Energia Elétrica

Crise elétrica agrava déficit químico

Marcelo Fairbanks
4 de abril de 2001
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    O diretor-executivo da Abiclor salientou que o estudo fez as contas tomando por base um período de restrição de junho a novembro. “Infelizmente, as previsões indicam que o racionamento vai se prolongar”, alertou. Penna comentou o fato de as barragens construídas no Brasil estarem supermecanizadas, ou seja, com mais turbinas geradoras do que seria seguro instalar. “Desde 1995, o nível dos reservatórios está caindo porque o consumo de água supera a captação”, informou. Além disso, turbinas alimentadas por reserva­tórios no limite mínimo de capacidade tendem a receber água suja (com lama), que pode danificá-las, redu­zindo ainda mais a oferta de eletri­cidade. Reservatórios baixos também constituem óbice à navegação, em época de escoamento de safra agrícola do Centro-Oeste brasileiro.

    Química e Derivados: Crise: grafico08.A crise poderá se repetir em 2002, embora a capacidade de geração deva ser ampliada de 2.100 MW. “A situa­ção só vai melhorar no final de 2002, quando entram em produção mais 4.150 MW, fora a conclusão das linhas de transmissão da energia sobrante no Sul e no Norte do País”, calculou. “Isso se não houver outro período chuvoso fraco, como neste ano.” A situação poderia ser melhor, se, no passado, tivessem sido estimulados os projetos de co-geração elétrica. O próprio setor de soda-cloro, segundo Pena, tinha projetos interessantes, abandonados pela falta de definição oficial sobre fatores como oferta e preço de gás natural, livre acesso aos gasodutos, licenças de localização, instalação e operação. Essas licenças, aliás, foram aceleradas por meio de Medida Provisória, passando para 30,60 e 90 dias, respectivamente.

    Definido o porcentual de ajuste, o setor de soda-cloro inciará reuniões para tentar harmonizar condutas, de modo a reduzir o impacto da crise. “Já sabemos que, nos próximos três meses, as indústrias do setor farão paradas antecipadas de manutenção, de forma escalonada”, disse Penna. Com isso, a economia elétrica chegará a 100 mil MWh. “As empresas gostariam de ser compensadas no futuro pela econo­mia, como uma espécie de caderneta de poupança para o período chuvoso”, comentou.

    Além disso, o setor pleiteia flexibi­lidade para promover cortes de demanda dentro do grupo. “Podemos atuar em forma de pool, parando por mais tempo as unidades menos efi­cientes em aproveitamento energético e transferindo essa energia para as fábricas mais eficientes”, explicou. “Assim, evitaríamos prejuízo maior para os consumidores.” A Abiquim apresentou ao governo pleito seme­lhante, de forma a alcançar economia de energia ainda maior que a soli­citada, se for permitido equacionar o problema por grupos de empresas interrelacionadas, como as situadas nos pólos petroquímicos.

    Atualmente, a maior preocupação da Abiclor é a preservação da cadeia de consumo de seus produtos. “O risco de desagregação é enorme”, avaliou. Como exemplo, ele citou o caso das novas fábricas de automóveis da Ford e da GM, que aumentarão o consumo de espumas de poliuretano (PU) nos estofamentos e nos volantes. “O PU é feito com a participação de cloro no processo”, ressaltou. Como as mon­tadoras terão corte de apenas 15%, insuficiente, segundo elas mesmas, para reduzir a produção, certamente haverá falta de bancos e de volantes, ou a importação da resina aumentará.

    O problema é maior com o desa­bastecimento de soda cáustica, que já está sendo importada desde o ano passado para fazer frente à demanda. O anúncio de redução de atividades de algumas produtoras de alumínio não será suficiente para manter o País abastecido, segundo Penna. As indústrias de celulose, por exemplo, são grandes consumidoras de soda para o desfibramento da madeira, e serão pouco afetadas pelo racionamento de eletricidade. A importação de soda vai aumentar, congestionando portos e estradas.

    “O setor de soda-cloro já as­sumiu o compromisso de priorizar o abas­tecimento interno”, infor­mou. Mesmo assim, consumidores que exportam seus produtos po­derão ser fortemente afetados com a escassez, prejudicando a imagem internacional e compro­metendo negócios futuros.



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