínico), da Roquette, distribuído pela IMCD, é um exemplo.

    Alternativa natural ao piritionato de zinco, esta matéria-prima regula o sebo e impulsiona o processo de descamação natural, entre outros benefícios para o couro cabeludo. Da CLR Berlin, Vanessa Arruda, technical manager Beauty & Personal Care, Home Care da IMCD, cita o Cutibiome CLR, um complexo sinérgico de extratos lipofílicos de manuka, pimenta preta e magnólia.

    Segundo ela, o insumo reduz a sensibilidade do couro cabeludo, fornece um suporte essencial para o equilíbrio natural entre a pele e sua microbiota, além de diminuir a caspa e ter ação calmante, entre outros.

    Liliana também aponta a “skinificação” (tratar cabelos e couro cabeludo de forma integral) como tendência. Considerando o conceito, ela apresenta a linha BiotHAIRapy. Trata-se de ativos com ação antiqueda dos fios, que aumentam a densidade capilar, e agem contra a poluição, equilibrando a oleosidade, entre outros benefícios ao couro cabeludo.

    Tendências – No país, o uso de xampus e condicionadores faz parte da rotina diária de cuidados com o cabelo de grande parte da população. Pesquisa realizada pela Mintel revela que 83% dos entrevistados utilizam xampu, e outros 63%, condicionadores (dados de 2021).

    Não por acaso, o Brasil é o quarto maior mercado mundial no consumo de produtos capilares, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

    Nem mesmo a derrocada do poder de compra da população, provocada pela pandemia, reduziu o consumo destes itens. Pelo contrário.

    Amanda cita que pouco mais de um terço dos brasileiros relatou ter realizado tratamentos químicos em casa, no período, o que elevou a demanda por produtos voltados à reparação de danos e ao fortalecimento dos fios.

    Aliás, o anseio de obter a performance de salão no domicílio fez o brasileiro aumentar as vendas de ingredientes para cuidados dos cabelos em plena crise pandêmica.

    Segundo Juliana, aliás, a baixa na renda do consumidor o tornou mais criterioso, pois passou a procurar entender o benefício de cada produto para realizar a melhor escolha.

    “Essa movimentação tem trazido maior competitividade para um mercado já exigente em termos de custo-benefício, promovendo assim um maior investimento em inovação e tecnologia para o atendimento dos desafios”, diz.

    Públicos específicos também engrossaram as vendas. De acordo com um estudo publicado pela Mintel, a rotina de cuidados capilares dos consumidores com 55 anos ou mais foi intensificada neste período de pandemia, com 43% dos entrevistados afirmando que passaram a lavar os cabelos ao retornar para casa de locais públicos.

    Ainda assim, há espaço para o mercado crescer. Segundo a Mintel, embora as indústrias tenham avançado na oferta maior de uma gama de produtos de cuidados capilares que atendam a todos os diferentes tipos e curvaturas de cabelos, menos de 30% dos brasileiros entrevistados concordou com a frase “agora é mais fácil encontrar as marcas/produtos que funcionam para meu cabelo/couro cabeludo”.

    Para Amanda, o dado expõe o desafio ainda existente para que as marcas continuem a investir em diversidade e inclusão em seus lançamentos.

    Ela destaca também como tendência a escolha dos fios mais naturais e o uso de penteados que celebrem a ancestralidade, entre os consumidores com cabelos cacheados e crespos.

    De acordo com ela, trata-se de uma oportunidade para o desenvolvimento de fórmulas que respeitem as necessidades de cada tipo de textura capilar.

    Em pesquisa realizada em janeiro deste ano, a Mintel mostra ainda que pouco mais de um terço (34%) dos brasileiros afirmou que a sua rotina de cuidados com os cabelos promove a sensação de alegria.

    Outro estudo aponta que no país entre os atributos mais buscados na compra de produtos de cuidados capilares está a “melhora da aparência do cabelo, como por exemplo, mais brilho e hidratação”, o que reforça a importância do sensorial para a experiência de consumo, segundo Amanda.

    Função básica – Em meio a tantas exigências, um dos principais desafios no desenvolvimento de ativos para produtos do segmento de hair care é promover efetivamente a reparação da fibra capilar.

    De acordo com Liliana, esta não é uma tarefa simples para a indústria na etapa de desenvolvimento, ainda mais considerando que o ativo deve recuperar os diferentes danos nas texturas dos fios.

    “A recuperação é efetiva quando a tecnologia associada ao ativo possibilita que o mesmo recupere de forma permanente ligações e estruturas perdidas dentro do córtex capilar, devolvendo sua força, resistência à quebra, movimento natural e suavize a rugosidade na superfície da fibra, proporcionando suavidade e brilho”, afirma.

