Tratamento de Água

Crise Hídrica: Soluções para evitar colapso passam por combate a perdas, mais reúso e investimentos

Marcelo Furtado
29 de abril de 2014
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    Atualmente, a Sabesp tem capacidade instalada para produzir 73 mil litros/segundo. Com a entrada do sistema São Lourenço, esse volume chegará a 77.700 l/s. O investimento será feito integralmente pelas empreiteiras. Além do bombeamento para superar o desnível de 300 metros, outra parte importante da obra é a tubulação que levará a água até as residências, o que inclui um túnel de 1.100 metros pela serra e uma passagem por baixo da rodovia Raposo Tavares, por meio de método não destrutivo. Em parte do trajeto, os tubos chegam a ter 2,10 metros de diâmetro.

    Serão instalados também uma estação de tratamento de água, estações de bombeamento, além de reservatórios para armazenar um total de 110 milhões de litros de água.

    E mais obras de grande porte devem sair, segundo o Plano Diretor de Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista, estudo concluído no ano passado pelo governo estadual. Segundo o plano, serão necessários investimentos de R$ 4 bilhões a R$ 10 bilhões em novos reservatórios, captações e sistemas de transferência. Para chegar a essa conclusão, o governo apontou 20 alternativas, desde o uso de água do Aquífero Guarani, o que foi descartado, até a busca em regiões mais distantes, como no Alto Paranapanema, obra de R$ 8,7 bilhões. Foram feitas simulações combinando dez das 20 propostas. Cada combinação seria suficiente para suprir a demanda até 2035.

    Hoje, além da PPP São Lourenço, outros cinco projetos estão em curso com capacidade de acrescentar 15 mil litros por segundo à oferta hídrica. Faz parte dessa leva de soluções a construção das barragens de Pedreira, no Rio Jaguari, e Duas Pontes, no Rio Camanducaia, em Amparo, reserva estratégica para estiagem em Campinas e com vazões médias de 10 mil litros por segundo cada uma. O governo, durante a recente crise, publicou decreto para desapropriar as áreas e lançou edital para estudo de impacto ambiental.

    Química e Derivados, Bittencourt: também é preciso investir em mais reservação

    Bittencourt: também é preciso investir em mais reservação

    Mais reservação – As alternativas mais grandiosas para prevenir a região metropolitana de perigosa escassez futura encontram eco na opinião de outros especialistas. O presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (Abes-SP), Alceu Bittencourt, é um exemplo. Para ele, o estado de São Paulo, e a região metropolitana em específico, carecem de reservatórios suficientes para armazenar água bruta durante o período de chuvas. “É evidente a necessidade de construção de barragens e reservatórios”, disse.

    Para Bittencourt, essa carência tem efeito negativo duplo. Quando há muita chuva os reservatórios transbordam e a água se perde nos rios. E quando há estiagem, como é o atual caso, não há reserva suficiente para suportar o consumo. “Não tem saída. Mesmo que todas as outras iniciativas sejam importantes, como a redução do consumo ou o reúso, a capacidade de reservação precisa aumentar”, disse.

    Sua preocupação se baseia na projeção de que o consumo na região da macrometrópole de São Paulo vai aumentar em mais 60 m3/s (de 223 l/s para 283 l/s) até 2035, para atender o crescimento da população dos atuais 30 milhões para 37 milhões. Nesse caso, as cercanias de Piracicaba e Campinas teriam prioridade na construção de mais reservatórios. Não custa lembrar que as regiões foram as mais atingidas na estiagem atual e que essas bacias colaboram para o preenchimento do reservatório da Cantareira, que se encontra com nível inferior a 20% da sua capacidade.

    Não à toa, a Sabesp afirma ter investido R$ 1,2 bilhão na ampliação do sistema de abastecimento de água entre 2008 e 2013. No total, foram 11 obras, que beneficiaram 20 milhões de pessoas, segundo a empresa. A ação mais importante nesse período foi o aumento da produção do Sistema Alto Tietê de 10 mil para 15 mil litros de água por segundo, que atendeu uma população de 1,7 milhão de pessoas na região leste de São Paulo.

    Mesmo concordando com a política de ampliação de produção e reservatórios, Bittencourt reforça o coro de que as perdas precisam ser atacadas e de que há de se criar políticas de incentivo para reduzir o uso de grandes consumidores, indústria e agricultura. Nesse ponto, o reúso de água precisaria ser ampliado. No caso da indústria, porém, o presidente da Abes-SP acredita que já existe um incentivo natural para conservação da água disponível: as altas tarifas pagas pelo setor. “Eles pagam caro pela água da rede, por isso cultivam a cultura da racionalização”, lembrou.



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