Meio Ambiente (água, ar e solo)

Crise Hídrica – indústria química lança guia para plano de contingência

Quimica e Derivados
30 de novembro de 2015
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    Indústria química e a gestão da água – John F. Kennedy, ex-presidente dos Estados Unidos, revelou em um de seus discursos que “quando escrita em chinês, a palavra crise se compõe de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade”. A escassez de água, embora represente uma ameaça à produção, pode também ser vista como um incentivo à implementação de produtos e processos que consumam menos água e mesmo à inovação na indústria de produtos químicos para tratamento do recurso.

    As indústrias químicas que têm plantas instaladas no país já vêm dando há décadas a sua contribuição ao reduzir a captação de água e a quantidade de efluentes lançados, além de aumentar a porcentagem de efluentes reciclados. O aprimoramento contínuo da gestão dos recursos hídricos pela indústria química faz parte do Sistema de Gestão do Programa Atuação Responsável. O Programa Atuação Responsável® é uma iniciativa voluntária da indústria química mundial, gerida no Brasil pela Abiquim, destinada a demonstrar seu comprometimento na constante melhoria de seu desempenho em saúde, segurança, meio ambiente e sustentabilidade. De acordo com o relatório dos Indicadores do Atuação Responsável, entre 2006 e 2013, a indústria química reduziu 37,5% do volume de água consumida em processos e produtos. Nesse mesmo período, o volume de água captada pelo setor caiu 34,8%. Além de diminuir o impacto ao meio ambiente, essa melhoria da eficiência na gestão da água reduz também os custos de produção.

    De acordo com o Líder de Atendimento Técnico da Unipar Carbocloro e integrante da Comissão de Saneamento e Tratamento de Água da Abiquim, Hilton Carvalho da Silva, o sistema de gestão hídrica da empresa preza pelo reúso e redução do desperdício. Segundo Silva, 80% da água captada pela Unipar Carbocloro dos rios Cubatão e Perequê é reaproveitada mediante tratamento realizado na própria empresa para a eliminação de impurezas para o reúso industrial do recurso.

    Mais uma iniciativa da indústria para reúso da água, alinhada ao Programa Atuação Responsável®, foi a instalação, em 2012, do Aquapolo, no Polo Petroquímico de Capuava-SP, maior projeto de água de reúso para fins industriais do Brasil e do Hemisfério Sul, com capacidade para produção de até mil litros por segundo de água não potável a partir do esgoto tratado.

    Produtos químicos para o tratamento da água – Nesse cenário de crise hídrica, muitas vezes com a utilização das reservas técnicas das represas, é indispensável o uso de produtos químicos para garantir que a água que chega até a população esteja limpa. Na opinião do diretor-médico do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Ceatox-USP), médico assistente do Instituto da Criança e assessor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dr. Anthony Wong, “os produtos químicos são absolutamente essenciais para garantir a qualidade da água, para que ela seja considerada potável. Ainda mais nos dias de hoje, em que estamos usando água do volume morto de alguns reservatórios, cujo conteúdo tóxico da água sem tratamento é desconhecido”, alerta o toxicologista.

    A química é ainda um dos setores mais importantes quando se fala em tratamento de água. Processos como oxidação, desinfecção, decantação e flotação, essenciais para garantir a qualidade da água que chega às casas da população, só são possíveis com a ajuda da indústria química. Segundo Mercedino Carneiro Filho, químico do Departamento de Qualificação e Inspeção de Materiais e Equipamentos da Sabesp, empresa responsável pelo fornecimento de água, coleta e tratamento de esgotos de 364 municípios do Estado de São Paulo, em média, a empresa utiliza em torno de 12 mil toneladas de produtos químicos por mês somente nos processos de tratamento de água da região metropolitana. O consumo total em todas as cidades em que a Sabesp opera no Estado de São Paulo é de aproximadamente 22 mil toneladas por mês.

    As perdas na distribuição no Brasil, seja por vazamentos, seja por erros de medição, ligações clandestinas ou roubo, chegaram a 37% do volume total de água tratada em 2013. O número equivale a 6,5 vezes a capacidade do Sistema Cantareira (sem considerar as reservas técnicas). (Instituto Trata Brasil, 2015) De acordo com o coordenador da Comissão de Saneamento e Tratamento de Água da Abiquim, José Eduardo Gobbi, em Israel, as perdas são de 6,5% e a meta é reduzir para 2,5%.

    Conforme explica o especialista da Sabesp, os produtos coagulantes e floculantes têm a função de formar flocos com as impurezas da água para que possam ser separados. Neste grupo, estão o sulfato de alumínio, o cloreto de polialumínio, o cloreto férrico e, em alguns casos, são utilizados produtos auxiliares, como os polímeros à base de poliacrilamidas. Carneiro Filho explica ainda que também são usados produtos alcalinizantes com a função de ajustar o pH da água para melhorar a condição de floculação. Neste grupo, encontram-se a cal (virgem, hidratada ou em suspensão) e o hidróxido de sódio. Para a oxidação e desinfecção da água, são utilizados predominantemente os produtos à base de cloro ou hipoclorito de sódio. O ácido fluossilícico ou o fluorsilicato de sódio não são utilizados para o tratamento, mas dosados na água tratada para prevenção da cárie dentária.

    De acordo com o coordenador da Comissão de Saneamento e Tratamento de Água da Abiquim e gerente de Água e Esgoto da Nalco na América Latina, José Eduardo Gobbi, a indústria química está totalmente apta para atender o mercado de tratamento de água com produtos de alta qualidade, que atendem as normas internacionais e brasileiras, como a ABNT NBR 15784, incorporada pela Lei, que estabelece os requisitos para o controle de qualidade dos produtos químicos utilizados em sistemas de tratamento de água para consumo humano e os limites das impurezas nas dosagens máximas de uso indicadas pelo fornecedor do produto, de forma a não causar prejuízo à saúde humana.



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