    Responsável pela higienização dos fios, os tensoativos têm protagonismo nas formulações de xampu. No entanto, a utilização de um único tensoativo normalmente não fornece todas as características desejadas para a formulação, e por isso, é comum o uso de misturas.

    Juliana explica que a união de lauril-éter sulfato de sódio (um tensoativo aniônico) com a cocoamidopropil betaína (um anfótero) é uma das mais clássicas em xampus.

    “Essa combinação resulta em menor potencial de irritação, além de maior estabilidade da espuma, melhor espessamento e condicionamento do cabelo”, diz.

    Ainda considerando os tensoativos, sabe-se que as questões regulatórias envolvem o controle sobre a presença de impurezas, contaminantes e subprodutos de síntese.

    Juliana explica que a legislação estabelece limites máximos para tais substâncias, que devem ser atendidos pelos ingredientes destinados ao uso no segmento de personal care.

    Um exemplo é o limite de nitrosaminas As n-nitrosaminas são consideradas prováveis agentes cancerígenos e, por isso, precisam ser mantidas em níveis aceitáveis e seguros.

    “Desta forma, é de fundamental importância que nos processos produtivos de tensoativos sejam utilizadas as tecnologias mais adequadas e que estas sejam continuamente otimizadas, de forma a garantir a produção de ingredientes confiáveis e seguros”, afirma Juliana.

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      Depois da lavagem – Em relação às formulações de condicionadores, Ana Carolina destaca ter notado o desenvolvimento de novos tipos de queratina, cada vez mais parecidos com o cabelo, e que não causam um enrijecimento do fio.

      Além disso, como tendência, ela cita o uso de menos agentes condicionantes e mais ativos, em cabelos finos, para dar um efeito cosmético de um fio mais grosso.

      Os tensoativos catiônicos são o principal ingrediente das formulações de condicionador capilar.

      Eles se caracterizam por possuírem uma estrutura formada por uma parte polar hidrofílica, de carga positiva, e uma parte apolar hidrofóbica, de caráter oleoso.

      Tais moléculas são absorvidas na superfície dos fios de cabelo, neutralizando cargas negativas presentes e restaurando, por meio da sua cadeia carbônica, a lubrificação que foi perdida após a lavagem com xampu, conforme explica Juliana.

      Como resultado do menor atrito entre os fios, o efeito fly-away (arrepiado) é reduzido e o cabelo torna-se maleável, fácil de pentear e ganha maciez.

      Estes tensoativos também contribuem para a deposição, sobre o fio, de outros ingredientes lubrificantes presentes na formulação, como os ésteres emolientes e silicones.

      Liliana cita o cloreto de cetrimônio, cloreto de behentrimônio, stearamidopropil dimetilamina e metossulfato de behentrimônio como os tensoativos catiônicos mais empregados pelos fabricantes nas formulações.

      Segundo ela, a Ashland conta com uma ampla seleção de polímeros condicionantes de origem natural à base de polissacarídeos: a linha N-hance à base de goma de guar, e o polímero Clearhance C à base de sementes de cássia. A proposta é promover condicionamento e balanço para os fios, ação contra o frizz e brilho, entre outros.

      Ela também fala do Chromohance 113, um polímero condicionante que oferece benefícios diferenciados, como a retenção da cor dos cabelos tingidos, mesmo depois de seguidas lavagens, além do condicionamento e alinhamento dos fios.

      “Ele cria uma proteção hidrofóbica (que resiste á água) nos fios que impede o arraste dos pigmentos durante as lavagens, reduzindo significativamente o desbotamento da cor”, explica Liliana.

      Cuidados capilares: Xampus e condicionadores ficam mais eficazes ©QD Foto: iStockphoto

      Sustentável – A conscientização do consumidor sobre os impactos ambientais dos produtos para cuidados capilares aumentou, significativamente, nos últimos anos.

      E as indústrias responderam à altura, abastecendo o setor com novos desenvolvimentos com forte apelo ecológico.

      O cenário é próspero e as expectativas positivas, quando o assunto é sustentabilidade.

      No entanto, Juliana Seabra, gerente global de field marketing para Home & Personal Care da Oxiteno, alerta o quão desafiador é operar segundo o conceito “verde”.

      Ela menciona a ausência de uma definição ou regulamentação oficial harmonizada entre países, fabricantes ou certificadoras. Desta forma, a indústria precisa, inicialmente, ter em mente que a formulação a ser desenvolvida deverá atender a uma certificadora, selo ou a determinados claims específicos.

