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Tratamento de Água

Crise Hídrica: Soluções para evitar colapso passam por combate a perdas, mais reúso e investimentos

Marcelo Furtado
29 de abril de 2014
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    Potencial do reúso – O combate ao desperdício doméstico, para Morgado, além de se justificar por causa do alto consumo na região metropolitana, também se explica pelo fato de ser mais difícil promover mudanças principalmente no consumidor industrial, cujas reduções no uso da água dependem de altos investimentos e de modificações no processo. Isso não significa, porém, que não haja nada a ser feito nas unidades desses importantes consumidores, que só não são atualmente mais representativos por causa do grande êxodo industrial ocorrido na região metropolitana nas duas últimas décadas.

    Nesse aspecto, a ação com maior potencial é estender a possibilidade de aproveitamento de água de reúso proveniente do tratamento terciário do esgoto, uma alternativa inteligente para uso industrial com capacidade de deixar mais água potável disponível para a população.

    Química e Derivados, Caminhão-pipa para água de reúso: frete caro

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    Há cinco estações de tratamento de esgoto (ETEs) na região metropolitana com as chamadas EPARs (estações de produção de água de reúso): ABC, Barueri, Jesus Netto, Parque Novo Mundo e São Miguel Paulista. Mas, dessa capacidade instalada, de 800 litros por segundo, utiliza-se apenas 57% (450 l/s). Isso porque não há um programa efetivo de desenvolvimento de clientes para absorver a produção. Segundo Marcelo Morgado, o pouco aproveitamento tem a ver com dois fatores: o estigma de usar água cuja origem é o esgoto e os altos custos pagos pelos fretes dos caminhões para levar a água de reúso e para ampliar as tubulações para transportar o líquido até o usuário final.

    Do total utilizado hoje na RMSP, em 55 clientes, cerca de 75% é transportado via adutoras, sendo a principal delas a de 17 km que transporta a água de reúso da ETE ABC para o polo petroquímico (projeto Aquapolo, sociedade com a Odebrecht, que gera 650 l/s e tem capacidade total de 1.000 l/s) e outras feitas para clientes importantes, como a têxtil Coats Corrente, que recebe 45.000 m³/mês da ETE Jesus Netto por adutora de 900 metros e a também têxtil Santher, consumidora de 60.000 m3/mês da ETE Parque Novo Mundo, via adutora de 1.400 metros. Além dessas indústrias, quatro prefeituras – São Paulo, Santo André, São Caetano do Sul e Barueri – recebem por caminhões-tanque cerca de 20.000 m3/mês.

    Segundo a Sabesp, o fornecimento total de água de reúso corresponde a apenas 2,75% do total de 16,5 mil litros/segundo de esgotos tratados (média de 2013). Por ser uma alternativa barata (R$ 1/ m3) e que, em um cálculo aproximado da Sabesp, alivia, a cada mil litros/segundo, o consumo de 300 mil pessoas, a água de reúso deveria ser mais considerada como alternativa para minimizar o consumo por água de abastecimento. Não à toa, a Sabesp tem como meta produzir 3,5 mil litros por segundo de água de reúso, o que corresponde a aproximadamente 5% da vazão de água produzida para abastecimento.

    Química e Derivados, Aquapolo produz água de alta qualidade e deveria ser replicado

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    Para as indústrias, a utilização desse recurso recuperado pode ser uma boa economia. Como consomem acima de 50 m3/mês, elas caem na faixa de tarifa de água de reúso que pode apresentar custo médio que oscila de 8% a 42% do custo da água potável. Atualmente, a Sabesp está implantando uma unidade para fornecimento de água industrial para a empresa têxtil Santaconstancia e está em estudos avançados para futura implantação em uma empresa do setor de papel e celulose.

    É com esse panorama do reúso em mente, aliás, que outro projeto de lei (870/2013) na Câmara Municipal de São Paulo, também de autoria do vereador Gilberto Natalini, pretende alterar o artigo 1º da lei 13.309, de 2002, para estabelecer novas regras para aplicações urbanas para a água de reúso, definida pela lei não só como aquela produzida por polimento do efluente final de ETEs como também a oriunda de captação e tratamento simplificado de águas de chuva.



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