      A partir disso, o caminho é selecionar preliminarmente os ingredientes permitidos em cada caso e que poderão ser aplicados nas composições.

      “Outro aspecto desafiador para os formuladores é o atendimento às expectativas dos consumidores quanto à textura, quantidade de espuma e preço”, acrescenta.

      De qualquer forma, o setor adota, cada vez mais, uma postura sustentável, refletindo assim o atual perfil de compra do brasileiro.

      Segundo Juliana, os consumidores buscam um estilo de vida mais saudável e se mostram preocupados em utilizar produtos que causam menos impacto ao meio ambiente.

      Essa percepção se traduz na crescente procura por ingredientes naturais, sobretudo aqueles oriundos de plantas e outras fontes renováveis.

      “As empresas devem se esforçar para oferecer produtos de alto desempenho e ecologicamente responsáveis”, afirma.

      Um dos focos do mercado de cuidados capilares é a suavidade dos tensoativos.

      Este atributo está relacionado com a classe da molécula e, em geral, é avaliado com base em seu potencial para causar irritação à pele e aos olhos, por meio de testes tanto in vitro, como in vivo.

      “Em xampus, no entanto, é importante conhecer não só o potencial de irritação dos tensoativos individualmente, mas também das suas combinações”, diz Juliana.

      Ela explica ainda que os anfóteros podem, de forma geral, ser considerados menos agressivos, em comparação aos catiônicos e aniônicos.

      O modelo mais utilizado para explicar a relação entre tensoativos e suavidade estabelece que o fator-chave para a irritação da pele é a presença de monômeros livres do tensoativo na formulação.

      Sendo assim, segundo Juliana, apenas os monômeros menores do que as micelas são capazes de penetrar e interagir com proteínas e lipídeos do stratum corneum da pele, provocando a irritação.

      “A sinergia entre tensoativos aniônicos primários, como os sulfatados, com cotensoativos não-iônicos ou anfóteros, por exemplo, betaínas e amidas, resulta em formulações mais suaves devido à formação de micelas mistas, maiores e mais estáveis que as micelas formadas por um único tensoativo”, explica.

      Jéssica Bianchi, analista sênior de Laboratório de Inovação Aplicada – Latam, da área Cosmetic Solutions & Active Ingredientes da Evonik, reforça que, sim, ainda há uma forte tendência por limpadores mais suaves no segmento de cuidados pessoais.

      Porém, ela ressalta que a simples substituição dos tradicionais sulfatos (lauril-éter sulfato de sódio e lauril sulfato de sódio) traz enormes desafios ao fabricante, como a dificuldade de manter a performance de espuma e garantir a viscosidade das formulações.

      Como solução, ela propõe o Rewoteric AM C MB, um tensoativo anfotérico sem conservantes, da própria Evonik. A ideia é oferecer maior praticidade para criar fórmulas sem sulfato, facilitando o espessamento sem perder o poder de espumação, além de melhorar a sua suavidade.

      O foco atual da Evonik são produtos para aplicações que fazem o uso eficiente dos recursos e minimizem os danos provocados no ambiente e na sociedade.

      Jéssica ressalta a importância de pensar holisticamente, considerando muito mais do que os ingredientes de origem natural/vegetal.

      “É necessário também avaliar o impacto ambiental do produto final, e a toxicidade aquática tem sido um desafio contínuo para o mercado de cuidados para o cabelo”, afirma.

      Para dialogar com este conceito, a companhia conta com a linha de esterquats, com a qual promete garantir alta performance condicionante e baixo impacto ambiental, ao mesmo tempo.

      “Conseguimos melhorar o perfil de sustentabilidade dos produtos para cabelos com o Varisoft EQ 100 e o Varisoft EQ 65 MB”, diz.

      Além disso, a empresa desenvolveu um portfólio de biossurfactantes “verdes”, à base de glicolipídios.

      Um exemplo fica por conta do Rheance One. Fabricado por um processo biotecnológico via fermentação, ele alia alto desempenho ao cumprimento dos padrões de sustentabilidade.

      “A demanda por surfactantes ecologicamente corretos está em elevação no mundo inteiro”, afirma Jéssica.

      Até por isso, neste ano, a empresa anunciou a construção da primeira fábrica do mundo para a produção de biossurfactantes em escala industrial.

      A linha Glucosurf, da Oxiteno, também vai ao encontro do aumento da demanda por ativos suaves.

      Trata-se de uma família de alquil poliglucosídeos, tensoativos não-iônicos cujo grupo polar é a glicose e o grupo apolar são álcoois graxos.

      Adequado para formulações livres de sulfato e preservantes, o insumo pode ser utilizado como tensoativo primário ou cotensoativo.

      O Texturpure sa-1, por sua vez, é o lançamento da Ashland do ano passado.

      Segundo Liliana Brenner, diretora de marketing da empresa, é um texturizador e agente de suspensão para fórmulas de xampus e sabonetes líquidos de origem natural e biodegradável que apresenta excelente alternativa aos carbômeros.

      Também com apelo ambiental, o Styleze ES-Dura possui alto grau de naturalidade e oferece solução funcional para controle de volume e modelagem aos cabelos, atuando como um escudo contra os diferentes graus de umidade.

      Ainda sobre ingredientes suaves, um item de destaque do portfólio da IMCD é o Iselux, da Innospec.

      Trata-se de um surfactante primário que pode ser usado como surfactante secundário para aumentar o desempenho.

      Cuidados capilares: Xampus e condicionadores ficam mais eficazes ©QD Foto: iStockphoto
      Vanessa Arruda, da CLR Berlin, technical manager Beauty & Personal Care, Home Care da IMCD

      Sem sulfato, o ativo, segundo Vanessa Arruda, technical manager de Beauty & Personal Care, Home Care da IMDC, apresenta excelente solubilidade em água e ampla faixa de pH, entre outros benefícios.

      A Basf também endossa a oferta de ingredientes de origem natural e apresenta como novidade o Soluprat Sulfate Free, uma base concentrada vegana para formulação de xampus livres de sulfatos e etoxilados. A sua fórmula não possui aditivos, conservantes, óleo mineral e derivados de petróleo.

      A base é 70% derivada de fontes renováveis e possui alto índice de vegetalização (proporção de carbonos de origem vegetal em relação aos carbonos totais, vegetais e não vegetais), além de garantir uma espuma de textura cremosa e de sensorial agradável, mais brilho e hidratação, segundo a fabricante.

      Sólidos – O conceito de sustentabilidade no segmento de cuidados capilares também passa pela necessidade de otimização dos recursos naturais. Dessa forma, intensifica-se a tendência de aumento dos investimentos no desenvolvimento de xampus e condicionadores sólidos.

      “Hoje o mercado busca produtos com redução de água em suas formulações”, afirma Vanessa.

      Considerando que soluções para os cabelos têm em sua composição, em geral, de 70% a 90% de água, este movimento abre um caminho para o formato – seja para xampus, condicionadores ou máscaras.

      Além disso, no transporte terrestre, há o ganho ambiental com a diminuição de dióxido de carbono emitido, por conta do tamanho reduzido da embalagem do produto sólido.

      Em linha com este conceito, a Ashland oferece uma gama de produtos para fórmulas em barra.

      Um destaque é o Advantage Revive. Segundo Liliana, essa tecnologia é capaz de manter um nível de brilho e cor nos cabelos muito similar ao de um cabelo recém-lavado, o que não é fácil de ser obtido neste tipo de formulação.

      Ela também cita o Benecel K200 M. Derivado da celulose, o insumo fornece cremosidade para espuma, além de melhorar o deslize da formulação e evitar o efeito cracking dos produtos em barra durante o uso, segundo Liliana.

      Apesar de a indústria abastecer o setor com matérias-primas para formulações sólidas, segundo Amanda Caridad, especialista sênior de beleza e cuidados pessoais da Mintel, no entanto, o consumo permanece “nichado” no Brasil, com apenas 3% dos entrevistados relatando o uso de xampu sólido, e 2%, de condicionador sólido.

      Porém, as perspectivas são de crescimento. O levantamento “Tendência de Consumo da Mintel para 2022 Climate Complexity” revela uma grande preocupação em relação à crise climática.

      Por isso, uma sugestão de Amanda às indústrias é incrementar o apelo sustentável deste tipo de formato, evidenciando o uso responsável dos recursos naturais.

      Química e Derivados - Gerenciamento de risco no reprocessamento de produto

      ABC Cosmetologia

      A Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC Cosmetologia), é uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 10 de abril de 1973, com objetivo de promover o desenvolvimento da cosmetologia nacional.
      Formada por um grupo de profissionais das áreas de Farmácia, Química e afins, ligados a universidades e empresas de produto acabado e matérias-primas para a indústria de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, a ABC promove atividades tecnológicas, científicas e de regulamentação em prol do setor.
      Mais informações: https://www.cosmetologiabrasil.com/

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